É preciso cuidado na profissionalização

É preciso cuidado na profissionalização

postado em 12/01/2020 00:00
Nem todos os professores e especialistas concordam com o foco do ensino voltado para o mercado de trabalho. A coordenadora da Comitê Distrito Federal da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Catarina de Almeida Santos, professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília e doutora na área de política educacional, diz que o espaço escolar não deveria trazer a profissionalização dos alunos.

;Qual é o estudante que vai ser profissionalizado na educação básica? Provavelmente, o de baixa renda. Porque, se acontece na idade adequada, ou seja, até os 17 anos, não é época de imaginar que os jovens busquem o mercado de trabalho;, opina a professora. ;Nessa idade, as pessoas têm que estar estudando;, frisa.

Catarina alerta que, em um país no qual há tantos desempregados, não se deve imaginar que quem está estudando tenha que pensar em trabalhar. ;Isso, claro, dentro de um mundo que respeitasse os direitos. Quando a sociedade defende o vínculo com o mercado de trabalho, que sequer existe, está defendendo a profissionalização precoce das pessoas de baixa renda. Porque os ricos não estão preocupados, afinal, seus filhos vão para a faculdade;, destaca.

Para a professora, aos que tiveram esse direito negado, há cursos importantes profissionalizantes na época certa. Ela lembra que, nesses casos, existem as experiências em institutos federais. ;Esses são os locais adequados. Não o ensino médio;, defende.

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