Pessimismo na indústria

Pessimismo na indústria

Vera Batista
postado em 30/05/2020 00:00



A indústria vê com pessimismo o cenário para o setor a curto e a médio prazos. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a queda de 1,4% na produção das fábricas no primeiro trimestre reflete apenas parcialmente aos efeitos da pandemia de covid-19, e o período de abril a junho apresentará dados muito piores.

De acordo com o presidente da entidade, Robson Andrade, parte do problema é a ineficácia das medidas adotadas até agora pelo governo para amenizar a crise. ;As medidas de aumento do capital de giro implementadas até agora ainda são insuficientes. Se as empresas continuarem com a dificuldade atual de acesso a capital de giro, o número de falências e o consequente aumento do desemprego comprometerão o ritmo de recuperação;, avaliou.

;Algumas iniciativas do governo para elevar a liquidez do sistema financeiro, para reduzir o custo e aumentar a oferta de financiamentos já foram adotadas. No entanto, em meio a tantas incertezas, essas medidas se mostram pouco eficazes para impedir a insolvência de um grande número de empreendimentos;, completou Andrade.

Guto Ferreira, analista político-econômico da Solomon;s Brain, destaca que, levando em consideração que, ;em janeiro e fevereiro, o país ficou em negação, acreditando que o vírus não chegaria aqui, a queda trimestral do PIB ficou dentro do esperado;. No futuro, ;o cenário é claríssimo e já deveria ser admitido pelo governo para que todos pudessem entender e se preparar melhor;.

;Com dois trimestres negativos, já estaremos em recessão. O governo deveria apresentar um plano, em vez de focar exclusivamente no discurso otimista. Otimismo não tira ninguém da crise. O que tira é planejamento e trabalho;, apontou Ferreira. Ele lembrou que, apesar de representar entre 9% e 11% do PIB, a indústria responde por 30% dos impostos arrecadados pelo governo, e concentra os produtos de maior valor agregado, os maiores salários e os profissionais mais qualificados.





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