EUA

Democratas focam em "complô" postal

Oposição tenta mobilizar eleitores contra possível manobra de Donald Trump para comprometer o serviço de correio e, consequentemente, as eleições. Em razão da pandemia, até metade dos americanos pode recorrer à votação por correspondência

Correio Braziliense
postado em 16/08/2020 23:13
 (foto: Michael A. McCoy/AFP)
(foto: Michael A. McCoy/AFP)

Além de fortalecer a dupla de candidatos que disputará a Casa Branca em novembro, a Convenção Nacional Democrata, que se inicia hoje, tentará mobilizar eleitores contra o que a oposição chama de um complô republicano para comprometer o funcionamento do Serviço Postal dos Estados Unidos (USPS) e, consequentemente, as eleições presidenciais. O serviço, conhecido por fazer entregas em qualquer condição climática, terá papel importante no próximo pleito — em função da pandemia da covid-19, são esperados milhões de votos por correspondência. Donald Trump, porém, se opõe a dar mais dinheiro para a agência com problemas de liquidez e colocou um amigo pessoal em um posto estratégico do órgão.

Louis DeJoy assumiu o cargo de diretor-geral do correio americano recentemente e é um grande doador da campanha do republicano. Ontem, políticos mobilizaram-se para que DeJoy e o presidente da USPS, Robert Duncan, deponham em uma audiência, no próximo dia 24, perante uma comissão da câmara dos deputados. “O presidente expressou explicitamente a intenção de manipular o serviço postal para negar que eleitores registrados acessem as urnas, em busca da própria reeleição”, afirmaram, em declaração conjunta, Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes, Carolyn Maloney, presidente do Comitê de Supervisão, e Chuck Schumer, líder da minoria democrata no Senado.

Para o trio, o diretor-geral e funcionários de alto escalão do USPS “precisam responder ao Congresso e ao povo americano por que estão colocando em prática essas perigosas novas políticas que ameaçam silenciar as vozes de milhões apenas meses antes da eleição”. Alguns democratas pediram que a Câmara dos Representantes abrevie o recesso de verão para tomar medidas que protejam os correios. “Essa é uma crise para a democracia norte-americana”, afirmou o senador Bernie Sanders, ex-adversário do candidato democrata Joe Biden, ao canal ABC.

Biden denunciou que Trump “não quer eleições”. A senadora Kamala Harris, que aceitou a indicação do partido para concorrer como vice-presidente, também se manifestou pelas redes sociais: “Não podemos permitir que Donald Trump destrua o Serviço Postal dos Estados Unidos (USPS)”, escreveu, em seu perfil no Twitter.

Onda de cortes
O órgão supervisor interno do USPS começou a investigar uma onda de cortes de custos iniciada pelo diretor-geral Louis DeJoy. A medida desacelerou a entrega de correspondências pelo país, chamando a atenção dos opositores. Há projeções de que até metade dos eleitores recorram à votação por correspondência neste ano. Trump, por sua vez, argumenta que uma votação generalizada pelo correio seria uma “catástrofe”.

Para o presidente, o serviço é mal administrado. “Precisam do dinheiro para que as agências dos correios funcionem, de modo que possam transportar milhões e milhões de cédulas eleitorais. Mas se não recebem (...) isso significa que não se pode ter uma votação universal pelo correio”, afirmou, na última quinta-feira, em entrevista à Fox News. Em abril, o líder republicano reconheceu que a votação pelo sistema postal “não funcionaria bem para os republicanos”, e, em repetidas oportunidades, insinuou uma ameaça de fraude, o que é descartada por vários especialistas.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Postais, Mark Dimondstein, atribui o lento funcionamento dos correios às medidas implementadas por Louis DeJoy. Segundo ele, recentemente o pagamento de horas extras foi reduzido. A combinação dessa medida com o fato de quase 40 mil trabalhadores estarem cumprido as restrições da quarentena desde março tem gerado atrasos nas entregas das correspondências, segundo ele.

No comunicado, os democratas destacam que DeJoy “tem atuado como um cúmplice na campanha do presidente para trapacear nas eleições, ao lançar mudanças operacionais radicais que prejudicam os padrões de entrega”. O chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, rebateu afirmando que a oposição obteria mais fundos postais se desbloqueasse o acordo para um pacote econômico. “Se meus amigos democratas estão todos chateados com isso, retornem a Washington para alcançar um pacote de estímulo que inclua a ajuda para pequenas empresas”, declarou à CNN.

As discussões no Congresso seguem paralisadas sobre um novo projeto de lei que acompanharia o estímulo de US$ 2,2 trilhões aprovado em março, devido à pandemia. À medida que aumentam as preocupações sobre a capacidade do USPS para administrar o aumento esperado dos votos pelos correios e o embate de democratas e republicanos em torno do tema, estados buscam garantir a participação de seus residentes. A Pensilvânia, por exemplo, pediu à Corte Suprema que adie a data limite para aceitar as cédulas por correio.

Democratas focam em "complô" postal

Morre o irmão mais novo de Trump

 (foto: Desiree Navarro/AFP)
crédito: Desiree Navarro/AFP

O irmão mais novo de Donald Trump faleceu morreu no sábado, um dia depois de receber uma visita do presidente. Robert, 71 anos, estava internado no Hospital Presbiteriano de Nova Iorque, informou a Casa Branca, que não divulgou a causa da morte. Jornais americanos divulgaram que ele sofreu um sangramento cerebral após uma queda.“É com o coração pesado que compartilho que meu maravilhoso irmão, Robert, faleceu pacificamente essa noite. Ele não era apenas meu irmão, ele era meu melhor amigo. Sentiremos muito sua falta, mas nos encontraremos novamente. Sua memória viverá no meu coração para sempre. Robert, eu te amo. Descanse em paz”, declarou, em comunicado, Trump.

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