Primeiro emprego surge na crise

Primeiro emprego surge na crise

postado em 10/05/2020 00:00
 (foto: Fotos: Arquivo Pessoal)
(foto: Fotos: Arquivo Pessoal)



Contratada no início de abril pelo Hospital Santa Luzia, a enfermeira formada pela UnB Kézia Ferreira, 25 anos, trabalhava fora da área da saúde quando soube de uma vaga pela consultoria de RH Luandre e se inscreveu. O recrutamento foi rápido. Em duas semanas, ela passou pelas entrevistas virtuais e presenciais e foi chamada. Kézia trabalha na UTI direcionada para pacientes com coronavírus. Os primeiros 15 dias foram de treinamento com enfermeiros mais experientes. Agora, ela atua em parceria com uma colega veterana.

;Como recém-formada, está sendo um desafio muito grande;, comenta. Sobre trabalhar cara a cara com o vírus na primeira experiência como enfermeira, a profissional diz que, por algumas vezes, chega a esquecer que está lidando com essa situação. Enquanto, em outros momentos, sente medo de se infectar. ;Como penso muito no paciente, esse temor até diminui. No entanto, tomo todas as precauções. Eu não quero que ninguém fique doente por minha culpa;, conta. Para Kézia, o mais difícil é lidar com a pressão psicológica.




;Eu me sinto bem por ajudar os outros, mas, por ter muitos pacientes, eu fico me cobrando. Fico angustiada e triste na maioria das vezes. A doença é nova e precisamos ter destreza para lidar com isso da noite para o dia;, relata. Também enfermeiro, Luan Henrique Ferreira, 23, é formado pela Escola Superior de Ciências da Saúde (Escs). Em 13 de março, na mesma semana em que o primeiro decreto de suspensão de aulas para contenção do vírus foi publicado no Distrito Federal, ele começou a trabalhar no Hospital das Clínicas e Pronto Socorro de Fraturas da Ceilândia (HCPSF).

Inicialmente, a função de Luan era administrativa, mas o hospital foi, aos poucos, se adaptando aos novos protocolos de saúde e ele foi transferido para a triagem de pacientes. Apesar da rotina pesada de plantões noturnos, o enfermeiro diz estar satisfeito com o serviço prestado. A mãe do jovem chegou a sugerir que o filho deixasse o emprego, o que ele não cogitou. ;É a profissão que eu escolhi para a minha vida e sou apaixonado por ela. É o que eu gosto de fazer;, afirma. Como as contratações emergenciais para o SUS são, até então, temporárias, Luan diz não ter interesse em se inscrever em iniciativas como O Brasil Conta Comigo. ;Para mim, não compensa. No meu caso, só iria se não fosse temporário;, afirma.



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