Os suspeitos de sempre

Os suspeitos de sempre

Nome atrelado a sucessos como Star Wars %u2014 Os últimos Jedi, Rian Johnson crava um suspense cômico, aos moldes de Agatha Christie

Ricardo Daehn
postado em 13/12/2019 00:00
 (foto: Lionsgate/Divulgação)
(foto: Lionsgate/Divulgação)


Uma poça de sangue, um forte indicativo de suicídio, mas infinitas versões para a morte do magnata da escrita do terror: o patriarca Harlan Thrombey (interpretado pelo soberbo Christopher Plummer). No misto de comédia e suspense Entre facas e segredos, com roteiro e direção de Rian Johnson, muitos são os suspeitos. Um objeto de estimação de Harlan entrega sua imponência, ao vermos ele empunhar a xícara com os dizeres ;minha casa, minhas regras, meu café;. Prestes a celebrar o aniversário de 85 anos, muito da afeição dele é depositada na enfermeira Marta (Ana de Armas, indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz).

Figura expressiva na solução de toda a conjuntura criminal que cerca a mansão de Harlan (comparada a um tabuleiro de Detetive, na visão de um dos personagens), o detetive particular Benoit Blanc serve como espécie de consultor ; ou, como prefere, de ;observador passivo; ; da cruel realidade com pistas falsas plantadas por ;abutres; que aguardam a leitura do testamento do milionário. Na vida do homem que rendeu a venda de 80 milhões de exemplares de livros traduzidos em 30 línguas, coube a convivência com fauna estranhíssima.

Na filha Linda (Jamie Lee Curtis), Harlan se viu renascer, dada a garra dela, que espelha suas qualidades. Entretanto, Linda se casou com Richard (Don Johnson), um bom vivant com que teve o filho Ransom (Chris Evans, o Capitão América do cinema), ambos figuras de pouca confiança. Ainda no ciclo familiar da produção que tem ares do drama Álbum de família se destacam o filho Walt (Michael Shannon), que administra a editora e um enxerto na família chamado Joni (Toni Collette, de O sexto sentido). Joni, por sinal, responde por bons momentos de risadas no filme.

Numa participação pouco convincente (com sotaque sem sentido e nada engraçado), o James Bond da telona Daniel Craig dá vida ao onisciente personagem Benoit Blanc, que se assume bisbilhoteiro e bastante invasor na antiga propriedade de Harlan Thrombey transformada num verdadeiro palco de guerra em família.

Explorando um roteiro interessante ; que discute até mesmo o lado imprescindível dos imigrantes, numa sociedade em ;que fizeram o trabalho (pesado); ;, o mesmo diretor de Looper (2012) e do mais recente exemplar de Star Wars, Os últimos Jedi (2017), Rian Johnson (também roteirista) perde o fio da meada ao apostar em pequena insensatez em parte da trama. O lado menos engraçado recai sobre a personagem de Ana de Armas ; com sessões de vômito incontido, quando escuta mentiras ou argumentos inconsistentes sobre o crime que presenciou.

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