Prazer ao dirigir

Prazer ao dirigir

Experimentamos a versão de topo do Honda Civic 1.5 Touring, que ganhou reestilização leve e manteve o conjunto mecânico. Apesar do preço elevado, modelo oferece pouco em relação à concorrência

Pedro Cerqueira
postado em 26/12/2019 00:00
 (foto: Fotos: Honda/Divulgação
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(foto: Fotos: Honda/Divulgação )

O design da décima geração do Civic, lançado há três anos, é tão ;forte; que sua meia-vida foi marcada apenas por um ajuste de rota, como detalhes nos para-choques e novas rodas de 17 polegadas. No mais, é o mesmo sedã de visual bastante agressivo, e que faz muito sucesso com o público. Curiosamente, isso não levou o modelo à liderança do segmento, sendo que a cada Civic que a Honda vende, sua arquirrival Toyota vende dois Corollas. E a coisa pode ficar ainda pior, já que a nova geração do sedã da Toyota foi arrebatadora.

Em mais um ano com presença forte dos utilitários-esportivos, tendência que promete se manter ainda por alguns anos, voltar a dirigir um sedã médio foi uma experiência divertida. Características como posição elevada de dirigir e carroceria encorpada, comum aos SUVs, deram lugar a uma posição mais esportiva de direção, mais próxima ao chão, e linhas aerodinâmicas. O modelo testado não é raridade, um Honda Civic Touring 1.5, versão de topo do sedã que passou por uma reestilização discreta, mas foi um verdadeiro reencontro com o prazer ao dirigir.



Ao volante

O motor 1.5 turbo à gasolina está na medida para fornecer bom desempenho (longe de um esportivo) ; tanto na cidade, em baixas rotações, quanto em rodovias, com boas retomadas de velocidade ; e baixo consumo de combustível, sendo um exemplo bem-sucedido de downsize. O câmbio automático CVT tem sete marchas virtuais, com opção de trocas manuais por aletas, e trabalha em harmonia com o propulsor. A suspensão tem configuração multilink na traseira, proporcionando relativo conforto aos passageiros, mas o acerto é um pouco mais rígido, garantindo segurança nas curvas. Já a direção tem assistência elétrica com relação variável, firme em velocidade elevada e leve durante as manobras.

A bordo

No interior, a esportividade se traduz em quase todos os elementos em preto, como o forro do teto, o revestimento das colunas e até os para-sóis. Além dos bancos, há apliques em couro nas portas e no painel. Material emborrachado e tapetes acarpetados reforçam o bom acabamento do modelo. O banco traseiro leva com conforto apenas dois passageiros, mas oferece saídas exclusivas de ar-condicionado. O porta-malas tem bom espaço, abrigando também o estepe. Para levar objetos mais longos, é possível rebater de forma fracionada o encosto do banco traseiro.

Como os assentos são baixos, o acesso ao veículo é ruim, exigindo esforço dos ocupantes. Em compensação, a posição de pilotagem é um convite para acelerar, o que só melhora com as opções de regulagem do volante e do banco do motorista (elétricas), que inclui a lombar. Porém, motoristas muito altos podem esbarrar a cabeça no teto, que é um pouco rebaixado devido à presença do teto solar. Um equipamento muito útil que equipa o sedã é uma câmera localizada no retrovisor direito, acionada junto com a seta, que amplia a visibilidade e elimina o ponto cego.
Versões

Outros itens que se destacam na versão de topo do Civic são conjunto óptico de LED, ar-condicionado digital de dupla zona, chave presencial, partida remota do motor, assistentes de tração e estabilidade, além de airbags frontais, laterais e de cortina. Vendido por R$ 134.900, o Civic Touring é o sedã médio mais caro do segmento e o que oferece menos conteúdo.

Seu principal concorrente, o Toyota Corolla, não tem versão com motor turbo. O topo de linha do modelo é a híbrida Altis Hybrid Premium (R$ 130.990), mais barata que o Civic e com mais tecnologia embarcada em itens como controle de cruzeiro adaptativo e sistema de pré-colisão com frenagem automática. Se abrir mão do sistema híbrido, a versão Altis Premium, com motor 2.0 aspirado de 177cv, traz o mesmo pacote por R$ 124.990.

Entre os principais sedãs médios vendidos no Brasil, há dois modelos turbo que se encaixam como concorrentes do Civic. O Chevrolet Cruze Premier (R$ 122.890), com motor 1.4 turbo de 153cv, se destaca pelo pacote tecnológico, com chave presencial, detecção de pedestre, frenagem de emergência, estacionamento automático, alerta de ponto cego, alerta de colisão frontal, assistente de permanência em faixa e farol alto adaptativo. O Volkswagen Jetta R-Line (R$ 119.990) tem pacote semelhante ao do Civic, mas ganha controle de cruzeiro adaptativo.
Conectividade

O sistema multimídia do Honda Civic Touring traz tela tátil de sete polegadas, com direito a navegador por GPS. É possível acessar aplicativos e conteúdo do smartphone pelo Apple CarPlay e Android Auto. O console central traz um local para recarregar o telefone sem o uso de fio (por indução). As mídias disponíveis são rádio, USB, HDMI e Bluetooth. O sistema de áudio tem 10 alto-falantes e 452 watts de potência.


Ficha técnica

Motor
Dianteiro, transversal, turbo, quatro cilindros em linha, 1.498cm; de cilindrada, 16 válvulas, à gasolina, que desenvolve potência de 173cv a 5.500rpm e torques de 22,4kgfm na faixa entre 1.700rpm e 5.500rpm

Transmissão
Tração dianteira, com câmbio automático CVT, com sete velocidades pré-programadas

Suspensão/rodas/pneus
Dianteira, independente, do tipo McPherson, com buchas hidráulicas; e traseira independente, tipo multibraços, com buchas hidráulicas/de liga leve de 7x17 polegadas/215/50 R17

Direção
Do tipo pinhão e cremalheira, com assistência elétrica com relação variável

Freios
A discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira, com ABS e distribuição eletrônica de frenagem (EBD)

Capacidades
Em ordem de marcha, 1.329 quilos; do porta-malas, 517 litros; do tanque, 56 litros; e de carga útil (passageiros mais bagagem), 409 quilos

Dimensões (A x B x C x D) *
4,64m x 1,80m x
1,43m x 2,70m

* A: comprimento; B: largura; C: altura; D: entre-eixos

Consumo **
Cidade, 11,8km/l;
estrada, 14,4km/l

**Dados do Inmetro



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