Uma abelha verde e rosa

Uma abelha verde e rosa

Maria Bethânia lança disco e estreia show nos quais celebra a Estação Primeira de Mangueira

» Irlam Rocha Lima
postado em 22/12/2019 00:00
 (foto: Jorge Bispo/Divulgação)
(foto: Jorge Bispo/Divulgação)


A relação de Maria Bethânia com a Mangueira é antiga. Ela já vestia as cores da Estação Primeira quando, em 1994, desfilou pela Marquês de Sapucaí com Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa, embalada pelo enredo Atrás da Verde e Rosa só não vai quem já morreu, que levou a escola a conquistar o título de campeã.

Vinte e cinco anos depois, a Mangueira fez mais pela Abelha Rainha, ao reverenciá-la com o samba-enredo Maria Bethânia, A Menina dos Olhos de Oyá, composto por Alemão do Cavaco, Almyr, Cadu, Lacyr D;Mangueira, Paulinho Bandolim e Renan Brandão. Outra vez, a sintonia entre a cantora e a escola foi total e determinante para a obtenção de mais um campeonato.

Há algum tempo, antes do carnaval, a Mangueira promove um show para arrecadar recursos destinados ao desfile e, desde sempre, Bethânia é uma das atrações, dividindo o palco do Vivo Rio ; casa de espetáculos ao lado do Museu de Arte Moderna, no Aterro do Flamengo ; , com Chico Buarque, Alcione e outros destacados mangueirenses.

Bem, agora chegou a vez de a cantora retribuir, numa escala maior, todo o carinho que a escola lhe tem dispensado, ao lançar pelo selo Quitanda, que mantém dentro da gravadora Biscoito Fino, o álbum A Menina dos Meus Olhos. As gravações foram em Salvador e no Rio de Janeiro, com direção musical do maestro Letieres Leite, criador da Orkestra Rumpilezz. Ele também exerce essa função no show Claros breus com o qual a estrela está em turnê pelo país.

Santo Amaro

;Quando fiz o disco, para agradecer à Mangueira, a homenagem que me prestou e à vitória que conquistamos juntos, pensei em trazer aquele som de Santo Amaro. Queria fazer uma coisa que fosse samba do Rio de Janeiro, o samba da Mangueira, com seu estilo, sua sofisticação, mas que trouxesse toda a memória musical de Santo Amaro, infantil, comovida da minha infância;, explica Bethânia. ;Então, convidei o Letieres Leite, que é baiano, mas que é um músico do mundo;, acrescenta.

Ao reverenciar sua escola e trazer para o disco a sonoridade do ritmo característica de Santo Amaro da Purificação ; o samba de roda ; para esse disco, Bethânia corrobora com o irmão Caetano Veloso que no show e no álbum Prenda Minha, de 1997, cantou ;Mangueira é onde o Rio é mais baiano;. Tudo a ver.

Não por acaso, Caetano, também um mangueirense apaixonado, interpreta (com o filho Moreno) uma das faixas do CD, Maria Bethânia, A Menina dos olhos de Oyá (Nelson Sargento, Gustavo Lousada, Agenor de Oliveira e André Karta Marcada), um dos concorrentes no concurso de samba-enredo da escola. Outro que também participou da disputa é cantado por Tantinho ; um dos autores.

Sabe-se que é regra no âmbito das escolas de samba esquecer, deixar de lado os sambas-enredo que perdem a disputa interna. No caso da escolha desses para o repertório de A Menina dos Meus Olhos, a cantora justifica. ;Trinta e sete sambas concorreram em 2016, algo que não acontecia havia muito tempo na Mangueira. Queria que pelo menos dois que não se classificaram no disco.;

Nessa ode à Verde Rosa, Bethânia solta a voz ; e que voz! ; em Mangueira, do santo-amarense Assis Valente e Zequinha Reis e Mangueira é lá no céu (Maurício Tapajós e Hermínio Bello de Carvalho). O samba que deu o título à escola, transformou-se numa vinheta na última faixa, pois certamente com pejo, fugiu da autoexaltação.

Em compensação, a intérprete se coloca por inteiro ao recriar magistralmente os clássicos sambas-canção A Flor e o espinho e Luz negra, do mangueirense Nelson Sargento. Já Sei lá Mangueira (Paulinho da Vila e Hermínio Belo de Carvalho), assim como trecho do aclamado Histórias pra ninar gente grande, que levou a escola ao título neste ano.

Diretor de Fevereiros, documentário que mostra a construção do carnaval da Mangueira em homenagem a Maria Bethânia e também o ambiente familiar e religioso da cantora em Santo Amaro ; fonte de inspiração do enredo ; o cineasta Márcio Debellian define: ;A Menina dos meus olhos é a continuação desta história, amor retribuído. A Bahia e o Rio entrelaçados na voz de Bethânia e nos arranjos primorosos de Letieres Leite;.



A Menina dos meus olhos
CD de Maria Bethânia, com 9 faixas. Lançamento do selo Quitanda,
da gravadora Biscoito Fino. reço sugerido: R$ 38. Já disponível nas plataformas digitais.

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