>> entrevista Márcio Kogut e CEO do Mycon

>> entrevista Márcio Kogut e CEO do Mycon

No comando da nova empresa, o executivo vê futuro promissor, a despeito do juro básico baixo

Nelson Cilo
postado em 06/01/2020 00:00
 (foto: Mycon/Divulgação)
(foto: Mycon/Divulgação)
;Queremos ser um consórcio para os latinos;

São Paulo ; Depois de trabalhar por 20 anos como executivo do ramo de consórcios, Márcio Kogut quer agora reinventar o setor. Há dois meses, lançou a Mycon, operadora de consórcios digital. A expectativa dele é alcançar, nos próximos três anos, R$ 3 bilhões em créditos vendidos. Para isso, se prepara para investir R$ 15 milhões em mídia e marketing neste começo de ano. A empresa, que em pouco tempo contratou 100 pessoas e tem outras 50 vagas abertas na área de tecnologia, prevê triplicar esse número nos próximos meses. Nesta entrevista, Kogut fala sobre o desenvolvimento do setor no Brasil e os planos de sua empresa.

Depois de crescer 15% no primeiro semestre de 2019, o mercado de consórcios tende a esfriar com a redução da taxa Selic, que torna os financiamentos mais baratos. Qual será a saída para o setor?
Quando a Selic baixa, os juros ficam mais atrativos, mas você não tem a facilidade de acesso ao crédito dos bancos. Ao tentar financiar um imóvel junto a um grande branco, mesmo sendo correntista há muito tempo, a pessoa pode levar meses para conseguir. Quando os juros baixam, os bancos travam o crédito, porque o risco é maior. Mesmo com a Selic baixando, o custo efetivo total dos financiamentos é de 12% ao ano. Já numa administradora de consórcio como o Mycon, pagará 9,99% em 10 anos.

A concorrência no setor de consórcios aumentou? Isso pode comprometer a rentabilidade das empresas?
Atuo no segmento há quase 20 anos. As empresas são as mesmas, e os bancos começaram a operar um pouco depois. Não existe aumento de concorrência no setor, porque é um tipo de negócio não muito rentável. Para ter rentabilidade nesse segmento, é preciso um volume de vendas grande e uma eficiência de gestão muito boa. Para obter uma licença de administradora de consórcio, é tão difícil quanto ser licenciado para operar um banco. Ou seja, não existem novos entrantes, novos concorrentes.

Existem parcerias sendo negociadas entre o Mycon e grandes redes varejistas, que têm oferecido seus próprios serviços financeiros?
Para 2020, temos no nosso plano estratégico fechar parcerias com empresas de serviços digitais, como superaplicativos que oferecem vários serviços agregados. Nossa estratégia é ganhar mercado e fazer parceria com os maiores marketplaces de produtos digitais no Brasil. A partir do segundo semestre, vamos operar no Uruguai, na Colômbia e no Peru, países onde há dificuldade para tomar crédito. Também vamos tentar operar nos Estados Unidos. Estamos analisando a regulamentação do país, o modelo de negócio, porque atualmente não existe esse segmento por lá. O que a gente pretende implementar é o mercado para latinos e até mesmo oferecer serviços para americanos que têm dificuldade de acesso ao crédito.

Como está o desempenho do Mycon e quais são os locais de maior potencial de crescimento no mercado brasileiro?
É muito cedo para falar, porque nosso lançamento oficial ocorreu há cerca de dois meses, mas o projeto superou as expectativas. Vendemos 10 vezes o que tínhamos planejado. Estamos atuando em todo o Brasil. As primeiras vendas foram realizadas em Rondônia, Espírito Santo, Santa Catarina e Paraná.

Algumas empresas de consórcios faliram nos últimos anos, deixando consumidores no prejuízo e colocando em xeque a solidez do negócio. Como convencer o cliente de que o Mycon não corre esse risco?
As que faliram cometeram uma série de erros. O caso da Unilance e de outras administradoras é que elas deram pedaladas, porque não conseguiram ter receita e acabaram antecipando a taxa de administração para pagar os custos da operação. A partir do momento em que a despesa é maior do que o lucro, a empresa acaba não sendo eficiente e é interditada pelo Banco Central para proteger os clientes. Quando uma administradora acaba falindo, o BC leiloa os bens, pega o dinheiro e distribui novamente aos consorciados para eles não ficarem no prejuízo.

Qual será a fonte de capitalização do Mycon em 2020?
Como de outras administradoras de consórcio, é a taxa de administração. E tentamos ter a menor taxa do Brasil. Hoje, somos 50% mais baratos do que os outros consórcios e até 10 vezes mais baratos do que um financiamento. Como somos 100% digitais, com uma operação que usa inteligência artificial, conseguimos ser mais eficientes. E ainda vamos conseguir reverter parte dessa taxa para contemplar mais pessoas dentro dos nossos grupos, coisa que outras administradoras não fazem.

Em termos de número de clientes, segmentos e cifras de faturamento, qual é a ambição do Mycon para os próximos anos?
Depois do lançamento, vamos investir R$ 15 milhões em mídia e marketing em 2020. Estamos abrindo mais de 50 vagas na área de tecnologia e, nos próximos três anos, temos como meta ajudar 1 milhão de pessoas a comprarem um bem e atingirem R$ 3 bilhões em créditos vendidos. Queremos agilizar os processos. Nas outras administradoras ou bancos, quando o cliente compra uma cota de consórcio e é contemplado, pode levar até 90 dias para receber o crédito. Nossa proposta é entregar o crédito em até 48 horas.

;Vamos tentar operar nos Estados Unidos. A ideia é investir no mercado para latinos e até mesmo oferecer serviços para americanos que têm dificuldade de acesso ao crédito;

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