conheça a história dos blocos tradicionais do df, como o pacotão e o suvaco da asa

conheça a história dos blocos tradicionais do df, como o pacotão e o suvaco da asa

Com 60 anos, Brasília tem blocos consolidados na preferência dos brasilienses. Reviva a história e saiba o que preparam para 2020

Melissa Duarte*
postado em 26/01/2020 00:00
 (foto: Wallace Martins/Esp. CB/D.A Press - 13/2/18
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(foto: Wallace Martins/Esp. CB/D.A Press - 13/2/18 )
O carnaval é parte da história de Brasília. Não há quem nunca tenha ido ou pelo menos não conheça os blocos tradicionais. Em meio a músicas, marchinhas e desfiles, Asé Dúdú, Baratinha, Baratona, Bloco dos Raparigueiros, Galinho de Brasília, Mamãe Taguá, Menino de Ceilândia, Pacotão e Suvaco da Asa se consagraram na cidade e no coração dos brasilienses.

;O carnaval de Brasília praticamente nasceu com Pacotão e Galinho. Naquele ano de 1992, a gente brincava, era um bloco de família, hoje em dia tem muitos jovens e famílias também;, relembra Franklin Maciel Torres, atual presidente do Galinho e um dos fundadores. No entanto, por mais que a história desses blocos carregue consigo a tradição e a relevância deles, nem todos terão atividades neste ano por falta de estrutura e de verba.

O Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF) e a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) promoveram o edital FAC Carnaval 2020, que prevê financiamento público de R$ 3,6 milhões para os blocos. Com o resultado preliminar, divulgado em 6 de janeiro, apenas Menino de Ceilândia e Baratinha foram aprovados para receber recursos. O resultado, no entanto, não define quem sairá às ruas, pois as agremiações podem buscar patrocínio e outras formas de financiamento.

;O maior problema que a gente tem com o FAC é a questão da forma de se fazer o carnaval que acabou privilegiando um carnaval do Plano Piloto. A territorialidade e a tradicionalidade de blocos que fazem folia fora do eixo não foram respeitadas;, critica Jorge Cimas, presidente da Liga dos Blocos Tradicionais de Brasília, sobre a não admissão de outros blocos. O Correio fez um recorte dos blocos tradicionais e revive um pouco a história de cada um. Confira!

*Estagiária sob supervisão de Severino Francisco


Baratona
Da saudade da terra natal veio a Baratona, pelas mãos de Luiz Lima, em 1975, folião nato de Pernambuco. ;A Baratona era uma corrida de fim de ano em que os competidores tinham que passar pelos bares da cidade. Não ganhava quem chegasse primeiro, mas, sim, o mais embriagado. Com isso, o Luiz passou a ver a necessidade de um carnaval mais forte em Brasília, porque quem não tinha condições de ir para os clubes ficava sem a folia;, conta o organizador Paulo Henrique de Oliveira. Com três trios elétricos, bandas, DJs e muito axé, frevo e marchinha, o bloco preza pela saúde dos foliões a partir da conscientização sobre Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e espera paz e diversidade para esta edição. A programação está marcada para domingo (23/2) e terça (25/2), das 16h à 0h. A expectativa da organização é de 100 mil foliões.


Baratinha
;Baratinha é nosso xodó;: é assim que o organizador Paulo Henrique de Oliveira define o bloco. Fruto da Baratona, a Baratinha surgiu em 1990, também pelas mãos de Luiz Lima. ;Ele percebeu a necessidade das crianças mais carentes, que não tinham condições de ir para os clubes;, continua. A folia ; que teve pequenas edições de 1977 a 1979 ; veio como alternativa acessível para a garotada pular carnaval sem medo de ser feliz. No Parque da Cidade, o bloco conta com brinquedos infláveis, espuma, serpentinas e confetes ; tudo de graça. Neste ano, a preocupação com a chuva levou a organização a buscar uma tenda galpão. A programação está marcada para domingo (23/2) e terça (25/2), das 14h às 21h. A expectativa da organização é de 70 mil foliões mirins.


Raparigueiros
Em 1992, nasce o Raparigueiros, que tem como berço a Candangolândia. Foi uma ideia de amigos para festar atrás de outros blocos, como a Baratona. Até hoje, os dois se encontram pelas ruas. ;Lá, os meninos não tinham alternativas para se divertir;, conta Zanata Gregório, presidente do bloco. No desfile, toca principalmente música baiana e, neste ano, inclui dois trios elétricos e três bandas. A novidade para 2020 é que o Raparigueiros sairá da Torre de TV. A programação está marcada para domingo (23/2) e terça (25/2), das 17h às 21h. A expectativa da organização é de 100 mil foliões em cada dia.


Galinho de Brasília
De um grupo de família e amigos que não puderam viajar para a terra natal no Nordeste e queriam pular carnaval surgiu o Galinho de Brasília, em 1992, inspirado no Galo da Madrugada, de Recife. ;Uma curiosidade é que uma cláusula pétrea do nosso estatuto diz que só pode tocar frevo;, brinca Franklin Maciel Torres, atual presidente e um dos fundadores. Depois da primeira edição, nasceu também o Grêmio Recreativo da Expressão Nordestina ; Galinho de Brasília (Gren). Eleito como o melhor bloco de carnaval numa enquete do Correio em 2016, o Galinho deixou de ir às ruas no ano passado, pela primeira vez em 27 anos, por falta de dinheiro. Ainda não há programação definida para este ano.


Àsé Dúdú + Mamãe Taguá
Muito queridos em Taguatinga, os blocos fazem a folia na cidade. A partir de 1987, o Àse Dúdú se lança no Taguaparque para difundir a cultura afro-brasileira e promover relações culturais, com o tradicional arrastão e a lavagem das baianas. Enquanto isso, famílias levam a criançada desde 1995 para curtir o Mamãe Taguá e participar do concurso de fantasias e de oficinas de teatro, dança, artes visuais e música. Além disso, o bloco infantil reúne samba, maracatu, frevo e marchinhas.


Menino de Ceilândia
Em 1995, nasceu o bloco, cujo nome remete à quantidade de jovens que estavam se tornando pais e acabavam por buscar um local de entretenimento, cultura, diversão e também para trocar experiências. De uma oficina cultural, nasceram bonecos mamulengos, fantasias e adereços que até hoje fazem a festa.


Pacotão
Conhecido como o ;o bloco dos sujos; ; pelas típicas manifestações populares carnavalescas ;, o bloco surgiu em 1978: partiu da 302 Norte sem instrumentos e sem rumo para Asa Sul. Fundado por um grupo de jornalistas, o Pacotão é o bloco mais antigo da capital. Improviso e fantasias se juntam a fanfarras, metais e percussão para fazer a festa, com muito samba e marchinhas. ;O nome remete ao pacote do Geisel, em 1977, que fechou o Congresso;, relembra Joca Pavarotti, um dos fundadores. ;Sempre foi, sempre ser

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