Compras dos enamorados

Compras dos enamorados

A reabertura do comércio apresenta desafios aos lojistas, como trazer de volta os consumidores em tempos de pandemia. A higienização e a segurança com a saúde das pessoas estão entre as prioridades

DARCIANNE DIOGO
postado em 30/05/2020 00:00
 (foto: Ana Rayssa/CB/D.A. Press)
(foto: Ana Rayssa/CB/D.A. Press)


Com a reabertura dos comércios e shoppings, empresários precisam driblar a crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus e se reinventar para atrair os consumidores, aumentar as vendas e reduzir perdas. Tudo, é claro, com muita segurança, tanto para o consumidor quanto para o lojista. Nada de aglomerações. Contudo, para especialistas e entidades do setor, a recuperação será lenta e o segmento deverá demorar a voltar à normalidade.

Na avaliação do vice-presidente do Sindicato do Comércio Varejista do Distrito Federal (Sindivarejista-DF), Sebastião Abritta, o cenário é incerto e, segundo ele, os clientes serão cautelosos na hora de comprar. ;Os produtos que estão saindo mais em termos de venda são as roupas e calçados. Nossa esperança é de que o comércio varejista fique positivo entre 60 e 90 dias, dependendo do ramo da atividade, para recuperar todo esse tempo de fechamento;, afirmou.

A taxa de desemprego total do DF aumentou no último mês, chegando a 20,7% e alcançando cerca de 333 mil moradores da capital. O número é 0,9% maior do que o do mesmo período do ano passado, quando havia 320 mil pessoas desempregadas na capital. Os dados são da Pesquisa de Emprego e Desemprego pela Companhia de Planejamento (Codeplan), em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Contudo, o desemprego pode atingir mais 15 mil trabalhadores nos próximos dias, como estima Sebastião Abritta. ;Vai depender muito da reabertura de outros segmentos, como bares e restaurantes. Tem toda uma cadeia produtiva, mas se o empregador não perceber que não haja demanda para aquele número de funcionários, esse empregado será demitido;, acrescentou.

Os shoppings centers da capital puderam reabrir na última quarta-feira, entre 13h e 19h. Funcionários e clientes formaram fila do lado de fora para passar pelo medidor de temperatura ; uma das propostas condicionadas pelo GDF para a retomada. De acordo com o vice-presidente do Sindivarejista-DF, o movimento nesses estabelecimentos ainda está fraco. ;Nossa maior preocupação é com o Dia dos Namorados, que é a melhor data depois do Natal, no que diz respeito às vendas. Esperamos ter um bom retorno;.

Para o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio), Francisco Maia, os empresários entenderam a necessidade de tomar os devidos cuidados de higiene, visando a saúde dos clientes e funcionários. ;Pelo que verificamos, os estabelecimentos estão cumprindo todas as medidas impostas e essa é a nossa maior preocupação. Seguindo as orientações, o comerciante transmite tranquilidade ao cliente e demonstramos que outros segmentos podem reabrir daqui 10 dias, como bares e restaurantes, um dos mais afetados por essa crise;, ressaltou.





Expectativa
Giovanni Romano, 60 anos, é proprietário de três lojas de chocolate em três shoppings da capital. Ele conta que, no período em que os estabelecimentos estiveram fechados, a direção decidiu adotar o serviço delivery e funcionou. ;Fizemos um bom trabalho de divulgação nas redes sociais e tivemos um resultado bem expressivo, que não esperávamos. No período da Páscoa, por exemplo, vendemos todas as mercadorias;, disse.

Durante o período da pandemia, o empresário precisou demitir alguns funcionários, mas mantém uma expectativa positiva. ;O que sinto é que os shoppings começam a ter um pequeno movimento e os clientes estão voltando aos poucos. Nossas lojas, por exemplo, estão recebendo alguns clientes, principalmente aqueles que procuram presente para o Dia dos Namorados. Mas, agora, entendemos que o cenário mudou, inclusive a forma de atender ao cliente. Não dá para ficar do lado do consumidor ajudando ele escolher o produto. Sabemos das medidas de prevenção e da importância de manter determinada distância;, destacou.

Na avaliação de Ciro Almeida, economista da G2W Investimentos, o setor produtivo levará um tempo para se recompor. ;A retomada vai ser pautada na expectativa de confiança do consumidor, em quem manteve emprego se vai continuar empregado, com mesmo salário, com os mesmos hábitos de consumo;, avaliou.

O economista avalia que a capital da República sofrer impacto, também, em razão do turismo corporativo. ;Brasília é muito dependente do setor público. Antes da pandemia, era comum as pessoas desembarcarem aqui para participar de reuniões de trabalho. Consequentemente, elas gastavam com alimentação e hospedagem, o que gerava muito lucro. Mas, agora, como fazer isso?;, acrescentou.




"Nossa esperança é de que o comércio varejista fique positivo entre 60 e 90 dias, dependendo do ramo da atividade, para recuperar todo esse tempo de fechamento;

Sebastião Abritta, vice-presidente do Sindivarejista-DF




"Pelo que verificamos, os estabelecimentos estão cumprindo todas as medidas impostas e essa é a nossa maior preocupação;

Francisco Maia, presidente da Fecomércio





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