Máscaras: atitude para salvar vidas

Máscaras: atitude para salvar vidas

Amanhã, o governo começa a fiscalização da obrigatoriedade da proteção facial. Especialistas esclarecem dúvidas sobre confecção, uso e higienização do produto. Quem for flagrado na rua sem o equipamento terá de pagar até R$ 2 mil

» JULIANA ANDRADE
postado em 10/05/2020 00:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)


Elas têm tido um papel importante no combate ao novo coronavírus. A determinação do governo em relação ao uso de máscaras está vigente desde 30 de abril, porém, a fiscalização e a multa em relação à utilização do produto começa amanhã. Como uma barreira física, as proteções faciais são mais uma das formas de luta contra a covid-19. Especialistas destacam a importância da medida e orientam sobre o material de confecção, além da forma correta de usar, manusear e higienizar a máscara.

A multa para quem for flagrado na rua sem o equipamento é de até R$ 2 mil. A artesã Claudia Martins, 49 anos, não só garantiu a dela, como também confecciona a proteção para venda. ;Assim que surgiram os dois primeiros casos no DF, eu fiz uma para mim, para o meu filho e para uma amiga. Sou artesã, então tenho experiência com costura;, conta. Desde o começo do trabalho, ela seguiu as orientações das autoridades e fez pesquisas a respeito do tecido e da higienização, com o objetivo de repassar as informações para as clientes. ;Uso dois tecidos, mais o TNT. Não posso ser irresponsável de vender falando que basta usar a máscara que estarão protegidos. É uma barreira física, que torna a contaminação mais difícil;, ressalta.

O produto é uma medida adicional para a proteção de quem precisa sair de casa, segundo o infectologista Gilberto Nogueira, da Rede D;Or São Luiz. ;O uso obrigatório das máscaras não muda em nada a necessidade de manter as medidas de distanciamento social. Para as pessoas contaminadas, ela ajuda como barreira física e diminui a transmissão para as sadias. Quando essa pessoa contaminada fala, tosse ou espirra, as gotículas produzidas se prendem ao tecido, diminuindo muito a disseminação para o ambiente;, explica. Em relação ao tecido, a orientação é usar panos de algodão ou mistura com elastano, TNT e outros. ;É importante ter pelo menos duas camadas. Existe estudo demonstrando que quanto mais dobras de tecido, maior a eficiência;, detalha.

A militar Erica Ferreira, 41, aderiu ao uso da máscara antes da obrigatoriedade. Ela confeccionou as próprias proteções e comprou outras. ;Peguei o modelo e decidi fazer. Comprei TNT e fiz com três camadas;, comenta. Erica precisa sair diariamente para trabalhar. Para ela, a fiscalização será de grande importância, motivando a população a se proteger. ;Se cada um fizer a sua parte, a gente vai conseguir vencer essa luta;, ressalta. Além de usar a proteção facial, Erica segue todas as orientações de prevenção à doença. ;Estou usando álcool em gel, lavo sempre as mãos e só saio quando necessário. Quando chego do trabalho, deixo o meu uniforme na porta;, diz.



Utilização

Um ponto importante é o tamanho da máscara. Ela deve ficar ajustada ao rosto, para evitar que as pessoas toquem nela. ;Recomendo utilizar a proteção bem ajustada ao rosto. Se for necessário reajustar, sempre higienizar as mãos antes e nunca tocar na parte da frente, manipulando apenas pelos elásticos ou pelas tiras laterais;, orienta o infectologista Gilberto. Ao retirar para fazer uma refeição, por exemplo, é importante ficar atento para não contaminar o produto e guardá-lo em lugar adequado. ;Eu recomendo duas alternativas: um recipiente de plástico com pequenos furos, para evitar a umidificação do produto, como caixas plásticas de uvas; ou pode colocar em um envelope de papel;, aconselha.

Os infectologistas recomendam ter uma máscara extra sempre que ficar muito tempo fora de casa. Elas não devem estar úmidas ou sujas, como explica a infectologia Ana Helena Germoglio: ;Depois de 3 horas de uso contínuo, ela fica úmida. Se ficar úmida, suja ou danificada, deve ser trocada;. A infectologista ainda alerta sobre a duração da qualidade do tecido. ;Depois de 30 lavagens, ela pode reduzir a capacidade de barreira;, revela. Para colocar e retirar, a indicação é fazer sempre com as mãos higienizadas com água e sabão ou álcool em gel. O manuseio deve ser feito pelas laterais.




Crianças

O uso das máscaras em crianças gera dúvidas. A recomendação de pediatras é de que crianças com menos de 2 anos não usilizem a proteção. ;Elas não devem usar, porque há risco de sufocamento. Além disso, elas podem ficar passando a língua na máscara, e passando a mão na parte externa, aumentando o risco de contaminação;, justifica a pediatra Nathalia Sarkis, do Hospital Santa Lúcia e membro titular da Sociedade Brasileira de Pediatria. Para aqueles acima de 2 e menores de 6 anos, o uso deve ser feito apenas com a supervisão de um adulto. ;As crianças entre 7 e 10 anos conseguem usar a proteção, mas seguida de observação. Os pais ou responsáveis devem sempre ficar atentos;, acrescenta a pediatra.

A oficial temporária do Exército Kátia Kelly, 35, providenciou logo as proteções para ela e para a filha, Isabella, 4. No início, a menina não aceitou muito bem o acessório, mas, com o tempo, se acostumou. ;Hoje, ela ama usar máscara. Quando precisamos sair, ela não fica sem;, conta. Kátia também optou por comprar produtos com estampas infantis e combinando com a faixa do cabelo. ;Eu achei muito legal. Comprei uma igual para mim e para ela, para a gente ficar combinado. Acaba sendo mais fácil de você usar junto com os filhos, e eles aceitam melhor;, explica.

As estampas e os modelos infantis ganham espaço no processo de confecção. A pedagoga Monia de Castro, 42, e a mãe dela, a artesã Neusa de Castro, 64, usaram a criatividade para conquistar a garotada. As máscaras comuns ganharam novos formatos, como orelhinhas de gato e do Batman. ;Testamos com a minha filha de 8 anos, e ela adorou. Então, resolvemos divulgar. Temos tido bastantes encomendas;, comemora Monia. As mães também ganharam modelos especiais ;A minha mãe (Neusa) veio com a ideia para o Dia das Mães. Ela colocou um lenço, protegendo também o pescoço do frio. Aqui em casa, a cabeça não para de funcionar e, às vezes, a criação vai madrugada adentro;, acrescenta. Após a obrigatoriedade, a procura pela proteção aumentou, segundo a pedagoga, o que complementa a renda da família.


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