Weintraub: "limpada boa" nos didáticos

Weintraub: "limpada boa" nos didáticos

postado em 08/01/2020 00:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/DA.Press - 2/5/19)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/DA.Press - 2/5/19)


O ministro da Educação, Abraham Weintraub, confirmou que o governo vai mudar os livros didáticos a partir de 2021, como antecipou Jair Bolsonaro, na última sexta-feira. Em live para anunciar as ações da pasta em 2019, no Palácio do Planalto, ao lado do presidente, disse que o governo deu ;uma limpada boa; e que ;saiu muita porcaria;. Mas, segundo ele, outros livros de que ;a gente não gosta; perderão os contratos.

Semana passada, Bolsonaro criticou os livros didáticos atuais, classificados por ele como ;lixo;. Também anunciou que o governo deve, a partir de 2021, ;suavizar; a linguagem das obras por considerar que os livros têm ;muita coisa escrita;. Weintraub admitiu que isso ocorrerá, mas sem dar prazo, respeitando os contratos.

;O que existe, ainda, são alguns livros, daqueles que a gente manda, são contratos. (Os críticos) começaram falando que (o governo) não vai respeitar as leis, cumprir a Constituição. Justamente o oposto. Vamos respeitar as leis, os contratos foram assinados. A gente já deu uma limpada, uma boa limpada, já saiu muita porcaria, mas ainda vai (sic) alguns que a gente não gosta;, afirmou.

As mudanças dos livros didáticos, além de outras ações, visam tirar a educação brasileira do ;fundo do poço;, no ranking do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). ;O fundo do poço ficou em 2018. O senhor vai marcar já a reversão disso. Não dá para colocar em primeiro lugar a América do Sul ainda, porque estamos em último, mas vamos sair do fundo do poço;, disse o ministro.

O objetivo do governo é produzir livros supostamente sem ideologia. Na sexta, Bolsonaro disse que o governo deve buscar fazer com que a ;garotada; tenha um ensino que possa ser útil, sem ;ficar nessa história de ideologia;. E, ontem, o presidente reforçou a ideia.

;Ideologia de gênero não é para ser discutido lá (nas escolas). O pai quer que o filho seja homem, e a filha seja mulher;, sustentou. Weintraub endossou. ;Quem educa é família, escola ensina. A gente espera que a família eduque as crianças;.

O ministro da Educação disse, neste governo, ;sai o kit gay e entra a leitura em família;, ao fazer referência ao ;Cantinho Conta pra Mim; ; programa com orçamento de R$ 45 milhões, em 2020, para a criação de cinco mil espaços em creches, pré-escolas, museus e bibliotecas para receber as crianças, e ensinar os pais a praticar as técnicas de literacia em casa.

;Um dos símbolos maiores é a família e temos nossa mascote. Sou fã do Tito, que busca valorizar o papel da família com as crianças pequenas nesses primeiros momentos. Sai o kit gay e entra a leitura em família;.

Paulo Freire

Bolsonaro, por sua vez, voltou a fazer críticas ao educador Paulo Freire, patrono da educação brasileira. ;Qual o resultado da educação direcionada pelo (ex-presidente) Lula? O Brasil é o último lugar (do Pisa) na América do Sul. E quem é o patrono? Paulo Freire. Não deu certo. temos que reconhecer que não deu certo;.

Weintraub acrescentou que o modelo de Paulo Freire não propôs aos alunos um sistema pautado nas experiências, diferentemente do que a atual gestão propõe. ;Prova científica é evidência empírica. O que vimos depois de 20 anos? O Brasil é o último no Pisa. Todos que usam métodos não científicos estão ruins no Pisa;.

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