Viagem solidária

Viagem solidária

Sair da zona de conforto e abdicar do lazer geram muitas recompensas, como a sensação de dever cumprido e de coração aquecido por ajudar o próximo. Não por acaso, cresce o número de turistas que buscam o voluntariado

» Erika Manhatys*
postado em 08/01/2020 00:00
 (foto: U.S. Air Force/Reprodução - 21/8/05)
(foto: U.S. Air Force/Reprodução - 21/8/05)


Há quem diga que a fé move montanhas, usemos ;fé; em um sentido amplo e não religioso, mas fé na humanidade e em um mundo melhor. Aqui, as montanhas podem continuar estáticas, basta que nós nos movamos. Esste mundo melhor está a nosso alcance se dermos as mãos e olharmos uns para os outros, todos na mesma direção.

Afortunadamente, muita gente pensa desta forma e age em prol de quem precisa, não como obrigação. Turistas ao redor de todo o mundo dedicam seu tempo de descanso à troca de experiências que façam a diferença em suas vidas e na de pessoas que estão em situação de vulnerabilidade. O mesmo vale para áreas cujas fauna e flora estejam ameaçadas.

Apesar da prática existir há cerca de 50 anos, o termo volunturismo ainda segue pouco conhecido. Entre os tipos mais comuns estão as viagens mediadas por organizações não governamentais (ONGs), que levam turistas a países pobres, com altas taxas de órfãos abrigados em instituições comunitárias. Também fazem sucesso as saídas a nações pobres para a construção de casas, escolas e poços para pessoas desabrigadas.


Na prática

Nas grandes cidades, o volunturista, normalmente, dedica metade do seu dia a atividades benevolentes e passa o restante do tempo explorando o local a lazer. Em locais mais isolados, cujo acesso é mais difícil, como em áreas naturais de preservação, o trabalho voluntário dura o dia inteiro e o viajante tem reservado alguns dias livres da viagem para as atividades turísticas.

O tempo utilizado efetivamente no trabalho voluntário depende de sua natureza, podendo levar de quatro a oito horas. Os pacotes sempre incluem acomodação, que pode ser dos mais variados gêneros: alojamentos compartilhados e preparados exclusivamente para o grupo de volunturistas; casas de famílias locais; repúblicas estudantis ou hostels.

A alimentação geralmente está incluída no programa, sendo possível que os próprios viajantes sejam responsáveis por cozinhar. Por outro lado, as passagens aéreas não fazem parte do pacote, devendo ser adquiridas a parte pelo interessado. Os passeios e excursões no tempo livre são opcionais nos serviços oferecidos, o viajante tem liberdade de fazer essas contratações isoladamente.

Para embarcar neste tipo de aventura, existem regras. O interessado deve ser maior de 18 anos e apresentar à agência de intercâmbio sua ficha de antecedentes criminais, além de uma apólice de seguro para a viagem. A depender do destino, o viajante também deverá ter o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia, emitido pela Anvisa, isso para garantir proteção contra o vírus da febre amarela, muito comum em zonas tropicais.

A proficiência intermediária em inglês também é uma exigência em grande parte dos programas. Em alguns casos, o idioma pode ser substituído pelo espanhol básico.


Latinos solidários

Segundo uma pesquisa da Booking.com, quatro em 10 brasileiros declararam estar dispostos a utilizar até 50% de tempo de férias em função de atividades voluntárias. As razões para a escolha são diversas: 67% afirmam fazê-lo por satisfação pessoal; 64% pela possibilidade de conhecer profundamente o destino visitado e 57% disseram que escolheriam investir o tempo no volunturismo pelo fato de gostar de ajudar.

Para os brasileiros, outro ponto também se mostra bastante importante: o peso que o volunturismo pode ter no currículo profissional. Pelo levantamento, 30% afirmaram que valorizam esste aspecto. O número é mais alto quando comparado com colombianos (21%), mexicanos (17%) e argentinos (12%), para quem o enriquecimento profissional não é tão marcante.

* Estagiária sob supervisão de Taís Braga



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