Em Ceilândia, com 135 mortos, 90% da população não têm plano de saúde

Em Ceilândia, com 135 mortos, 90% da população não têm plano de saúde

Segundo a Secretaria de Saúde, a capital atravessa o auge da pandemia, sendo que a queda de casos deve ocorrer em até duas semanas. Unidade referência de enfrentamento à covid-19, Hran tem 20 leitos de UTI, todos ocupados

Alan Rios
postado em 05/07/2020 00:00
 (foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)

O Hospital Regional da Asa Norte (Hran) atingiu a capacidade máxima de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI). A Secretaria de Saúde divulgou ontem que a ;UTI da unidade tem capacidade para 20 leitos, que estão ocupados com 20 pacientes;. A lotação ocorre quando o Distrito Federal registrou mais 22 mortes em decorrência do novo coronavírus, segundo o mais recente boletim epidemiológico. Atualmente, a capital acumula 55.760 infecções e 610 óbitos, com 12.587 pessoas que lutam contra a infecção ativa, ou seja, em tratamento. Os números podem representar o pico da pandemia no DF, segundo projeções do governo.

A Secretaria de Saúde acrescentou que pacientes do Hran podem ser encaminhados a outras unidades da rede. ;Os pacientes internados nas alas, nos boxes de emergência e na enfermaria dos andares, se tiverem quadro clínico agravado e houver a necessidade, serão intubados e, em seguida, regulados para leito de UTI nos hospitais da rede. Também podem ser encaminhados para leitos de suporte avançado, pois passam a ter classificação vermelha e ganham prioridade 1 para irem para UTI;, detalhou a pasta, em nota.

Além disso, o hospital de campanha do Estádio Nacional Mané Garrincha confirmou a alta de 400 pacientes durante o funcionamento, em pouco mais de um mês. Aberto oficialmente em 22 de maio, o espaço conta com 197 leitos, que são utilizados para casos que não são considerados graves, de pacientes que já enfrentaram o período crítico da doença, mas necessitam de cuidados médicos e não podem recorrer ao isolamento domiciliar.

Sobre a lotação de leitos, Walter Ramalho, epidemiologista e professor da Universidade de Brasília (UnB), integrante do grupo Observatório Covid-19 do Distrito Federal, considera que são necessárias ações contínuas de combate ao vírus que estudem o momento atual, para impedir o colapso. ;Temos de acompanhar a evolução da doença diariamente. Hoje, a curva de contaminação está ascendente. Pelas informações da Secretaria, há como lidar com a capacidade instalada atualmente, mas, se houver aumento ou casos nessa mesma velocidade, a situação muda;, explica. ;A partir da semana que vem, devemos diminuir a quantidade de casos, segundo projeções. Se isso acontecer, ótimo. Mas se continuar crescendo, temos de pensar em novas ações;, disse.

O especialista avalia que o cenário ideal é algo complicado em uma situação de pandemia. ;Estamos em um momento delicado e, desde março, em um regime de afastamento de pessoas. Mas precisamos observar países com sucesso, que tiveram comprometimento social, das próprias pessoas e de uma articulação institucional, de forma muito bem-feita e coordenada. Ou seja, para a população, é preciso ficar em casa, enquanto para o lado governamental, é preciso dar subsídios para que elas fiquem;, avalia.

Dados

Além dos 22 óbitos, foram registrados, ontem, mais 1.764 casos de infecção no DF. O levantamento mostra que Ceilândia continua como a cidade com mais confirmações da doença, 7.223. Em seguida, aparece o Plano Piloto, com 4.003 registros. Taguatinga, com 3.880, ultrapassou Samambaia e é a terceira região com maior número de infectados. O DF também registra 42.502 pessoas que se recuperaram da covid-19. ;Provavelmente, estamos atravessando o pico (ou platô) da ocorrência de casos, de acordo com as projeções realizadas pela pasta. Com base na curva da pandemia em outros estados, em geral, a diminuição do número de casos ocorre, aproximadamente, uma a duas semanas após o pico;, inform ou a Secretaria de Saúde.

Enquanto isso, o Correio flagrou ontem aglomerações. Algumas à beira do Lago Paranoá, que, à noite, foi tomada por dezenas de jovens. Eles reuniram-se ao lado da Ponte JK, e várias pessoas estavam sem a máscara de proteção facial. Os frequentadores usaram o espaço para conversar, beber, comer e se divertir, sem cumprir as recomendações mínimas de especialistas em saúde. O DF Legal realiza orientações em casos como esse. O órgão só atua em eventos que exijam licença do governo e informa que não pode restringir direitos individuais.



Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação