Chefe da campanha de Trump em 2016 foi conivente com espião russo, diz Senado

Paul Manafort compartilhou secretamente informações da campanha com um oficial de inteligência russo, representando uma "grave" ameaça de espionagem para os Estados Unidos

Agência France-Presse
postado em 18/08/2020 17:50 / atualizado em 18/08/2020 17:51
Nesta foto de arquivo Paul Manafort chega para uma audiência no Tribunal Distrital dos Estados Unidos em 15 de junho de 2018 em Washington, DC. -  (foto: MANDEL NGAN / AFP)
Nesta foto de arquivo Paul Manafort chega para uma audiência no Tribunal Distrital dos Estados Unidos em 15 de junho de 2018 em Washington, DC. - (foto: MANDEL NGAN / AFP)

O chefe da campanha que levou Donald Trump à presidência dos Estados Unidos em 2016 compartilhou secretamente informações com um oficial da inteligência russa, representando uma "séria" ameaça de espionagem ao país, de acordo com um relatório do Senado divulgado nesta terça-feira (18/8).

Antes e durante os quase seis meses em que participou da campanha de Trump, Paul Manafort, um veterano consultor político republicano, se comunicou direta e indiretamente com Konstantin Kilimnik, identificado como um oficial de inteligência russo, e Oleg Deripaska, um influente cidadão próximo a Vladimir Putin, disse o relatório do Comitê de Inteligência do Senado.

"Em várias ocasiões, Manafort procurou compartilhar secretamente informações internas da campanha com o Kilimnik", incluindo detalhes das pesquisas e estratégia, disse a comissão.

O relatório indica que não está claro os motivos da troca de informações, mas afirma que o intercâmbio ocorreu exatamente quando a inteligência russa (GRU) e redes sociais ligadas ao governo buscavam ativamente com que a eleição fosse favorável a Trump.

Manafort "estava se comunicando secretamente com um oficial da inteligência russa ... enquanto a operação da inteligência russa para ajudar Trump estava em andamento", descreveu o relatório.

"Em conjunto, o acesso de alto nível de Manafort e a disposição de compartilhar informações com pessoas intimamente associadas aos serviços de inteligência russos, em particular os associados de Kilimnik e Oleg Deripaska, representam uma séria ameaça de contrainteligência", disse o texto.

O relatório do Senado, resultado de uma investigação de três anos sobre a interferência russa na eleição de 2016, descreveu vários incidentes nos quais a campanha de Trump buscou ativamente a ajuda de Moscou e do WikiLeaks para prejudicar a rival do magnata republicano, Hillary. Clinton.

O documento é divulgado enquanto a inteligência dos EUA alerta para as tentativas da Rússia de interferir na atual corrida presidencial pró-Trump.

O comitê do Senado reproduz muitas das conclusões da investigação do procurador especial do Departamento de Justiça, Robert Mueller, que descreveu vários contatos entre a campanha de Trump e a Rússia, mas sem provas suficientes para acusações criminais.

Manafort foi investigado por Mueller e condenado por múltiplas denúncias de fraude fiscal e bancária além de lavagem de dinheiro relacionadas a negócios na Ucrânia. No entanto, nenhuma das acusações estava relacionada à campanha de Trump.

No ano passado, esse homem de 71 anos foi condenado a sete anos e meio de prisão, mas em maio obteve prisão domiciliar devido à ameaça do coronavírus.

Trump sugeriu repetidamente que poderia perdoar Manafort.

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