Joice denuncia milícia virtual

Joice denuncia milícia virtual

» Bernardo Bittar
postado em 05/12/2019 00:00
 (foto: Geraldo Magela/Agência Senado)
(foto: Geraldo Magela/Agência Senado)


Em audiência na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre fake news, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) acusou o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) de comandar ataques contra desafetos da família presidencial. ;Eduardo está amplamente envolvido e é um dos líderes desse grupo que chamamos de milícia virtual;, disparou ela, que apresentou gráficos sobre como seria feito o disparo de mensagens falsas na internet, sob o comando da família do chefe do Executivo e de aliados. A parlamentar afirmou, ainda, que ;a rede social de Eduardo é uma das que mais influenciam ataques;.

Ao trazer números pesquisados a pedido dela para a CPMI, Joice disse que técnicos passaram um pente-fino no perfil do presidente da República no Twitter, onde encontraram 1,4 milhão de seguidores fantasmas. No de Eduardo, seriam quase 500 mil robôs.

Embora tenha atacado a família Bolsonaro, Joice ressaltou que o objetivo dela não é ;arruinar a imagem do presidente;. ;Ajudei a eleger o presidente da República e parte da bancada. Meu objetivo é mostrar o fruto de uma investigação que fiz depois que virei alvo de ataques coordenados e, infelizmente, (pagos) com dinheiro público.;

Na audiência, a deputada afirmou que há uma tabela com cronograma de dias e alvos a serem atacados pelo chamado ;gabinete de ódio; ; formado, segundo ela, por assessores próximos do presidente, muitos deles colocados ali por indicação da família.

De acordo com Joice, um único disparo por robôs custa, em média, R$ 20 mil. ;De maneira, digamos, legal, comprovável imediatamente, (são destinados) praticamente R$ 500 mil, de dinheiro público, para perseguir desafetos. Essa é a função do gabinete do ódio. Nós estamos falando de crime. Caluniar, difamar e injuriar são crimes previstos no Código Penal;, destacou.

Joice afirmou não saber quem financia tal cadeia de difamação, mas sugeriu à comissão que ;siga o rastro do dinheiro, porque estamos falando de milhões;. Apesar de não apontar eventuais financiadores do esquema, a deputada declarou que boa parte da fonte das notícias falsas e campanhas difamatórias têm origem em gabinetes de políticos aliados do governo.

Ao ser questionado pela imprensa sobre a atuação do gabinete do ódio, Bolsonaro afirmou, ontem: ;Inventaram o ;gabinete do ódio;, e alguns idiotas acreditaram. Outros idiotas vão até prestar depoimento, como tem um idiota prestando depoimento uma hora dessas lá;. (Com Agência Estado)

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