Simone Kafruni

Simone Kafruni

simonekafruni.df@dabr.com.br
postado em 06/01/2020 00:00
Ainda há tempo?

O planeta Terra agoniza sem que a população se dê conta do perigo que corre. Apesar de iniciativas ambientais existirem há décadas, nada de concreto foi feito para garantir a preservação daquela que é a casa de todos nós. No Brasil, o primeiro código florestal é de 1934, e determinava aos donos de terras manterem 25% da área com a cobertura de mata original, embora sem orientar qual parte, como as margens dos rios, deveria ser preservada.

Em 1968, a Conferência da Biosfera de Paris foi o primeiro evento mundial a tratar da questão ambiental. Em 1972, na Conferência sobre Meio Ambiente de Estocolmo, a Organização das Nações Unidas (ONU) entrou na briga. O Brasil se destacou no debate sobre o impacto do desenvolvimento no meio ambiente, com a Eco-92, realizada no Rio de Janeiro. Talvez lá, naquela longínqua década de 1990, o Planeta Terra ainda tivesse tempo, se as medidas propostas tivessem sido, de fato, tomadas.

Mas, e agora? Pode ser tarde demais. No país, o que vemos é só retrocesso. O ano de 2019 foi marcado por desastres. Além do aumento do desmatamento da Amazônia e das queimadas, tanto na maior floresta tropical do mundo quanto no cerrado e no Pantanal, Minas Gerais sucumbiu à lama, mais uma vez. O rompimento de outra barragem da Vale, em Brumadinho, provocou 270 mortes e ainda há desaparecidos. Além da tragédia humana, milhões de rejeitos vazaram e mataram o Rio Paraopeba.

O ano passado também teve recorde de concentração de gases do efeito estufa, segundo a Organização Mundial Meteorológica (OMM), acelerando as mudanças climáticas, cujas consequências são escassez hídrica e aumento do nível do mar. Como se não bastasse, centenas de praias do litoral do Nordeste brasileiro foram atingidas por um derramamento de óleo, que afetou a biodiversidade marinha, o turismo, a economia local, a saúde e o bem-estar da população.

Para completar, tivemos uma frustrante COP 25. A conferência do clima da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em Madri, terminou com os quase 200 países participantes concordando em apresentar ;compromissos mais ambiciosos; para reduzir as emissões de gases poluentes. No entanto, os detalhes sobre como isso será feito serão acertados somente na próxima cúpula, a ser realizada em Glasgow, na Escócia, em novembro de 2020. Passou da hora de acelerar as medidas de preservação. Não sabemos quanto tempo mais o planeta vai aguentar.

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