Crônica da Cidade

Crônica da Cidade

por Severino Francisco >> severinofrancisco.df@dabr.com.br
postado em 29/03/2020 00:00

A vidanão é negociável

Fiquei feliz de ver que vários dos meus ex-alunos estão na linha de frente da cobertura sobre o novo coronavírus. Não declinarei nomes, mas gostaria de registrar que estou com muito orgulho de vocês.
Estão defendendo a vida contra a morte. Nunca o jornalismo profissional responsável foi tão importante na historia recente do país. Só a informação correta, a ciência, a medicina e as instituições democráticas poderão nos salvar das fake news e de suas consequências desastrosas. A Imperial college London convenceu Boris Jonhson a adotar medidas mais duras de prevenção contra o novo coronavírus. Pesquisa realizada pela instituição desenha um cenário terrível na hipótese de o Brasil desprezar as medidas de isolamento.


Se o país retomar as atividades imediatamente, 180 milhões de pessoas seriam infectadas. Dessas, 612 mil necessitariam de hospitalização e 1,5 milhão teriam de receber tratamento especial nas UTIs. O número de mortos poderia chegar a mais de 1 milhão. O prefeito de Milão, Guiseppe Sala, pediu desculpa por desdenhar do novo coronavírus e transmitir um vídeo, conclamando a população a voltar às atividades normais no início da pandemia. O título era: Milão não pode parar. Resultou em tragédia. Ainda bem que a Justiça Federal proibiu a veiculação da versão brasileira produzida pelo Governo Federal, sob o título: o Brasil não pode parar.


É a crônica da morte em massa anunciada. Tudo em nome do achismo. Não se pode misturar as eleições, a previdência dos idosos, o desemprego e as desigualdades sociais com o combate ao coronavírus.


O que evita o pânico é a ação rápida do governo para garantir a economia humanitária enquanto for necessário o isolamento em uma situação de guerra. E isso que todos os outros países do mundo estão fazendo.
É curioso. Há pouco mais de um ano, durante a campanha eleitoral, o presidente Bolsonaro disse que não entendia nada de economia. Quem entendia por ele era o posto Ipiranga. Agora, de repente, ele sabe mais do que todos os economistas, os cientistas, os médicos, os infectologistas, as instituições de pesquisa, Trump, Putin e o Papa.


Os cidadãos estão cumprindo a sua parte com ações solidarias. Espero que o governador do DF mantenha a atitude de firmeza no alinhamento com as recomendações médicas e científicas e defenda a vida dos brasilienses contra a ignorância. A vida é sagrada; a vida é inegociável.

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