Três perguntas / Andrucha Waddington

Três perguntas / Andrucha Waddington

postado em 05/12/2019 00:00
 (foto: Dan Behr/Divulgação)
(foto: Dan Behr/Divulgação)
Herança macabra

Nos bastidores do set do longa O juízo (que estreia hoje), os encontros entre parentes foram múltiplos entre o diretor Andrucha Waddington e muitos de seus familiares: Fernanda Torres (assumiu o roteiro), Fernanda Montenegro fez participação especial, enquanto o filho dele, Joaquim Torres Waddington, foi dos protagonistas. ;Costumo brincar que nós somos uma família de circo. Como exercemos o mesmo ofício é natural que, às vezes, os caminhos se encontrem; no caso de O juízo foi um encontro bem feliz;, avalia. Laços de sangue e relações familiares ; com situações que se estendem a heranças indesejadas ; são alguns dos elementos do novo filme de Waddington. No elenco, o filme tem ainda Lima Duarte, Felipe Camargo e Criolo. (RD)


Seu filme pode ser visto como terror? Como tornou a trama verossímil?
O juízo é filme de suspense sobrenatural, que utiliza pouco recursos de sangue e susto, e utiliza mais os recursos do clima e do drama. O maior desafio na escolha desse viés de condução narrativo foi prender o espectador e trazer o medo de uma outra forma.


Como vê as estruturas do audiovisual hoje no país? Há esperança?
O audiovisual encontra-se hoje em uma fase de colheita de uma safra dos últimos dois anos de produção bem plural, mas com os mecanismos de incentivo à cultura de alguma maneira travados e incertos. Então é muito difícil saber como a gente vai seguir de agora em diante, mas o nosso ofício como produtores e realizadores é lutar para obter uma diversidade em nossa produção acima de tudo. Eu vejo também a entrada do streaming como produtor de conteúdo nacional como uma outra vertente que pode ajudar a equilibrar o mercado.


O filme remexe em estruturas do patriarcado, mas com protagonista frágil. Há contribuições para quebra de estigmas sociais? O que colheu da capacidade cênica do Criolo?
Quanto a estigmas sociais, O juízo aborda a questão da escravidão, algo absolutamente inadmissível. O personagem do Couraça, interpretado pelo Criolo, e sua filha, interpretada pela Kênia Bárbara, trazem à tela esse homem escravizado que está fugindo em busca de liberdade com sua filha, mas ele é assassinado e é parado no tempo. Ele vem cobrar uma dívida e uma reparação, mas é uma questão irreparável. Acho que a síntese de tudo é mostrar a busca dessa reparação que é irreparável. Quanto ao Criolo, é um ator espetacular, além de ser um intérprete, um cantor de magnitude gigante. Ele trouxe uma profundidade para o personagem do Couraça, camadas de delicadeza dentro de uma questão tão profunda. Eu só tenho a agradecer por esse parceiro e amigo que ganhei.


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