PSDB nega guinada à direita e mira 2022

PSDB nega guinada à direita e mira 2022

Partido traça estratégia para ser opção ao petismo e ao governo Bolsonaro. Documento aprovado em Congresso do partido prega reformas e privatizações, mas defende agenda social

» RENATO SOUZA
postado em 08/12/2019 00:00
 (foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 31/5/19)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 31/5/19)



Na tentativa de recuperar capital político, o PSDB lançou uma nova estratégia para conquistar eleitores que se distanciaram do PT e que reprovam o governo do presidente Jair Bolsonaro. Em congresso realizado ontem, o partido aprovou uma série de princípios para tentar se afastar de radicalismos pregados pelo atual governo, ao mesmo tempo em que decide apoiar reformas econômicas e políticas liberais. A sigla também demonstrou que se prepara para ter um candidato próprio nas eleições de 2022. O pleito municipal do ano que vem servirá como teste para o que está sendo chamado, pelos tucanos como o ;novo PSDB;.

As novas diretrizes, que não se distanciam muito de discursos anteriores, mas têm posicionamento mais forte em alguns temas, partiram de uma pesquisa feita pela internet com filiados e apoiadores da legenda. Em um documento apresentado no congresso, a direção do partido defende as pautas que devem nortear a legenda até 2022. Entre elas, estão as reformas econômicas, a geração de empregos, a responsabilização de menores de 16 anos que cometem crimes e uma agenda de privatizações. Por outro lado, o texto faz várias críticas ao atual governo, falando da necessidade de ampliar programas sociais, aprofundar a transferência de renda, aumentar o controle da posse e do porte de armas de fogo. E se posiciona contra qualquer interferência do Estado nos comportamentos individuais.

Um dos trechos do documento diz que o partido assume o ;compromisso com a recuperação do país;, para que o Brasil ;supere a herança ruinosa e o atoleiro de anos de estagnação deixados pelo petismo;.

Principal candidato à indicação do partido para a disputa presidencial em 2022, o governador de São Paulo, João Doria, defendeu posicionamentos mais fortes do PSDB em relação aos programas de governo e criticou o extremismo político. ;A época do muro acabou. Enquanto ele existiu, talvez tenha sido próprio e adequado. Hoje, o que os brasileiros esperam do novo PSDB é atitude, lado. O novo PSDB tem lado. Está ao lado do povo e não tem medo de fazer a defesa de programas e teses que representem o interesse do povo. Nada de ficar na dúvida, nada de ficar em cima do muro, nada de tentar agradar a todos e a não agradar a ninguém;, disse Doria.

O governador de São Paulo afirmou ainda que quem vencer deve governar o país sem acirrar a polaridade política. ;O ódio não constrói, o ódio destrói. Disputar uma eleição, interna ou externa, é parte do jogo. Mas sem ódio, sem destruir, sem agredir;, completou.

Princípios

Também visto como potencial candidato, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, defendeu o incentivo ao empreendedorismo e, ao mesmo tempo, o fortalecimento das políticas sociais. Em conversa com o Correio, ele negou que a sigla estea se aproximando da direita. ;É uma reafirmação de princípios, atualizados ao novo momento político. Sobre a reforma do Estado, defendemos parceria com a iniciativa privada, pois o Estado não precisa ser o executor direto de determinadas políticas públicas, privatizando, concedendo e regulando. Mas se reafirmaram alguns princípios importantes. O PSDB e a sua base entendem que é fundamental a participação do Estado na promoção social, na inclusão, em políticas públicas afirmativas e no respeito à diversidade. De maneira alguma é uma guinada à direita, como muitos estão dizendo;, disse.

O chefe e do Executivo gaúcho declarou apoio à proposta de uma renda mínima universal, ou seja, para todos os cidadãos. ;Um dos itens de discussão foi o combate à pobreza. Essa é uma pauta mundial. A mudança do perfil econômico que estamos vivendo faz com que boa parte da população fique marginalizada em função da extinção de empregos. As novas vagas que são criadas não absorvem a todos. É importante que o governo possa olhar para essas pessoas. Não podemos deixar essa parcela da população à margem. Temos que ter uma política de distribuição de renda, que devem ser acompanhadas de ocupação, tarefas;, ressaltou.

Eduardo Leite também criticou posições radicais na política, que cerceiam liberdades de minorias. ;Democracia não é a ditadura da maioria. É a oportunidade de a maioria escolher o caminho e as minorias terem a chance de contestação. Se suprimimos as liberdades das minorias, vamos jogá-las no radicalismo. Se elas não virem chances de suas teses vencerem, se rebelam contra o sistema;, completou.

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