Entrevista / Pedro Guimarães

Entrevista / Pedro Guimarães

postado em 24/12/2019 00:00
 (foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)


Qual o balançoque o senhor faz do ano que está terminando? E para o ano que vem, o que a população pode esperar da Caixa?
Quando assumimos, o primeiro ponto era entender o funcionamento da Caixa, banco que é muito diferente, porque tem um forte componente social. O que a gente fez, os primeiros movimentos? Primeiro, realizamos uma troca gerencial, tendo como foco a meritocracia. Essa troca foi muito rápida. E quisemos ter um conhecimento do Brasil como um todo, porque a Caixa é o banco de todos os brasileiros e das políticas sociais. Fizemos um movimento de viajar pelo Brasil inteiro, realizando as viagens por 41 fins de semana. Fomos a todos os estados, em alguns deles, até três vezes. Visitamos 15 mil funcionários, mais de 300 agências, 55 projetos do Minha Casa Minha Vida, tendo inaugurado seis. Isso foi muito importante, porque ficou claríssimo que a Caixa tem papel diferenciado no Brasil, em especial, nas regiões mais carentes e no interior do país.

O ministro Paulo Guedes chegou a falar em privatização da Caixa. Ela está fora disso?
Está, é uma determinação do presidente Jair Bolsonaro. Ainda no governo de transição, quando começamos essa discussão, eram três pessoas da equipe do ministro: eu, Roberto Castello Branco (presidente da Petrobras) e Rubem Novaes (presidente do Banco do Brasil). Para cada um deles, o ministro Paulo Guedes acabou destinando a liderança de uma das três grandes estatais e há uma determinação de não discutir privatização. Por outro lado, há uma discussão de abertura de capital das subsidiárias, como as de seguridade, de cartões, que são muito importantes, mas não estão no core business, ou seja, no coração das atividades da Caixa, que é muito ligada à parte imobiliária e de políticas sociais.

Duas das preocupações do brasileiro, hoje, são o cartão de crédito e o cheque especial. A Caixa baixou os juros? É possível reduzir mais?
São duas reduções que nós fizemos. A taxa do cheque especial, que chegou a estar em 14% ao mês, quando assumimos, baixamos para 4,95% em cortes sucessivos, acompanhando as reduções da Selic pelo Copom, ou seja, o Banco Central. Primeiro ponto: cheque especial. Se o Banco Central reduzir de novo, nós diminuímos os juros do cheque especial. Por quê? Porque o custo de funding, financiamento de um banco, está ligado à taxa básica de juros, a Selic. Logo, em reduzindo nosso custo de funding, nós repassaremos para a sociedade. Quem mais utiliza o cheque especial são as pessoas mais carentes. Em relação ao rotativo do cartão, também reduzimos os juros de 12% ao mês, do começo do ano, para 9% ao mês. Os dois ; cheque e cartão ; têm juros muito altos e, nos dois casos, é matematicamente difícil defender quando a inflação está ao redor de 3% ao ano e os juros básicos são de 4,5% ao ano. Então, defender taxas acima de 10% ao mês é muito difícil. No caso da Caixa, reduzimos cheque especial, rotativo do cartão de crédito e CDC (crédito direto ao consumidor), que é a linha mais barata, que chega a 2,25% ao mês quando a pessoa tem a conta-salário na Caixa. Tem uma quarta linha, também muito comum, o crédito consignado, que possui uma garantia maior, ou seja, o risco de não pagamento ao banco é muito menor, e aí tem juros de até 1% ao mês.

As pessoas não entendem por que são anunciadas reduções dos juros, mas, para ela, as taxas continuam elevadas. Por que é tão difícil reduzir os juros do cheque especial e do cartão de crédito?
Existe uma taxa de inadimplência muito elevada. Por exemplo, como você calcula o resultado para o banco do cheque especial? São três variáveis: quanto você cobra, a inadimplência e o tamanho da sua carteira. Qual é a aposta matemática da Caixa quando reduzimos de 13 para 4,95% ao mês? A nossa aposta é de que a taxa de inadimplência, ou seja, o número de pessoas que acabam não pagando de volta esse empréstimo, vai cair muito. É uma aposta natural, matemática, e que já tem dado resultado. Um segundo ponto é que vamos atrair novos clientes, o que também já está acontecendo. Então, com novos clientes e com uma inadimplência menor, essa redução acaba tendo nos próximos anos um resultado ainda maior. E qual é, de novo, o nosso foco? Cobrar menos, em especial de quem não consegue pagar, para ter uma inadimplência menor e uma carteira maior.

A economia começou a se aquecer e, com ela, o mercado imobiliário. Como a Caixa pretende atuar no financiamento da casa própria?

O crédito imobiliário é o coração da Caixa. Nós temos uma carteira superior a R$ 450 bilhões. Ela é muito maior do que a de todos os outros bancos juntos. Então, a Caixa tem o DNA dessa questão do crédito imobiliário. Nós, neste ano, criamos uma segunda linha de crédito imobiliário, corrigida pela inflação, pelo IPCA. Hoje, segundo dados do Banco Central, 16 bancos passaram a ofertar também esta linha. É uma demonstração de que a Caixa se antecipa ao mercado.

E qual a diferença de um financiamento para o outro?
A TR, Taxa Referencial de Juros, está em 0% há dois anos. E por que ela está em 0%? É um cálculo definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), formado pelo ministro Paulo Guedes, pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos, e pelo secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues. Eles se reúnem e definem a TR, que tem uma correlação com a Selic. Como a Selic está baixa, a TR está zero, mas ela não é zero. Essa primeira linha cobra TR mais um valor fixo. Aqui, a Caixa também reduziu muito. Estava em 9% no começo do ano, caiu para 6,5% ao ano. É a menor taxa do mercado. Em relação à segunda linha de crédito, o IPCA, é o mesmo raciocínio. Ela tem o IPCA, índice de inflação mensal, mais uma taxa. Aqui, a diferença é o seguinte: o IPCA, a inflação, tem mais volatilidade, ou seja, é mais incerto. Qual é a contrapartida? A taxa fixa é menor. Nós começamos com 2,95% ao ano. A inflação está ao redor de 3% ao ano, então, é uma taxa menor do que a menor taxa por TR. Logo, enquanto a inflação estiver baixa...

Vale mais a pena esse financiamento
Sim, mas tem um risco maior.

Se a inflação volta, aí a pessoa vai pagar mais
Perfeito. Então, o cliente escolhe e, nos primeiros cinco anos, que é quando paga mais os juros, e aí tem tabela SAC ou Price mais detalhadas, sugiro que se converse nas agências. Mas o que acontece? Os primeiros cinco anos são os mais importantes. Se você tiver uma inflação maior daqui a 10 anos, como j

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