O planeta em alerta geral

O planeta em alerta geral

O registro de 2018 é o maior da história, segundo as Nações Unidas, e não há sinais de %u201Cdesacelerações visíveis%u201D. A agência chama a atenção para as consequências do fenômeno, como o aumento das ondas de calor extremo e a elevação do nível do mar

postado em 26/11/2019 00:00
 (foto: David Gray/Reuters - 1/11/10 )
(foto: David Gray/Reuters - 1/11/10 )


A uma semana da principal reunião do ano sobre a luta contra a mudança climática, a COP-25, a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou um relatório indicando o tamanho da batalha a ser enfrentada. Segundo o documento, no ano passado, houve registro recorde de concentração dos gases causadores do efeito estufa na atmosfera e não há sinais de ;desaceleração visíveis;.

;Não há indícios de que vai acontecer uma desaceleração, e muito menos uma redução, da concentração dos gases do efeito estufa na atmosfera, apesar de todos os compromissos assumidos no Acordo de Paris sobre a mudança climática;, destacou o secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Petteri Taalas.

A agência alerta que ;as futuras gerações poderão enfrentar impactos cada vez mais severos da mudança climática;. Além do aumento da temperatura, espera-se a ocorrência mais frequente de fenômenos climáticos extremos, como enchentes, ondas de calor e incêndios florestais, a elevação do nível do mar e alterações nos ecossistemas marinhos e terrestres.

O relatório é resultado de medições feitas em mais de 100 estações espalhadas pelo planeta (veja arte). A compilação de dados mostrou que o dióxido de carbono (CO2), que está associado às atividades humanas e constitui o principal gás do efeito estufa, teve concentração, em 2018, de 407,8 partes por milhão (ppm), ou seja, 147% a mais que o nível pré-industrial de 1750. Os níveis globais de CO2 ultrapassaram a referência global de 400 partes por milhão, adotada pelos países em 2015.

A OMM alerta que o dióxido de carbono permanece por séculos na atmosfera e durante períodos ainda mais longos nos oceanos. ;Cabe recordar que a última vez em que a Terra registrou uma concentração de CO2 comparável foi entre 3 e 5 milhões de anos atrás. Na época, a temperatura era de 2;C a 3 ;C mais quente, e o nível do mar era entre 10 e 20 metros superior ao atual;, ressaltou Petteri Taalas, em comunicado.

Os dois outros gases que seguem a lista de concentrações recordes são o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O). No caso do metano, a taxa de 2018 foi de 1.869 partes por bilhão (ppb), quase 159% a mais do que o nível pré-industrial. A estimativa é de que 60% das emissões de CH4 sejam provocadas por atividades humanas, incluindo a pecuária, o cultivo de arroz e a exploração de combustíveis fósseis.

A concentração de óxido nitroso foi de 331,1 ppb, 23% a mais do que em 1750. O homem responde por 40% das emissões de N2O, com, por exemplo, o uso de fertilizantes e por meio de processos industriais. A agência das Nações Unidas chama a atenção para o fato da forte influência do óxido nitroso na destruição da camada de ozônio, que filtra os raios ultravioleta.
Desequilíbrio

A presença desses gases na atmosfera impede que parte do calor liberado pela Terra, depois de aquecida pelo Sol, seja perdida no espaço. Dessa forma, o planeta tem uma temperatura que o deixa habitável. Porém, o aumento das concentrações principalmente de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, comprometeu esse equilíbrio.

Diante da emergência climática, os países acordaram, em dezembro de 2015, em Paris, adotar planos de redução das emissões de gases do efeito estufa, mas as emissões mundiais não param de crescer. Petteri Taalas pediu que, ;em nome do bem-estar do futuro da humanidade;, as nações cumpram ;os compromissos em ação;.

Os quatro maiores emissores de gases do efeito estufa ; China, Estados Unidos, União Europeia e Índia ; representam 56% das emissões globais. No início deste mês, um deles, os Estados Unidos, oficializou a saída do Acordo de Paris. Apenas a União Europeia, que responde por 9% do total de emissões, está a caminho de cumprir, ou até superar, seus objetivos, de acordo com um estudo recente da ONG americana Fundação Ecológica Universal (FEU-US).

A primeira revisão do acordo climático está prevista para o próximo ano. Até o momento, 68 países se comprometeram a rever seus planos de corte. A expectativa é de que, na cúpula do clima deste ano (COP-25), que ocorrerá na semana que vem, em Madri, mais nações façam o mesmo. Segundo o pacto climático, até 2050, o aumento médio na temperatura da Terra deve ser de até 2;C acima dos níveis pré-industriais e, desejavelmente, atingir no máximo 1,5;C.


Anos mais quentes
Somam-se aos índices recordes de concentração de gases na atmosfera os registros também históricos da temperatura do planeta. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), 2018 foi o quarto ano mais quente desde que começaram a ser feitas medições confiáveis, a partir de 1850. Estão na frente apenas 2015, 2016 e 2017. Segundo a agência, o fato de os registros serem consecutivos indica que, mesmo removendo a variabilidade natural cíclica, o clima deve seguir em marcha inexorável de aquecimento. A expectativa, inclusive, é de que este ano entre na lista.


"Não há indícios de que vai acontecer uma desaceleração, e muito menos uma redução, da concentração dos gases do efeito estufa na atmosfera, apesar de todos os compromissos assumidos no Acordo de Paris;

Petteri Taalas,
secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial

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