Países europeus pedem a Putin que pressione por diálogo em Belarus

Milhares de pessoas voltaram a se concentrar ao cair da noite na Praça da Independência de Minsk com bandeiras brancas e vermelhas, símbolos da oposição, para pedir a renúncia de Lukashenko

Agência France-Presse
postado em 18/08/2020 17:12 / atualizado em 18/08/2020 17:15
 (foto: Sergei GAPON / AFP)
(foto: Sergei GAPON / AFP)

Dirigentes europeus pediram nesta terça-feira (18/8) ao líder russo, Vladimir Putin, que pressione o presidente bielorrusso, Alexandre Lukashenko, para que inicie um diálogo com a oposição, após dez dias de protestos nas ruas, duramente reprimidos pelo regime.

Milhares de pessoas voltaram a se concentrar ao cair da noite na Praça da Independência de Minsk com bandeiras brancas e vermelhas, símbolos da oposição, para pedir a renúncia de Lukashenko, reeleito em 9 de agosto, segundo resultados oficiais, rejeitados pela oposição.

Anteriormente, os oposicionistas haviam se reunido em frente ao local onde está detido o marido de Svetlaka Tikhanovskaya, a principal adversária de Lukashenko nas eleições, e que denunciou um "sistema podre".

Desde a contestada votação de 9 de agosto, a pressão é crescente sobre Lukashenko, de 65 anos, no poder desde 1994.

Declarado vencedor do pleito, com 80% dos votos, ele enfrenta, além de manifestações diárias, um movimento grevista que afeta cada vez mais indústrias vitais para a economia do país.

Três telefonemas para Putin

Putin recebeu três telefonemas respectivamente do presidente francês, Emmanuel Macron; da chanceler alemã, Angela Merkel; e do presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

Merkel pediu a Putin que faça o regime bielorrusso entender que deve "renunciar à violência" e Michel exigiu um "diálogo pacífico e verdadeiramente inclusivo".

Putin expressou em cada um dos telefonemas seu repúdio a "qualquer tentativa de ingerência estrangeira" em Belarus e, segundo a agência de notícias estatal bielorrusssa, Belta, informou Lukashenko sobre o conteúdo das conversas.

A atitude de Putin, o presidente mais próximo a Lukashenko, é crucial para a crise, segundo todos os analistas.

Conhecido pela linha-dura, o presidente bielorrusso advertiu que o "Conselho de Coordenação", criado pela oposição, é uma "tentativa de usurpar o poder".

"Exigem-nos, nem mais, nem menos, que lhes transfiramos o poder. Isto nos parece inequívoco, se trata de uma tentativa de tomar o poder com todas as consequências que isso desencadear", declarou Lukashenko ante seu Conselho de Segurança.

Nesta terça, o presidente entregou mais de 300 medalhas a membros do Ministério do Interior "por um serviço impecável".

Aniversário na prisão

As 200 pessoas que se aproximaram nesta terça-feira do centro de detenção N°1 de Minsk desejaram um feliz aniversário a Serguei Tikhanovski, de 42 anos, e exigiram sua libertação.

Ele é acusado de "perturbar a ordem pública" e pode ser condenado a vários anos de prisão.

Detido desde 29 de maio, este conhecido blogueiro tinha apresentado sua candidatura às eleições presidenciais contra Lukashenko. Após ser preso e impedido de ser candidato, sua esposa assumiu a candidatura.

Da Lituânia, onde está refugiada com os filhos, Svetlana Tikhanovskaya, de 37 anos, denunciou em um vídeo publicado no YouTube as acusações contra seu marido, qualificando-as de "montagem" para que "se cale e não participe da campanha eleitoral".

"Todas as injustiças flagrantes e esta arbitrariedade nos mostram como funciona este sistema podre, no qual uma pessoa controla tudo", declarou Tikhanovskaya. "Uma pessoa mantém o país submetido ao medo há 26 anos", acrescentou.

O Conselho de Coordenação que quer realizar uma transição em Belarus é formado, entre outros, por Svetlana Aleksievich, prêmio Nobel de literatura.

Até agora, os protestos deixaram pelo menos dois mortos, dezenas de feridos e mais de 6.700 detidos, muitos dos quais denunciaram torturas e agressões.

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