Ibaneis aposta em obras para destravar economia

Ibaneis aposta em obras para destravar economia

Ibaneis acredita que terá condições de investir cerca de R$ 4 bilhões em 2020. São mais de 50 obras e projetos de PPPs. Há previsão de reajuste salarial, mas valerá a meritrocracia: servidores que trabalharem mais e melhor levarão um aumento maior

» ANA MARIA CAMPOS
postado em 26/12/2019 00:00
 (foto: Renato Alves/Agência Brasília)
(foto: Renato Alves/Agência Brasília)

Chegou ao fim aquele clima de paralisação de obras públicas e medo do setor produtivo de investir na cidade pelo risco de faltar dinheiro até para a folha de pagamentos. O governador Ibaneis Rocha (MDB) não esbanja, segura como pode os reajustes, mas promete um ano novo com investimentos na casa dos R$ 4 bilhões. Nunca se chegou a tanto.

Ibaneis promete mais de 50 obras importantes na cidade, entre as quais construção de viadutos, revitalização de pistas, construção do Museu da Bíblia, apesar das polêmicas, e lançamento de concurso para o projeto de um novo cartão-postal no Eixo Monumental: o Museu de Artes Sacras. Com tantos projetos, o governador já fala em reeleição. Ele afirma que um único mandato, de quatro anos, não é tempo suficiente para a retomada do desenvolvimento econômico da capital do país.

Para o governador, servidores devem ser avaliados e remunerados pela meritocracia, com reajustes diferenciados de acordo com a importância e qualidade do trabalho. Quanto ao aumento das forças de segurança, Ibaneis afirma que a negociação está avançada --- na tarde da véspera de Natal, o presidente Jair Bolsonaro assinou a Medida Provisória que reajuste salários da Polícia Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, além da que prestigia o GDF, repassando para cá a gestão do Fundo Constitucional do DF.

Ibaneis elogia Bolsonaro, diz que votou no presidente e não se arrepende. Mas faz críticas ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, com quem já teve algumas trombadas políticas.


Que balanço o senhor faz do primeiro ano de mandato?
Foi um ano positivo. As pessoas pensam nos seus problemas diários e esquecem a situação em que recebemos o governo. Em primeiro lugar, viemos de uma eleição que foi surpreendente. Fizemos um trabalho importante, mas ainda existia por parte da população uma dúvida sobre o que ia acontecer. Tínhamos que vencer a questão da credibilidade. Eu trabalhei muito durante a transição, não tive nenhum dia de folga. Aquele momento foi um dos mais importantes para que pudéssemos avançar em 2019. Porque fizemos uma montagem técnica do secretariado. O fato de termos saído fortalecidos das urnas, possibilitou que montássemos uma equipe muito técnica. Não tem aquele histórico loteamento como era feito no passado entre os políticos em que cada um era uma ilha.

Mas vieram vários do governo Temer;
O Temer também fez um governo muito técnico. Bolsonaro só está conseguindo avançar porque encontrou uma estrutura bem azeitada. Conseguimos montar uma equipe coesa e conseguimos enfrentar os problemas da cidade com força. Por exemplo, o viaduto de Taguatinga estava parado há não sei quanto tempo. Conseguimos destravar. O viaduto da Asa Sul, na Galeria dos Estados. A obra era para ser entregue num prazo bem alongado. Chamamos as empresas, aceleramos as obras e conseguimos entregar. O Trevo de Triagem Norte, não andava a obra. Agilizamos tudo. Fizemos o pagamento e a dificuldade e hoje os técnicos tanto do Tribunal de Contas, quanto de quem paga os recursos, não estão conseguindo acompanhar a velocidade da obra.

Por que essas obras nas tesourinhas justo agora?
Temos um estudo, feito em parceria com o CREA e as nossas secretarias apontando quais eram os maiores riscos. Então, não temos que esperar para começar a fazer.

Qual a expectativa de investimento em 2020?
A gente espera investir R$ 3 a R$ 4 bilhões. No início do ano, nós temos várias licitações para soltar. Estão todas prontas. Existem vários projetos que não existiam, nós fomos lá e mandamos fazer os projetos, muitos já concluíram e já foram feito os orçamentos. Tem recurso já separado no início do ano para fazer todas as licitações. Eu acho que nós vamos colocar pelo menos umas 50 obras importantes na cidade, como o viaduto do Paranoá e Itapoã, o viaduto do Recanto das Emas, o viaduto do Riacho Fundo, a entrada de Sobradinho, a duplicação da BR 020 entre Sobradinho e Planaltina, o viaduto da Epig, duplicação da DF 140, revitalização da DF001, Pistão Sul... Nós vamos fazer todo ele... a Hélio Prates, o túnel de Taguatinga, o hospital oncológico... Tudo isso nós conseguimos destravar esse ano. Várias escolas, 14 creches. São coisas que não estavam nem no papel ou estavam paradas havia muitos anos.

Esse dinheiro é todo do orçamento do DF?
O orçamento do DF é muito engessado. Os governos de esquerda que passaram por aqui pegaram o orçamento e colocaram tudo no serviço público. A capacidade nossa é de torno de 5%. Então, calculo que a gente consiga uns R$2 bi de orçamento próprio, uns R$ 500 milhões da Terracap, devo ter mais uns R$200 milhões do BRB, na Caesb tinha R$7 milhões da Caixa. Quando juntar tudo, mais o orçamento da União, mais as coisas que estamos destravando, acredito que deve atingir de R$3 a R$4 bilhões podendo até ser mais um pouco. Tem muita coisa que tava travada na União que nós estamos conseguindo destravar, como é o caso da expansão do metrô. Eu tenho um compromisso de liberar a expansão do metrô de Samambaia e Ceilândia. Se entrar realmente, a gente passa dos 4 bilhões.

E o Museu da Bíblia? Vai sair? Estão dizendo que esse projeto não é do Niemeyer;
Não tenho nenhum problema do projeto ser ou não ser do Niemeyer. Quem está tocando é o representante do escritório deles. Então, isso é uma discussão que está fora da minha esfera. No início, nem sabia da existência desse projeto. Cheguei ao ponto de dizer que eu ia doar o projeto. Eu ainda chamei a minha arquiteta e mandei ela fazer quando surgiu essa questão dos desenhos do Niemeyer que estariam catalogados, mas essa é uma discussão que eu acho que não interessa para a cidade. Ser do Niemeyer ou não tem uma importância grande para Brasília, é um significado muito grande, mas se eles entenderem que não é, vou tocar o projeto do mesmo jeito e arrumo outro arquiteto para assinar. Então, eu não tenho esse tipo de problema, mas eu vou fazer, sendo ou não do Niemeyer.

Achou bonito o desenho?
Achei um desenho interessante. Não sou muito de entrar nesses detalhes. Sou mais das obras funcionais, mas acho que o significado daquilo para a cidade, e a localização que nós escolhemos para colocar, que é ali na entrada da cauda do avião, é interessante. Ter um avião guiado por Deus pela bíblia tem um significado muito forte para Brasília. Estou pedindo p

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