Líbano

Hezbollah rejeita um governo neutro

Após a renúncia de Hassan Diab, secretário-geral do movimento xiita defende coalizão de partidos e ataca acordo que estabelece relações entre Emirados Árabes e Israel

Correio Braziliense
postado em 14/08/2020 22:53
 (foto: AFP)
(foto: AFP)

Em meio à crise política instalada no Líbano após a megaexplosão de um armazém no porto de Beirute, que deixou mais de 170 mortos, o secretário-geral do Hezbollah, Hasan Nasrallah, rejeitou, ontem, os pedidos da comunidade internacional para a formação de um governo neutro no país. Diante da lacuna de poder aberta pela renúncia do ex-premiê Hassan Diab, o líder da organização xiita mostrou-se favorável a uma coalizão de partidos tradicionais.
“Pedimos a formação de um governo de união nacional e, se isso não for possível, um governo com a mais ampla representação possível de políticos e especialistas”, declarou. Nasrallah considerou que buscar um governo isento seria “uma perda de tempo”. “Não há pessoas neutras no Líbano”, assinalou, reivindicando “um governo forte e capaz”, politicamente “protegido” pelos partidos.
O discurso do líder do Hezbollah, semelhante ao do Irã, foi proferido depois que David Hale, o número três da diplomacia americana, disse que os Estados Unidos estavam dispostos a apoiar um governo “que responda à vontade do povo”. Uma formação, destacou Hale, que “se comprometa de forma honesta e atue em favor de uma mudança real”.


Pacto

No pronunciamento, Nasrallah também criticou o acordo para normalizar as relações entre os Emirados Árabes Unidos e Israel, que deve ser assinado em três semanas, sob a mediação do presidente americano, Donald Trump. “É uma traição a Jerusalém e ao povo palestino”, afirmou o líder do movimento xiita libanês, aliado ao Irã, inimigo de Israel.
O pacto fará dos Emirados o terceiro país árabe a seguir esse caminho desde a criação do Estado hebreu, em 1948, depois do Egito e da Jordânia. Como parte do acordo, Israel compromete-se a suspender seu projeto de anexar territórios palestinos, uma concessão saudada por governos europeus e alguns governos árabes como um incentivo às esperanças de paz.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou, contudo, que a anexação de partes da Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967, ainda está nos planos.
Para os palestinos, o acordo é uma deslealdade à sua causa, incluindo sua reivindicação de tornar Jerusalém Oriental — anexada e ocupada por Israel — a capital do Estado que aspiram. Tanto que anunciaram que vão retirar seu embaixador dos Emirados Árabes Unidos e solicitaram uma reunião de emergência da Liga Árabe.
Ontem, após a oração muçulmana do meio-dia em Jerusalém, em frente à mesquita de Al Aqsa, os fiéis pisotearam as fotos do príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Mohammed bin Zayed Al-Nahyan. Na cidade ocupada de Nablus, na Cisjordânia, um grupo queimou imagens do xeque dos Emirados, de Netanyahu e de Trump.

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