Hamas dispara foguetes em direção ao Mar Mediterrâneo

Pelo menos oito foguetes cortaram o céu de Gaza em direção ao Mar Mediterrâneo, notaram jornalistas no local

Agência France-Presse
postado em 10/08/2020 11:28 / atualizado em 10/08/2020 11:32
 (foto: Mohammed ABED / AFP)
(foto: Mohammed ABED / AFP)

Os islamitas do movimento palestino Hamas dispararam, nesta segunda-feira (10/8), foguetes em direção ao Mar Mediterrâneo a partir da Faixa de Gaza, que controlam, após trocas de tiros nos últimos dias com Israel, segundo fontes da segurança e testemunhas.

Na parte da manhã, pelo menos oito foguetes cortaram o céu de Gaza em direção ao Mar Mediterrâneo, notaram jornalistas da AFP no local, enquanto o Ministério do Interior do enclave palestino, sob controle do Hamas desde 2007, evocou um "ato de resistência".

Esses foguetes são uma "mensagem" a Israel para que saiba que os grupos armados em Gaza não "permanecerão em silêncio" diante do bloqueio e da "agressão" israelense, disse à AFP uma fonte próxima ao Hamas.

Na semana passada, balões incendiários foram lançados três vezes do enclave palestino para Israel, cada vez levando a ataques de retaliação israelenses contra posições do Hamas.

O último ataque ocorreu esta madrugada. Os militares israelenses anunciaram que seus aviões de combate atingiram postos de observação do Hamas no norte de Gaza, um enclave empobrecido de dois milhões de pessoas sob bloqueio israelense por mais de uma década.

O Hamas e Israel travaram três guerras (2008, 2012, 2014).

Apesar de uma trégua no ano passado, favorecida pela ONU, Egito e Catar, os dois lados entram em confronto esporadicamente com foguetes, morteiros ou balões incendiários de Gaza e ataques retaliatórios do Exército israelense.

De acordo com analistas palestinos, os tiros a partir de Gaza costumam ter como objetivo pressionar o Estado judeu a dar luz verde para a entrada de ajuda financeira do Catar no enclave.

"Esses foguetes e balões incendiários são mensagens do Hamas a Israel para melhorar as condições econômicas no enclave, aliviar o bloqueio e implementar parte dos acordos alcançados pelos dois lados via Egito", disse à AFP Jamal Al-Fadi, professor de ciência política na Universidade Al-Azhar em Gaza.

"Não espero uma guerra porque nenhum dos lados quer uma guerra" nesta fase, acrescentou.

De acordo com o Banco Mundial, cerca de 53% da população de Gaza vivia abaixo da linha da pobreza antes da crise da covid-19, mas esse número pode aumentar para 64% devido à desaceleração econômica ligada à pandemia.

No momento, 81 casos do novo coronavírus, incluindo uma morte, foram identificados na Faixa de Gaza, onde as escolas também reabriram neste fim de semana.

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