Visto, lido e ouvido

Visto, lido e ouvido

Desde 1960

Circe Cunha (interina) / circecunha.df@dabr.com.br
postado em 26/12/2019 00:00
Uma imagem vale mais que mil palavras. Até na medicina

Por trás de tantos pedidos de exames, está o mercado da medicina, representado pelos laboratórios e pelas clínicas, pelos hospitais, pelos planos de saúde e por muitos médicos ligados a esses esquemas bilionários, que encontraram em nosso país um paraíso e uma mina de ouro para rotinas duvidosas.

Nos últimos anos, um fator muito específico, e de ordem estrutural, vem contribuindo não só para os números exagerados de exames que são solicitados aos pacientes, como para o aumento de casos de erros médicos. Trata-se, obviamente, da má-formação dos médicos, principalmente dos oriundos das inúmeras faculdades criadas em todo o país nos anos mais recentes.

Não é de hoje que médicos e especialistas em exames laboratoriais e de imagens alertam para os perigos causados aos próprios pacientes pelo excesso e banalização de procedimentos. Por falta de regulação mais precisa pelos órgãos de vigilância de saúde, o Brasil se tornou campeão mundial em exames de imagens e exames laboratoriais. Com isso, muitos pacientes são submetidos a uma bateria de procedimentos clínicos, muitos deles desnecessários e inócuos do ponto de vista do diagnóstico.

A mercantilização da medicina, representada pela ganância das clínicas de exames laboratoriais e de imagens, dos planos de saúde, dos hospitais particulares, aliadas à má-formação profissional de uma imensa geração de novos médicos, oriundos de escolas sem qualidade atestada, resultaram nesse descalabro que faz com que, no Brasil, o número de pedidos de exames médicos seja o triplo dos requeridos em países como França, Alemanha, Estados Unidos e Reino Unido.

Para se ter uma ideia, enquanto em países da Europa a média anual de exames como a ressonância magnética representava, em 2016, 52 pedidos para cada mil habitantes, aqui, o número chega a mais de 149 para cada grupo de mil brasileiros. De fato, muita gente já pode perceber, durante as curtíssimas consultas médicas que, cada vez mais, os profissionais, por insegurança e pela deficiência de formação, não conhecem os segredos e a importância da etiologia, ou seja, o estudo das causas e origem de uma doença.

Na raiz do problema, está o fato de que muitos médicos já não conversam com os pacientes. Há casos de profissionais que sequer olham nos olhos dos pacientes, permanecendo, durante toda a consulta, de cabeça baixa, fazendo anotações. Muitos apoiam o trabalho de diagnose exclusivamente nos resultados mostrados pela pilha de exames pedidos. A relação médico/paciente, fundamental para a boa prática da medicina, desaparece e passa a ser substituída pelo que dizem os números e as imagens.

A frase que foi pronunciada

;Se o vosso médico não aprova que façais coisas que vos são agradáveis, que bebais vinho ou que tomeis tal ou tal alimento, não vos dê isso nenhum cuidado: eu vos procurarei outro, que não será do mesmo parecer.;
Michel de Montaigne, filósofo, escritor e humanista francês

Energia
  • Véspera de Natal e a falta de luz permanece em algumas localidades de Brasília. Como o serviço é terceirizado, não há tanta esperança de solução. Sem geladeira e chuveiro funcionando, a CEB se fez presente de forma marcante nas festas natalinas. E a conta, ó!

Taguatinga
  • Mais reforço policial é necessário na Praça do Relógio. Quando os habitantes e trabalhadores do local se acostumam com os casos de furtos e vadiagem, é porque alguma coisa está errada. O local é de grande circulação e precisa de policiamento ostensivo.

Consumidor
  • É bom que se saiba que pessoas físicas podem fracionar embalagens de mercados que forçam a compra total do produto. Outro dia, em um grande supermercado, um cliente separou em duas cartelas os ovos que vinham em uma caixa e provou que era seu direito levar apenas uma bandeja.

Até hoje
  • Ainda em outubro deste ano, alunos lesados pelo Alub tinham que ser recebidos pelas escolas. Graças à Promotoria de Justiça de Defesa da Educação do Consumidor, a parte lesada pode ser acolhida. Já o Alub vem há anos lesando estudantes e até agora ninguém conseguiu impedir.

E nada
  • Incêndios na Amazônia já foram esclarecidos. Mas as praias brasileiras continuam agonizando sem que os culpados sejam punidos. Já acabaram com rios inteiros do Brasil, devastaram florestas, despejaram óleo pelo mar e a população geme enquanto a soberania nacional lamenta.

História de Brasília
Apenas dessa vez não disse que o Lago está inundando a W-3 e o Palácio do Planalto, como disse certa vez. (Publicado em 12/12/1961)

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