Um artista dos jornais

Um artista dos jornais

postado em 05/12/2019 00:00
 (foto: Arquivo pessoal)
(foto: Arquivo pessoal)

O jornalismo brasiliense perdeu ontem um dos seus grandes entusiastas. O diagramador do Correio Braziliense Divino Alves, 63 anos, faleceu após parada cardíaca. Funcionário do jornal havia 25 anos, o goiano de Ceres era referência profissional para a equipe de designers gráficos e exemplo de ser humano para os colegas da redação. Ele deixa dois filhos, Diego Alves, 31, e Vanessa Alves, 24.

Na terça-feira, antes de realizar sessão de hemodiálise, Divino se sentiu mal e desmaiou. Com dores no peito e pressão baixa, foi encaminhado ao Hospital Alvorada Brasília, onde recebeu medicação. Segundo familiares, ele teve uma parada cardiorrespiratória, mas foi reanimado e internado. Divino estava entubado desde então. Faleceu na tarde de ontem, por volta das 17h30.

Divino, diagramador havia 46 anos, não deixava os problemas de saúde o impedirem de fazer o que gostava. Diariamente fazia sessões de hemodiálise por conta de insuficiência renal, mas a obrigação não o detinha nem o impedia de, inclusive, trabalhar em plantões de fins de semana e feriados.

;Era uma pessoa sensacional, muito querida. Sofria, mas nunca reclamou;, afirmou o cunhado e colega de trabalho, também designer gráfico, Enir Mendes. Um dos mais antigos diagramadores do jornal, Divino era responsável por montar as páginas do caderno de Mundo do Correio.

Para quem atuava em parceria e ao seu lado, ficará a saudade de um amigo e trabalhador apaixonado pelo que fazia. ;Foi um dos melhores profissionais e mais talentosos com quem eu já trabalhei. Tinha um senso único para diagramar. Pensava bastante rápido. Vai fazer muita falta;, destacou Rodrigo Craveiro, subeditor de Mundo. ;O jornalismo perde um grande profissional e uma pessoa maravilhosa, positiva e bem-humorada;, completou.

Responsável pela editoria de Mundo, Ana Paula Macedo acompanhou o trabalho de Divino também no caderno Brasil. ;Trabalhei com o Divino desde que entrei no jornal. Ele era competente, um colega amoroso, sempre disposto e brincalhão;, disse. De acordo com a jornalista, a criatividade e atenção com o trabalho eram algumas de suas principais características. ;A gente brincava aqui que ele era um highlander, porque, quando era internado, no outro dia já queria trabalhar;, comentou.

O amor de Divino pelo trabalho contagiou o filho Diego, também diagramador do Correio. ;Meu pai tinha uma vontade de viver enorme e sempre foi apaixonado por jornalismo e diagramação. Ele até criou um jornal;, contou. Diego e o pai cuidam do jornal O Grito, criado em 1992. O periódico comunitário aborda temas da região de Cidade Ocidental, onde Divino morava. ;Era o maior orgulho dele ver esse jornal circulando;, acrescentou.

Hoje amigos e familiares se despedem de Divino. O velório e o sepultamento serão na Cidade Ocidental no período da tarde.

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