A dura tarefa para ser o professor do amanhã

A dura tarefa para ser o professor do amanhã

Brasil forma em quantidade, mas peca em qualidade, o que gera resultados globais ruins

CLÁUDIA DIANNI
postado em 12/01/2020 00:00
Um bom professor precisa ser um mediador entre teoria e prática. Segundo especialistas, para dar conta das mudanças da sociedade e das necessidades dos alunos, sobretudo ante as novas exigências do mercado de trabalho e de um mundo cada vez mais ágil, complexo e conectado, os professores precisam estar atualizados. Para isso, precisam de formação contínua e de qualidade. E somente boas políticas públicas e investimentos podem reunir as condições para garantir esses requisitos.

O Brasil oferece mais de 7,2 mil cursos de licenciaturas, em 1.330 instituições de ensino superior. São mais de 1,6 milhão de alunos matriculados em licenciaturas, em instituições públicas (37,6%) e privadas (62,4%), o que representa quase 20% das matrículas no ensino superior, 64,5% em universidades, segundo Maria Alice Carraturi, organizadora da Base Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (BNCC), aprovada no ano passado, e ex-diretora de formação de profissionais da Educação Básica do Ministério da Educação (MEC).

A solução, diz ela, está na qualidade e não na quantidade de professores. ;Há mais vagas do que a demanda. Temos também que olhar as taxas de natalidade, que diminuem, o que, consequentemente, reduz o número de escolas no Brasil. No Censo Escolar de 2017, havia 287 mil escolas; no de 2018, o total não chegava a 282 mil escolas. E continuamos com 2,2 milhões de professores na educação básica;.

Maria Alice salienta que o número de ingressantes em cursos voltados à docência aumentou 44%, de 2010 a 2017. ;Temos uma equação que não fecha: diminui o número de crianças e escolas, aumenta o número de alunos nas licenciaturas e permanece o mesmo número de docentes. Estamos no caminho errado. Oferecemos milhares de cursos com qualidade duvidosa, formamos mal os docentes e, consequentemente, temos resultados pífios de aprendizagem;.

Para ela, o Brasil oferece formação incompatível com as demandas atuais e não há preocupação com a qualidade dos cursos que formam professores. Maria Alice afirma que as universidades dão cursos mais baratos, mas sem recursos. São formações fáceis de entrar e de concluir e, por isso, atraem um grande número pessoas que não conseguiriam entrar em cursos mais concorridos. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), 70% dos alunos de pedagogia têm pontuação abaixo da média no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Maria Alice destaca que a Base Nacional de Formação de Professores (BNC) é uma evolução, pois define o que é ser um bom professor e as competências que devem ser desenvolvidas para isso ; ;começa a estabelecer um padrão de qualidade a ser seguido, monitorado e avaliado;.

;Não podemos mais permitir cursos de baixa qualidade na formação de professores. Cada década perdida em educação condena milhões de crianças e jovens à ignorância, e o país, ao subdesenvolvimento;.

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