Obrigado, minha mãe!

Obrigado, minha mãe!

» Roberta Pinheiro » Ana Maria da Silva*
postado em 10/05/2020 00:00
Mãe, uma palavra capaz de sintetizar memórias, afetos, cheiros, características, sorrisos e carinhos; um substantivo que é, ao mesmo tempo, forte e delicado; um nome que guarda tantos outros em um só. Hoje, o Correio pede licença às notícias da pandemia do novo coronavírus para preencher essas páginas com muito carinho. Se, por um momento, as mães renunciam à presença dos filhos que precisam se ausentar para atuar nos serviços essenciais nesse período difícil ou não estão presentes por desejo do destino, neste Dia das Mães, eles provam que não importa a distância ou a presença física.
O amor materno é a vacina para esses momentos difíceis.


Uma saudade imensa
;Mamis, obrigada por você ser a minha luz e ter permitido que eu crescesse cercada das melhores coisas do mundo! Obrigada por estar sempre ao meu lado, pronta para receber e compartilhar tudo o que a vida me trouxe. Desde os primeiros desafios, como a entrada na universidade e a ansiedade pelo resultado que nós duas esperamos juntas. Pela incansável espera durante os longos meses em que morei fora, sem você nunca criticar e sempre confiando que voltaria mais madura e fortalecida. O auxílio e o apoio incondicional durante os difíceis dois anos de internato do meu curso de formação, quando você arrumava tempo para me ligar bem cedinho para dar bom dia e falar de horóscopo, mesmo que eu só tivesse 30 segundos livres.

Você nunca reclamou da ausência, apenas exaltava os momentos juntos. Passamos por um período muito difícil ao encarar a doença e a perda da vó, quando eu tive oportunidade de tentar estar lá para você, como você sempre esteve para mim. E, finalmente, agora você segue me ajudando a construir minha família, sempre com uma paciência eterna. Nosso último abraço foi em 18 de março. Ficar um tempinho sem abraçar garante que estejamos juntas por muitos anos futuros. Te amo até o infinito!”

Ana Brito do Amaral Cotrim, 31, capitã do Corpo de Bombeiros Militar do DF



;Vamos lutar juntas;
;Mãe, desde que voltei para casa, há sete anos, esse será nosso primeiro Dia das Mães assim, sem seu abraço, seu carinho, seu colo. Para suportar essa distância, eu tento vê-la como eu via minha filha dentro do meu ventre: segura, protegida, apenas esperando o momento certo para tê-la em meus braços. Tudo isso vai passar, mãe! Pois tudo na vida passa, tanto as coisas boas quanto as ruins. Essa distância é necessária, mesmo que pareça exagero e que seja difícil para a senhora aceitar isso. Nós ainda nos alegraremos por termos lutado para estarmos juntas novamente! Outras pessoas podem sentir culpa por terem feito pouco ou por não terem feito tudo o que poderiam fazer para protegerem uns aos outros, mas nós, não! Amo a senhora, mãe! Nós sempre andamos juntas, passaremos por esse desafio e continuaremos nossa caminhada. Uma ao lado da outra, sendo uma o suporte da outra, como sempre fizemos.

Minha mãe e eu sempre fomos muito apegadas e o ;braço direito; uma da outra. A forma como organizávamos nossa rotina fazia com que eu me sentisse a benfeitora de todos, a cuidadora de todos, aquela com quem todos podiam contar. Então, veio essa pandemia e mudou tudo nas nossas vidas. Por trabalhar numa empresa pública, que presta serviço essencial, no dia em que voltei ao trabalho, no início da pandemia, deixei de ser quem protegia e me tornei a principal possível fonte de contaminação da minha família. Acho que entender que eu representava um risco para todos eles foi a parte mais difícil, mais dolorida, e ainda é.

Tivemos que reorganizar tudo. Hoje, estão isolados em casa, sem sair para absolutamente nada: minha mãe, meu padrasto, minha filha e meu irmão, que também tem asma, mas deixou a esposa e o filho de um ano em outra unidade da federação para prestar a assistência que eu não posso mais prestar.
Aceitei meu papel de proteção a distância, mas ainda é muito dolorido ver as pessoas que amo por uma janela, com máscara, não poder dar colo para a minha filha quando ela chora e ter que fugir da minha mãe quando ela caminha em minha direção, com saudade da minha companhia.;

Clarissa Pacífico, 38 anos, agente metroviária


Sempre estará presente
;Mesmo com a preocupação da minha mãe, há quase dois anos sou policial penal do Distrito Federal. Mais difícil do que falar sobre toda a distância que as pessoas estão de suas mães, é conseguir resumir o que tenho para falar em um só texto e em um só dia. Ela sempre foi o apoio que precisei. No momento difícil, tinha o melhor conselho, o melhor colo, o carinho. Sua fé inabalável, que sempre me protegeu, e que até hoje protege. A sua forma de lidar com as adversidades e situações. Não teria como resumir o quão importante ela é para mim: me ajudou a escrever várias páginas da minha vida. Não poderei passar esse dia especial com a minha mãe, porque, há quase dois meses, ela se foi depois de uma batalha contra o câncer. Mas, mesmo não passando o Dia das Mães com ela, eu sei que ela vai passar esse e todos os outros dias comigo.

Mãe, hoje a saudade é imensa, o coração fica apertado, mas sabemos que a vontade de Deus prevaleceu, e a senhora permanece em nossos corações com todo o amor e a sabedoria que sempre nos ensinou, e o mais importante, a memória daquele belo sorriso seu, que, por muitas
vezes, nos alegrou.;

Ricardo Aurélio Reis, 31, agente penitenciário



;Logo estaremos juntos;

;Como moro em um apartamento pequeno e não tinha como manter o isolamento, optei por afastá-los, pois trabalho no hospital que recebe os pacientes positivos para a covid-19. Foi uma decisão muito difícil, de muito medo e incerteza de não voltar a vê-los, pois sei que é muito grande o número de profissionais que se contaminam. Cada dia que chegava em casa, minha pequena Sophia, de 3 anos, vinha correndo me abraçar, e eu tinha que fugir. Cada vez que minha mãe tossia ou espirrava, me cortava o coração.

Meu filho Jean, de 17 anos, tem bronquite asmática desde pequeno. Minha mãe é imunodeprimida, diabética, hipertensa e tem artrite reumatoide. Então, pensei muito e resolvi interromper os tratamentos dela e pedir para ela voltar para o interior de Goiás, em Cavalcante, levando meus dois filhos.

Minha mãe é o meu mundo, minha fortaleza e, ao mesmo tempo, meu cristal frágil, que morro de medo de quebrar. É na minha mãe que me inspiro e encontro força para levantar todos os dias e lutar, trabal

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