Polêmico e Importante

Polêmico e Importante

O 62ª edição do Grammy ocorre hoje, trazendo como herança grandes histórias e controvérsias da indústria fonográfica

Pedro Ibarra*
postado em 26/01/2020 00:00
 (foto: Frederic J. Brown/AFP - 11/2/19)
(foto: Frederic J. Brown/AFP - 11/2/19)

Serão anunciados, hoje, os vencedores do Grammy, o maior prêmio norte-americano da indústria fonográfica. Ao todo, são 84 categorias distribuídas nos mais diversos tipos de música. O evento será apresentado pela cantora Alicia Keys e terá performances ao vivo de artistas convidados.

O Grammy está ao lado do Oscar, do Emmy e do Tony como um dos prêmios mais importantes dos EUA e agracia o que de melhor foi feito na música no ano. Os artistas que concorrem neste ano, por exemplo, lançaram os trabalhos entre outubro de 2018 e setembro de 2019. Como os indicados foram revelados ainda em 2019, álbuns divulgados no fim do ano passam a entrar na disputa de 2021.

As gravadoras

O prêmio traz uma tradição de histórias controversas. Álbuns considerados melhores por grande parte do público nem sempre levaram as principais categorias. Uma das motivações para essas ocorrências é o poder das gravadoras sobre os resultados das premiações.

Assim como em todos os outros prêmios, o interesse econômico gira em torno do Grammy. Um álbum vencedor tende a ganhar mais visibilidade e, consequentemente, gera mais lucro às gravadoras. No entanto, o Grammy tem ligação direta com as gravadoras. A Academia de Artes de Gravação, responsável pela escolha dos indicados e vencedores do prêmio, começou a partir de sete empresários do ramo, em 1957, fazendo o primeiro Grammy Awards acontecer em 1959. Ou seja, desde o início, o Grammy envolvia o interesse de líderes da indústria fonográfica.

Por isso, algumas escolhas inesperadas foram feitas e erros foram cometidos durante os 62 anos de Grammy. A mais recente polêmica aconteceu em 2018, com a vitória do álbum 24K magic, de Bruno Mars, em cima de DAMN., álbum icônico de Kendrick Lamar, primeiro disco não clássico ou jazz a ganhar o prêmio Pulitzer. Outro caso memorável proporcionado pela premiação foi o duo alemão Milli Vanilli, que venceu a estatueta de melhor novo artista em 1990, mas teve a escolha revogada após a descoberta de que não eram dos cantores as vozes usadas nos discos e shows.


Reconhecimento

Ganhar um dos prêmios da noite alavanca os cantores e bandas a outro patamar, e dá a eles o reconhecimento dentro da indústria. O prêmio teve, por exemplo, nomes como Michael Jackson, Madonna, Adele, Beyoncé e Taylor Swift entre os lembrados nas categorias principais durante sua história. Mas, em 2020, a disputa traz estreantes na premiação e pessoas que nunca levaram uma estatueta importante do Grammy concorrendo aos prêmios da noite. Billie Eilish, Lizzo e Lil Nas X estão na disputa por categorias relevantes na primeira aparição, enquanto Lana Del Rey, Bon Iver, Vampire Weekend, Ariana Grande e H.E.R buscam o topo após terem concorrido outras vezes ao prêmio.

As principais categorias do Grammy são: Álbum do ano, Gravação do ano, Canção do ano e Melhor novo artista.


*Estagiário sob supervisão de Igor Silveira




Denúncia na Academia
A ex-presidente da Academia de Artes de Gravação Deborah Dugan denunciou o conselheiro-geral do Grammy, Joe Katz, de assédio sexual e discriminação na Academia. Além disso, apontou que álbuns seriam marcados para não vencer o prêmio, como o caso do Lemonade, de Beyoncé (foto), e a falta de representatividade dentro da Academia.



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