Técnico made in Venezuela

Técnico made in Venezuela

Sucesso nas divisões de base da Venezuela, altos e baixos na seleção principal e desgaste com cartolas. Jornalistas opinam sobre Rafael Dudamel, que será oficializado em janeiro treinador do Atlético-MG

Thiago Madureira
postado em 26/12/2019 00:00
 (foto: Raul Arboleda/AFP  -  16/6/19)
(foto: Raul Arboleda/AFP - 16/6/19)


Belo Horizonte ; Em uma passagem de meia década nas seleções de base e principal da Venezuela, Rafael Dudamel colheu resultados positivos ; principalmente nas categorias inferiores ;, mas se desgastou com dirigentes locais. O sonho do ex-goleiro de levar a ;Vinho Tinto; pela primeira vez para uma Copa do Mundo foi interrompido. A partir de 2020, Dudamel será técnico do Atlético Mineiro.

Dudamel começou a trajetória na Federação Venezuelana de Futebol (FVF) como treinador da equipe sub-17. De forma surpreendente, ele levou a equipe ao segundo lugar do Sul-Americano de 2013, perdendo o título para a Argentina no critério de desempate.

Em 2016, Dudamel assumiu a Seleção Venezuelana Sub-20 depois de uma passagem pelo Deportivo Lara. No Sul-Americano de 2017, ajudou os venezuelanos a ficarem na terceira posição. No Mundial da categoria, que ocorreu no mesmo ano, a ;Vinho Tinto; por pouco não conquistou o título, ficando na segunda posição. Na decisão, os venezuelanos perderam para a Inglaterra por 1 x 0.

O belo trabalho nas categorias de base abriu espaço para Dudamel assumir a equipe principal da Venezuela, substituindo Noel Sanvicente, em 2016. Dessa forma, ele acumulou a base e a equipe principal.

Dudamel dirigiu a Venezuela em duas Copas Américas. Na edição de 2016, nos Estados Unidos, a seleção caiu em grupo com México, Uruguai e Jamaica. Os venezuelanos ficaram em segundo na chave, com a mesma pontuação (7) do líder, o México. Nas quartas, a equipe de Dudamel foi goleada pela Argentina: 4 x 1.

Na Copa América do Brasil, neste ano, a Venezuela ficou em um grupo com os donos da casa, Peru e Bolívia. Mesmo atuando em território inimigo, a equipe de Dudamel arrancou empate com o Brasil (0 x 0), na Arena Fonte Nova. Os venezuelanos ficaram em segundo do grupo, com cinco pontos. Mais uma vez, a equipe de Dudamel foi eliminada nas quartas de final para a Argentina (2 x 0).

Nas eliminatórias para a Copa de 2018, Dudamel assumiu a Venezuela na sétima rodada. O objetivo de levar o país à primeira Copa não foi cumprido. A Venezuela ficou na última posição, com 12 pontos.

Evolução

Quem acompanhou o trabalho de Dudamel de perto reconhece seus méritos, mas entende que é necessário evoluir na profissão. ;Vejo como positiva a década de Dudamel, não são 10 anos, mas simbolicamente vemos assim. Só avanços: mundialista sub-17, mundialista sub-20, vice-campeão mundial sub-20, avançou nas duas Copa Américas (2016 e 2019), boa finalização das Eliminatórias da Rússia;, diz o jornalista Humberto Suárez.

O aproveitamento do sistema ofensivo é um questionamento. ;A dúvida que fica é o tema ofensivo. Poderia ser aproveitado melhor. Salomón (Rondón), Soteldo, Josef (Martínez), Machis, Murillo, Savarino, Añor, Otero... houve material e não se aproveitou 100%. É uma frustração;, acrescentou o repórter venezuelano.

Fora de campo, Dudamel se mostra um profissional exigente. ;Não há como negar os avanços dentro de campo e o esforço de manter a ordem fora dele;, frisou.

O futebol reativo em muitas ocasiões foi criticado. ;Em uma entrevista, ele disse que os jogadores venezuelanos não gostam de jogar com a bola nos pés. Que seria uma vocação atuar na defesa. Foi muito criticado por isso;, disse o jornalista Luis Ascanio. ;Ele chegou a ter apoio enorme dos venezuelanos. Depois, isso caiu. Há uma relação difícil com os dirigentes da FVF, muito pelo seu temperamento;, acrescentou Ascanio.

Quem é ele

Nome: Rafael Édgar Dudamel Ochoa
Nascimento: 7/1/1973
Local: San Felipe (Venezuela)
Carreira como treinador: Estudiantes de Mérida (2010-2011), Venezuela sub-17 (2012-2013), Deportivo Lara (2014-2016), Venezuela sub-20 (2015-2019), Venezuela (desde 2016)

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