GSI avalia "cuidados especiais" no Alvorada

GSI avalia "cuidados especiais" no Alvorada

postado em 04/04/2020 00:00
 (foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
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(foto: Antonio Cruz/Agência Brasil )
O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) informou ao Correio, ontem, que estuda medidas para evitar a proliferação de coronavírus entre apoiadores do presidente Jair Bolsonaro que se aglomeram em frente ao Palácio da Alvorada diariamente. A pasta, no entanto, não menciona quais estão sendo avaliadas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde orientam o distanciamento social como forma de combater a Covid-19.

;É difícil prever o número de pessoas que se reunirão no Alvorada a cada manhã. Não está prevista a suspensão das visitas. A população está exaustivamente alertada sobre medidas de prevenção. De qualquer maneira, essa atividade, que se transformou em rotina, será objeto de cuidados especiais para evitar que facilite a transmissão do vírus;, diz a nota. Questionado sobre quais medidas seriam tomadas, o GSI afirmou que ainda estão ;sob análise;. Também não deu previsão para implementação dos ;cuidados especiais;.

Desde que Bolsonaro foi eleito, apoiadores se reúnem diariamente na saída do Alvorada na tentativa de vê-lo de perto. Geralmente, o chefe do Executivo os cumprimenta em duas ocasiões no dia: pela manhã e no fim da tarde.

Com a pandemia, Bolsonaro passou a não mais apertar mãos ou tirar selfies e a manter distância da claque. No entanto, nenhuma medida foi tomada para evitar a aglomeração dos simpatizantes que se apertam na grade, uns próximos dos outros.

A infectologista Eliana Bicudo, da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), criticou a prática rotineira no Alvorada. ;O que está acontecendo ali é totalmente incorreto, fora do que o Ministério da Saúde e as sociedades médicas estão preconizando. Não pode ter contato físico, muito menos aglomeração;, ressaltou. ;É necessário que se crie um distanciamento. Para o presidente, percebe-se que não há nenhuma proximidade, mas quanto aos apoiadores está completamente incorreto. Espero que a segurança presidencial ou do DF tome uma atitude para que as pessoas possam continuar indo lá falar com ele, mas se guardando num distanciamento.;

A especialista apelou, ainda, para a conscientização da população: ;Se a gente não mudar esse pensamento, os números do DF vão continuar subindo. Todos têm de entender que é um problema coletivo e não individual. O fato de eu adquirir e não adoecer não significa que eu não passei para alguém que possa adoecer. A gente tem de pensar no outro, essa é uma doença coletiva, muito mais coletiva do que individual.; A dificuldade, no entanto, está principalmente no posicionamento do próprio chefe do Executivo, que defende o fim do isolamento, a reabertura do comércio e a volta à normalidade.(IS)


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