Irã ataca duas bases dos EUA no Iraque

Irã ataca duas bases dos EUA no Iraque

Guarda Revolucionária reivindica lançamento de %u201Cdezenas de mísseis terra-terra%u201D contra instalações de Ain Al Asad e em Erbil, no Curdistão, em resposta ao assassinato do general Qasem Soleimani. Trump promete fazer declaração na manhã de hoje

Rodrigo Craveiro
postado em 08/01/2020 00:00
 (foto: Alex Wroblewski/Getty Images/AFP
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(foto: Alex Wroblewski/Getty Images/AFP )



A retaliação do Irã ao assassinato do general Qasem Soleimani, comandante da Força Quds da Guarda Revolucionária, veio à 1h30 de hoje (19h30 de ontem em Brasília). A televisão estatal iraniana anunciou que ;dezenas de mísseis terra-terra; foram disparados contra a base aérea de Ain Al-Asad e contra outra base em Erbil, no Curdistão iraquiano. Em nota, a Guarda Revolucionária acenou com ;respostas mais devastadoras;, em caso de contra-ofensiva e ameaçou golpear ;dentro da América;. Até o fechamento desta edição, não havia informação sobre vítimas nos ataques às duas instalações. Segundo a rede de TV CNN, os mísseis atingiram Ain Al-Sad em uma área não habitada por americanos.

;A feroz vingança da Guarda Revolucionária começou. Nós estamos alertando a todos os aliados dos EUA, que deram as bases ao Exército terrorista: qualquer território que for ponto de partida para atos agressivos contra o Irã será alvejado;, avisou a unidade especial das Forças Armadas do Irã. O chanceler iraniano, Mohammad Javad Zarif, reiterou que seu país tomou ;medidas proporcionais de autodefesa; e garantiu não buscar a guerra.

Os ataques de Teerã, realizados em duas ondas, foram batizados de ;Operação Soleimani;. Os lançamentos de mísseis marcam o mais significativo ato de agressão iraniana aos Estados Unidos durante a atual crise. A Guarda Revolucionária exigiu a retirada das tropas americanas do Oriente Médio e ameaçou atacar Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e Haifa, em Israel.

A porta-voz da Casa Branca, Stephanie Grisham, declarou que ;o presidente tem sido informado e está monitorando a situação de perto, em consulta com sua equipe de segurança nacional;. A residência oficial da Presidência dos Estados Unidos teve a segurança reforçada. Oficiais armados com fuzis de assalto podiam ser vistos em postos de controle nas imediações. Trump se reuniu com os secretários Mark Esper (Defesa) e Mike Pompeo (Estado).

Por volta das 23h50 de ontem (hora de Brasília), o presidente rompeu o silêncio. ;Tudo está bem! Mísseis lançados pelo Irã em duas bases militares situadas no Iraque. Avaliação das vítimas e danos ocorridos até agora. Por enquanto, tudo bem! Temos, de longe, as forças armadas mais poderosas e bem equipadas do mundo! Farei uma declaração amanhã de manhã;, escreveu no Twitter.

O Pentágono confirmou que o Irã disparou ;mais de uma dúzia de mísseis balísticos; contra duas bases. ;Estamos trabalhando na avaliação inicial dos danos. Tomaremos todas as medidas para proteger e defender os funcionários dos EUA, os parceiros e os aliados na região. ;Está claro que estes mísseis foram lançados do Irã e visavam duas bases militares iraquianas que abrigam pessoal militar americano e da coalizão, em Ain Al-Asad e Erbil;, afirmou o assistente de Defesa para Assuntos Públicos do Departamento da Defesa, Jonathan Hoffman.

Voos

A base de Ain Al-Asad abriga 1,5 mil soldados americanos e foi estratégica para a queda do ditador Saddam Hussein, em 2003. A Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) proibiu as companhias aéreas registradas no país de sobrevoarem o Irã, o Iraque e o Golfo Pérsico.

;Orem;, reagiu Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes, ao ser informada sobre o bombardeio durante reunião na qual debatia a crise com o Irã. A democrata espera votar, na próxima semana, a resolução que limita a resposta militar de Trump contra o regime teocrático islâmico. ;Devemos garantir a segurança de nossos militares, inclusive encerrando provocações desnecessárias. (...) Os EUA e o mundo não podem se dar ao luxo de uma guerra;, disse Pelosi.

Professor de relações internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Robert Uebel explicou ao Correio que os ataques iranianos de ontem são ;o máximo de retaliação capaz de ser lançada pelo Irã;. ;Vejo uma conjunção entre os governos do Irã e do Iraque, que ordenou a expulsão das tropas americanas de seu território. É o máximo de resposta bélica a ser apresentada por Teerã. Não descarto um hipotético ataque contra Israel, em um segundo momento;, comentou. De acordo com ele, a resposta iraniana deve tensionar mais o Oriente Médio. ;Israel, Turquia e Arábia Saudita devem se mostrar preocupados em relação ao posicionamento de Teerã, mas, sobretudo, de Washington. Por ora, descarto ação militar direta dos EUA no Irã.;

Mais cedo, ao ser questionado pela reportagem sobre retaliações do Irã, Mohammed Mohey, porta-voz das Kata;ib Hezbollah (;Brigadas Hezbollah;), respondeu: ;Todas as opções estão sobre a mesa;. Ante a insistência da reportagem em interrogá-lo sobre que ações Teerã lançaria mão para vingar Soleimani, ele foi enigmático. ;Esperem e vocês verão;, disse o integrante da milícia pró-Irã cujo vice-líder, Abu Mehdi Al Muhandis, também morreu no ataque que custou a vida de Soleimani (leia o Três perguntas para).

Para Maristela Basso, professora de direito internacional e comparado da Universidade de São Paulo (USP), os ataques iranianos foram ;apenas um aperitivo;. ;A intenção foi manter os EUA ocupados, enquanto o Irã idealiza e executa resposta mais contundente, provavelmente tecnológica, não militar. Teerã não poderá dar nenhuma resposta eficiente e inteligente aos americanos de um dia para o outro;, disse à reportagem. ;Os ataques distrairão o público, mas o gran finale está sendo planejado com muito cuidado. Quanto mais tempo o Irã tiver, melhor será a resposta.;




Três perguntas para

Mohammed Mohey, porta-voz das Kata;ib Hezbollah (;Brigadas Hezbollah;), milícia iraquiana pró-Irã atacada pelos Estados Unidos na ação que matou Soleimani e o vice do grupo, Abu Mehdi Al Muhandis

Como as Brigadas Hezbollah pretendem responder ao ataque dos Estados Unidos?
O crime cometido pelos EUA é muito perigoso e cruzou todas as linhas vermelhas das relações internacionais. Trata-se de terrorismo de Estado e violação da soberania do Iraque, além de ataque a um convidado que entrou oficialmente no país por meio do Aeroporto Internacional de Bagdá. Um crime tolo e estúpido, que trará graves repercussões ao Iraque, ao Oriente Médio e ao mundo.

Que tipo de reação os EUA podem esperar por parte do Irã?
A resposta do Irã será contundente e cruel, pois a escala do crime foi ampla, e o alvo, uma pers

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