Shoppings reabrem depois de 68 dias

Shoppings reabrem depois de 68 dias

Estabelecimentos voltam às atividades, hoje, focados na saúde dos consumidores e trabalhadores. Locais vão medir a temperatura dos frequentadores e fiscalizar o uso de máscaras. Reformular as estratégias de negócio é outro desafio das empresas durante a pandemia

ALAN RIOS
postado em 27/05/2020 00:00
 (foto: Ana Rayssa/CB/D.A. Press)
(foto: Ana Rayssa/CB/D.A. Press)




Shoppings centers do Distrito Federal retornam às atividades, hoje, às 13h, após 68 dias com as portas fechadas para os consumidores. E o cenário que a população vai encontrar é bem diferente daquele de dois meses atrás. A entrada será controlada pelos estabelecimentos, que vão medir a temperatura dos clientes e barrar a passagem de quem estiver febril ou sem máscara de proteção. As praças de alimentação estarão bloqueadas ou sem mesas, evitando qualquer consumo no local. Elevadores e estacionamentos passam a ter uso limitado e provadores estão proibidos, entre outras medidas (veja Deveres). Diante de tantas mudanças provocadas para prevenção contra o novo coronavírus, lojistas se reinventam para retomar as vendas afetadas pela crise e, ao mesmo tempo, garantir a segurança da população.

Os primeiros dias de reabertura devem contar com pouca movimentação, como espera Edson de Castro, presidente do Sindicato do Comércio Varejista do DF (Sindivarejista). ;Será uma volta tranquila, até porque estamos em fim de mês, um período que, geralmente, conta com menos clientes nos shoppings. Além disso, a praça de alimentação e os cinemas continuam fechados, então o perfil das pessoas que vão passa a ser de quem quer comprar, não mais de quem vai passear;, analisa. Edson acredita, ainda, que esse retorno é necessário para a economia do setor. ;Não dá para ficar com shoppings fechados até o fim do ano. Tem empresa falindo, gente perdendo emprego e passando fome. Então, temos que nos adaptar ao novo cenário, seguindo à risca as determinações de saúde;, defende.

Uma dessas ações, pensadas para a volta segura dos estabelecimentos, é a realização de testes rápidos em funcionários dos estabelecimentos. Ontem, foi o primeiro dia de exames gratuitos para comerciantes. Servidores da Secretaria de Saúde montaram um posto no Sesc da 504 Sul e realizaram cerca de 500 testes. Uma das pessoas submetidas à avaliação foi Janielly Tunico de Souza, 23 anos. ;Trabalho em uma livraria de shopping, e fui orientada a fazer, já que vamos lidar com o público. Fico um pouco preocupada com a doença, mas também entendo que essa volta do comércio é necessária, porque tem muita gente sendo demitida. Então, agora é tomar os cuidados recomendados;, afirma. A testagem gerou aglomeração, mas, segundo o Sindivarejista, outros pontos de exames serão abertos nos próximos dias. Para empresários, uma retomada segura do comércio que foi autorizado a funcionar nesta semana pode ser a chave para outros setores conseguirem a liberação.





Vendas
Empresários de shoppings comemoram o retorno do segmento em um momento de crise financeira, mas ressaltam que a volta deve priorizar a saúde pública. Giuliano Bragaglia, superintendente do Conjunto Nacional, conta que o local contratou um serviço especializado em desinfecção, que atua a cada três horas em todo o empreendimento; realizou treinamentos com o time de manutenção; trocou cancelas que exigiam o toque; e transformou o Serviço de Atendimento ao Cliente em digital, pelo WhatsApp. ;Nossa prioridade é zelar pela segurança das pessoas. Por isso, estamos atentos a todas as orientações dos órgãos de saúde, e tomando as medidas necessárias para garantir um ambiente saudável para quem passa diariamente pelo shopping, desde práticas de sanitização até serviços de apoio aos lojistas, como o delivery e drive-thru;, esclarece.

Patrícia Cunha, superintendente do DF Plaza, em Águas Claras, entende que o apelo de venda não deve ser prioridade agora. ;Nosso shopping está determinado a cumprir as medidas do governo na proteção contra a covid-19. Porque nosso interesse, no momento, não é estimular a compra, mas mostrar que estamos juntos neste combate, que os lojistas estão aqui, mas com cuidados. É preciso retornar com calma e aos poucos. Em uma velocidade rápida, teria risco de agravar um problema que já é grande;, avalia.

Patrícia lembra, ainda, que o retorno às compras presenciais não significa que as empresas devam deixar de lado as operações virtuais. ;As coisas vão ser diferentes. Então, precisamos nos adaptar, buscar formas de trabalhar on-line, por exemplo. Todo comércio individual dos shoppings precisa se reinventar;, comenta. O DF Plaza levou ações de entretenimento, que eram realizadas no local, para as redes sociais. São programações que vão desde oficinas de artesanato até lives teatrais e contações de histórias.

Juliana Guimarães, cofundadora do 55Lab.co, laboratório de negócios, afirma que estamos vivendo um momento ;acelerador de futuro;. ;Esse novo cenário antecipou demandas que já estavam em curso. As pessoas estavam revisando a forma de comprar, o impacto que os serviços causam, por exemplo. O varejo já estava em reconfiguração, com mais presença digital, oferecendo espaços que são mais de experiência do que venda;, pontua. Para a Juliana, o comércio agora precisa se colocar, ainda mais, no lugar do cliente e entender a situação que ele está vivendo. ;Não adianta só colocar pontos de álcool em gel se na hora do atendimento um funcionário não respeita o distanciamento ou não pergunta como aquele cliente está enfrentando o processo da pandemia. É preciso estabelecer essa relação que diz ;estamos juntos;, porque realmente estamos;, completa.




Parques e academias
A Secretaria de Esporte e Lazer do DF planeja um cronograma para a reabertura de parques e academias no Distrito Federal. O Sindicato das Academias do DF (Sindac-DF) tem uma reunião marcada, hoje, com a Casa Civil para tratar do tema. A atividade de profissionais de educação física foi considerada essencial na área de atendimento à saúde pelo Decreto n; 40.824, publicado em edição extra do Diário Oficial do DF de segunda-feira. Os presidentes do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar-DF) e da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do DF (Abrasel-DF) também se reúnem com o governo para tratar de reaberturas. De acordo com a Abrasel, 40% dos donos de estabelecimentos têm menos de um mês de visibilidade sobre o futuro do negócio.



Palavra de especialista

Efeito sanfona

;É importante que qualquer flexibilização de isolamento dependa do momento da cidade, levando em conta a quantidade de leitos de UTIs disponíveis, o achatament

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