Super Bowl do Brasil

Super Bowl do Brasil

Empolgado com primeiro evento esportivo sob nova direção no Mané, CEO da Arena BSB compara Supercopa a espetáculo dos EUA e promete trazer astros do tênis para exibição no DF

Fabio Grecchi %u2014 João Romariz %u2014 Marcos Paulo Lima %u2014 Mariana Fraga
postado em 13/02/2020 00:00
 (foto: Valério Ayres/CB/D.A Press)
(foto: Valério Ayres/CB/D.A Press)




Ele é paulista, torcedor do Palmeiras e acaba de assumir uma missão (quase) impossível: incoroporar Midas, personagen da mitologia grega que transformava em ouro tudo o que tocava. A missão é tornar o Mané Garrincha, elefante branco mais caro da Copa do Mundo de 2014, construído por R$ 1,7 bilhão, em um elefante dourado: uma máquina de fazer dinheiro. O teste para a nova gestão começou no último sábado, com a realização do evento evangélico The Send Brasil. Embora o palco e o tablado montados para o culto religioso tenham deixado rastros para a final da Supercopa do Brasil entre os campeões do Brasileirão (Flamengo) e da Copa do Brasil (Athletico-PR) neste domingo, às 11h, Richard Dubois comemora o sucesso operacional. O próximo passo é gerenciar o primeiro evento esportivo sob a direção do Consórcio Arena BSB. Em entrevista exclusiva ao Correio, o CEO se empolgou ao comparar a final em jogo único da CBF ao Super Bowl, megaevento do futebol americano. Animado com a concessão por 35 anos, ou seja, até 2055, ele jura que o modelo da gestão do Mané Garrincha não repetirá o fracasso da privatização do Maracanã. Firmado em 2013, o acordo chegou ao fim no ano passado . O Governo do Rio reclamou de dívidas que chegaram a R$ 38 milhões e rompeu o contrato com a IMX-Holding S.A. Animado, ele anuncia a construção de um ginásio moderno, fala sobre os planos para o Nilson Nelson e promete realizar no Mané Garrincha um duelo entre medalhões do tênis como o que aconteceu no último dia 6, na Cidade do Cabo, entre os astros Roger Federer e Rafael Nadal.



A Supercopa do Brasil é o primeiro evento esportivo da Arena BSB. Quais é a expectativa?

Já começamos com um evento de grandes dimensões. Provavelmente o jogo mais relevante do início do ano, porque é o campeão do Brasileirão (Flamengo) contra o da Copa do Brasil (Athletico-PR). Será o ;Super Bowl brasileiro;, o jogo que une os dois times, e vamos ver quem é o grande time de 2020. Fizemos muitas mexidas (no Mané Garrincha), muitas novidades para o torcedor. O que é bom a gente manteve, a visibilidade, o acesso fácil, mas melhoramos muito a comodidade e, especialmente, a segurança dos atletas e das delegações. Estamos torcendo por casa cheia. As catracas voltaram a funcionar. A gente vai saber instantaneamente qual o público no estádio. Os órgãos de segurança terão acesso. Isso já funcionou no fim de semana passado (no The Send Brasil). Minuto a minuto, a gente tem a entrada por catraca, o que adiciona segurança e tranquilidade ao torcedor.

Mesmo com quatro clubes gigantes, a concessão no Rio entrou em colapso. Qual é a garantia de que dará certo em Brasília, uma cidade sem time de massa?
A existência de times de futebol de massa não garante a rentabilidade do estádio. O futebol em si, a renda, a bilheteria do jogo, é do time, assim como a do artista não é do estádio. A gente precisa ativar, trazer outros eventos. O Maracanã é um estádio fantástico, estamos até disputando a concessão. Operamos 18 arenas no mundo, então, nós temos alguma experiência nisso. O segredo da operação é trazer conteúdo e potencializar o entorno. O estádio funciona como a ponta do iceberg, mas a rentabilidade vem de uma equação complexa. O fato de não ter times (em Brasília), a gente tem 35 anos de contrato. Esperamos que tenhamos times. Estamos incentivando o Candangão, que dava prejuízo ao GDF e encontramos uma solução em que teremos jogos lá rapidamente. Só preservamos agora por causa da Supercopa. Teremos jogos do Candangão e do Brasileiro. Se não tivermos quantidade, teremos qualidade.

Qual é a garantia de que a concessão não dará prejuízo ao governo?
Muitas PPP;s não deram certo porque o estado empurrava o mico para cima do setor privado. No Mané Garrincha, existe uma equação viável de rentabilidade. Nosso grupo econômico não tem o problema de outras, que se envolveram com problemas do Brasil. Já está funcionando. Trouxemos nos primeiros 60 dias meio milhão de torcedores. Shows internacionais, jogo da Seleção Brasileira neste ano (em setembro, contra a Venezuela, pelas Eliminatórias). Quem for ao estádio no domingo vai ver um estádio renovado, com uma série de benfeitorias. Está em uma situação melhor do que nós recebemos. Essa concessão tem um risco muito baixo para o governo. Se não der certo, os grandes prejudicados seremos nós, concessionários, que colocamos dinheiro. O projeto é sólido. O intuito do GDF é ajudar o privado a andar, o Estado, o poder público e o privado trabalharam de forma coordenada. A Supercopa é um exemplo. Acertamos com uma tríplice aliança (Arena BSB, Federação de Futebol do Distrito Federal e GDF) para fazer acontecer.

Você acha que a sociedade vai se engajar nesse projeto com o passar do tempo?
Acho que sim. Os benefícios (com a privatização do Mané Garrincha) são claros. Mais conforto, comodidade, segurança e conteúdo. A destinação de recursos que iam para o estádio vão para bens maiores, prioridades. O dinheiro do cidadão vai para outras áreas que o governo ache melhor. Neste mês, estamos pagando, por exemplo, R$ 120 mil de conta de luz que eram pagos pela Terracap. Vai sobrar dinheiro para investimentos. Mais R$ 60 mil de conta de água. Um total de quase R$ 1 milhão do contribuinte será alocado em outra área. É o grande benefício que a população, talvez, não tenha tangibilidade. Houve a privatização da telefonia. Ninguém tem saudade. As estradas de São Paulo são pedagiadas. Pergunte aos paulistas se querem voltar ao tempo antigo. O ser humano não gosta de pagar, mas diante de um mau serviço, admite pagar por um bom serviço. O Aeroporto de Brasília era um caos. Hoje, é motivo de orgulho. Esperamos ser também em quatro, cinco anos.

Quanto a Arena BSB cobra pelo aluguel do Mané Garrincha?
Temos um valor muito baixo, porque o nosso objetivo é volume. Estamos praticando preços muito atraentes, tão baixos que chega a ser economicamente irrelevante para o custo do jogo e da arena. Para mostrarmos bom serviço, devemos estar com a casa cheia. A vantagem do setor privado é a negociação. Agora, temos mais alimentos. Publicidade, bebidas, comidas, estacionamento. Não é apenas o ingresso. Vai depender do contratante para saber como ele vai querer. Alguns querem ficar com alimento e bebida, portanto, aluguel de um espaço um pouco maior, dividem em percentuais. A flexibilidade é muito boa para os promotores. Cada um tem um risco. Estamos sempre olhando para um valor global que está ficando muito em linha do que o GDF cobrava, mas com regras diferentes.

Como fechar naming rights em um país que se recusa a citar a marca? A

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação