O imprecionante Weintraub

O imprecionante Weintraub

Demissão põe fim a uma gestão tumultuada, provocada pelo estilo sem filtro e agressivo do ex-ministro na defesa ideológica do governo. Indicado para um cargo no Banco Mundial, só assume se tiver o nome aprovado por um grupo de países

INGRID SOARES RENATA RIOS
postado em 19/06/2020 00:00
 (foto: reprodução/Youtube)
(foto: reprodução/Youtube)

Após um ano e dois meses, Abraham Weintraub foi demitido do Ministério da Educação, na tarde de ontem. Em meio a uma gestão marcada por polêmicas e projetos parados, ele anunciou a saída por meio de um vídeo postado nas redes sociais, ao lado de Jair Bolsonaro. Afirmou que deixará o governo para, provavelmente, assumir um cargo na direção do Banco Mundial (Bird) ;; conforme indicação do presidente, numa saída honrosa para não abandonar seu fiel escudeiro. Assim, o presidente tenta diminuir o atrito entre o Executivo e o Judiciário cujos insultos do ex-ministro aos integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) foram uma mancha a mais no relacionamento.
;Sim, desta vez é verdade. Eu estou saindo do MEC e vou começar a transição, agora. E, nos próximos dias, eu passo o bastão para o ministro que vai ficar no meu lugar, interino ou definitivo;, anunciou, no vídeo.


Weintraub também não quis comentar os motivos que levaram a sua saída. ;Neste momento não cabe. O importante é dizer que eu recebi o convite para ser diretor de um banco. Já fui diretor de um banco no passado. Volto ao mesmo cargo, porém, no Banco Mundial. O presidente já referendou e, com isso, eu, minha esposa, nossos filhos, e até a nossa cachorrinha, Capitu, vamos poder ter a segurança que hoje está me deixando muito preocupado;.


E completou: ;Estou fechando um ciclo e começando outro. E é claro que eu continuo apoiando o senhor (Bolsonaro), como fiz nos últimos três anos, desde que a gente se conhece. Neste período, eu vi um patriota, que defende os mesmos valores que eu sempre acreditei: a família, a liberdade, a honestidade a franqueza o patriotismo e que tem Deus no coração. Agradeço a honra que foi participar do seu governo, desejo toda sorte e o sucesso que o senhor merece, nesse desafio gigante que é tentar salvar o Brasil. Eu continuarei lutando pela liberdade, mas de outra forma;, concluiu.


Com ar grave, Bolsonaro comentou, em seguida, classificando o momento como ;difícil;. ;É um momento difícil. Todos os meus compromissos de campanha continuam de pé. Busco implementá-los da melhor forma possível. A confiança você não compra, você adquire. Todos que estão nos ouvindo agora são maiores de idade, sabem o que o Brasil está passando. E o momento é de confiança. Jamais deixaremos de lutar por liberdade. Eu faço o que o povo quiser;, disse.


Na volta ao ministério, após reunião com Bolsonaro, Weintraub se recusou a falar com a imprensa e justificou ironizando a multa que recebeu do governo do Distrito Federal por não usar máscara numa manifestação, na Esplanada dos Ministérios. ;Não estou podendo falar. Estou obedecendo ao Ibaneis e, com isso aqui (a máscara), não consigo falar;.
Com a saída de Weintraub, o secretário executivo do MEC, Antonio Paulo Vogel, assume interinamente. Na lista de possíveis sucessores, o secretário nacional de Alfabetização, Carlos Nadalim, tido como favorito, está praticamente fora. Como o ex-ministro, é seguidor do escritor Olavo de Carvalho e defensor do homeschooling, mas, também por ter perfil radical, perdeu pontos na indicação.


O governo também oficializou a indicação de Weintraub para diretor-executivo do grupo de países ;; conhecido como constituency ; que o Brasil lidera no Bird (do qual fazem parte Colômbia, Equador, Trinidad e Tobago, Filipinas, Suriname, Haiti, República Dominicana e Panamá, que precisam aprovar o nome do ex-ministro para que ele possa assumir o cargo). (Colaborou Rosana Hessel)

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