Isolados, sim. Desconectados, nunca

Isolados, sim. Desconectados, nunca

Com o isolamento, as redes sociais se tornaram, mais so que nunca, essenciais para que as pessoas interajam com o mundo externo. Nesse contexto, uma ferramenta tem atraído gente de todas as idades: o TikTok reúne crianças, jovens, adultos e idosos em um mesmo ambiente virtual

Por Ailim Cabral
postado em 05/07/2020 00:00
 (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press
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(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press )
O isolamento social trouxe diversas mudanças nas nossas formas de interação com o mundo externo e com os outros. E não há como negar que as redes sociais se tornaram, mais do que nunca, uma ponte com a sociedade. Em alguns casos, para quem vive só, é uma das únicas formas de interagir com amigos e familiares.

Nessa busca, as pessoas conectaram-se em novas redes sociais e aplicativos, buscando entretenimento e interação, e uma plataforma que tem se destacado nesse processo é o TikTok. Com efeitos de vídeo e som, a possibilidade de criar conteúdo original ou dublar e recriar tendências e desafios, o aplicativo tem atraído usuários das mais variadas idades. O sucesso é tanto que o app, desenvolvido na China, fez o todo-poderoso Instagram correr atrás e criar uma ferramenta similar, o Reels.

Na página inicial do TikTok, em poucos minutos, é possível ver vídeos criados por crianças, adolescentes, jovens, adultos e até idosos, que, mais recentemente, descobriram o aplicativo. Além de ter produtores de todas as idades e classes sociais, os consumidores desses conteúdos também se diversificam.

O bancário e tiktoker, como são chamados os usuários da rede, Yan Carlo Pacheco de Lima, 30 anos, começou apenas assistindo aos vídeos e hoje tem um perfil com mais de 20 mil seguidores. Ele baixou o app em janeiro e, um mês depois, enxergou a possibilidade de vencer a timidez e investir nas encenações, pois sempre gostou de exercitar o lado artístico. ;Tornou-se uma ferramenta para que eu fosse me desinibindo aos poucos;, conta.

Com o início do isolamento social, a frequência de Yan no TikTok aumentou. ;Chegava em casa e só ia mexer com isso depois das 23h. Agora, consigo me dedicar mais e aprimorei meu conteúdo;. Com mais tempo, o número de seguidores e visualizações também aumentou. Yan investe em um dos queridinhos do TikTok, os vídeos de dublagem e humor. O bancário acredita que, no começo, as pessoas tinham um certo preconceito com o conteúdo da rede, achavam que era ;pagar mico;, pelo tom divertido e os filtros que têm a função de divertir e não embelezar.

;No Instagram, as pessoas preferem se mostrar sempre bonitas e glamourosas; no TikTok, não. A gente faz piada com a gente mesmo e não tem medo de parecer ridículo, porque a ideia é se divertir e tirar o foco dos problemas. Ser feliz consigo mesmo;, afirma.

Yan acredita que liberdade para ousar, brincar e se jogar sem se preocupar são alguns dos elementos responsáveis pelo grande sucesso do aplicativo com um público diversificado. Outro aspecto importante, para ele, é o engajamento do conteúdo: você não precisa estar entre os mais famosos do app para ter seu vídeo na página inicial, e isso permite que os usuários cresçam com mais facilidade.

Natureza humana

A psicóloga Fabiana Vieira Gauy afirma que, com o isolamento social, as pessoas têm buscado estratégias de conexão. E, pela facilidade de navegar e criar no TikTok, ele tem sido uma das ferramentas preferidas. Além de ser uma maneira de se conectar com os outros e lidar com o distanciamento, Fabiana acrescenta que a rede traz o alívio do tédio com o lado cômico e descontraído. E tem a vantagem de ser uma plataforma que inclui o público infantil, sem restrições de idade, como outras redes.

A profissional atribui o grande aumento no número de acessos e perfis justamente à diversidade e à facilidade de navegação. ;Ajuda as pessoas a lidar com a necessidade de interação social, que faz parte da natureza humana.;

Cuidado com os excessos

Apesar de o TikTok trazer inúmeros desafios que reúnem a família e permite a interação entre os mais velhos e os mais jovens, é importante ficar de olho nos excessos. ;Não podemos esquecer que o uso excessivo de eletrônicos pode ser prejudicial para crianças e mesmo para os adultos. No momento em que vivemos, esse tempo aumentou naturalmente, mas precisamos tomar cuidados;, alerta a psicóloga Fabiana Vieira Gauy.

O home office e as aulas on-line já aumentam consideravelmente o tempo em que passamos em equipamentos eletrônicos, a isso somam-se as redes sociais e o lazer dos jogos, além das chamadas de vídeo com amigos e parentes distantes. Fabiana sugere o equilíbrio. É ótimo que a família se divirta virtualmente e crie conteúdo unida, mas também é importante investir em outras formas de entretenimento, como jogos de tabuleiro, assistir a filmes e até mesmo cozinhar juntos.

O endereço dos nossos entrevistados
Yan ; @yancpl
Catarina ; @catarina7778
Maria Eduarda ; @mariaa_mml
Aline ; @alineolica
Roze ; @roze5souza
Maju ; @maju4souza

Boicote ao Facebook
Uma campanha de boicote mundial ao Facebook ameaça a rede e o Instagram, ambos de Mark Zuckerberg. O protesto é liderado por ONGs norte-americanas que combatem o preconceito e o antissemitismo e exigem que as plataformas tenham mais ações contra racismo, discursos de ódio e disseminação de notícias falsas. O boicote conquistou apoio de marcas de moda esportiva, como a The North face e a Patagonia, de grandes conglomerados, como a Unilever, e de marcas como Starbucks, Coca-Cola e PepsiCo, que prometem suspender a publicidade nas redes, algumas podendo chegar até o fim do ano sem retomar os anúncios. A campanha já custou cerca de R$ 39 bilhões a Zuckerberg, que anunciou novas ações para combater publicações com discurso político que violem suas regras e medidas de proteção a minorias.


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