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União Europeia rejeita reeleição de Lukashenko, que reforça repressão

Correio Braziliense
postado em 19/08/2020 22:41
 (foto: Sergei Gapon/AFP)
(foto: Sergei Gapon/AFP)

Ao fim de uma reunião extraordinária, a União Europeia (UE) rejeitou, ontem, o resultado da eleição que deu o sexto mandato presidencial a Alexander Lukashenko, que está há 26 anos no comando da Bielorrússia. Ao anunciar a decisão, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, declarou estar “ao lado” da população e prometeu sanções adicionais. Lukashenko, por sua vez, ordenou às forças de segurança que atuem contra “distúrbios” no país.
A crise na Bielorrússia foi tema da cúpula, que, por unanimidade, decidiu não reconhecer a reeleição de Lukashenko em 9 de agosto, com anunciados 80% dos votos. Desde então, o presidente é alvo de pressões nas ruas. Antes da cúpula, a adversária de Lukashenko nas urnas, Svetlana Tikhanovskaya, apelou aos europeus para que repudiassem o resultado “falsificado” da votação.
“Pessoas que foram defender seus votos nas ruas de suas cidades foram brutalmente espancadas, presas e torturadas pelo regime que se apega desesperadamente ao poder”, disse a líder opositora, de 37 anos, refugiada na Lituânia, para quem o presidente “perdeu toda a legitimidade”.
Lukashenko, porém, mantém suas posições. Pelo segundo dia consecutivo, convocou seu Conselho de Segurança e ordenou que as forças de segurança garantam que “não haja mais distúrbios” na capital, Minsk. “As pessoas estão cansadas, pedindo paz e sossego”, alegou.
Ele também ordenou o fortalecimento dos controles nas fronteiras, sob o argumento de que “militantes, armas, munições e dinheiro de outros países estão entrando em Belarus para financiar os distúrbios”.
No início da semana, os líderes europeus já haviam instado o presidente da Rússia, Vladimir Putin, a pressionar Lukashenko, de quem é um aliado essencial, para promoção do diálogo. O Kremlin, contudo, considerou que a crise é um assunto interno, condenando as tentativas de “interferência estrangeira”.
A postura de Moscou, parceira política, econômica e militar da Bielorrússia, é considerada crucial para o desfecho do impasse. Ontem, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse que o líder bielorrusso recusou-se a falar com ela por telefone.
A oposição tem se manifestado todos os dias desde a eleição de 9 de agosto e organizou a maior mobilização da história do país no último fim de semana, com 100 mil participantes. Também convocou um movimento de greve que atinge vários setores importantes do país.
No entanto, houve inúmeros relatos de ameaças e pressões sobre os trabalhadores das fábricas, reduzindo o número de grevistas em comparação com o início do movimento. Ontem de manha, a polícia prendeu vários manifestantes em frente à fábrica de tratores MTZ, na capital. As forças de segurança também bloquearam a entrada do Teatro Acadêmico do Estado, cujo diretor, que se juntou aos manifestantes, foi demitido.

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