MALI

Vizinhos pedem a restituição do governo

Correio Braziliense
postado em 20/08/2020 23:21

Dois dias depois do golpe militar no Mali, países africanos pediram, ontem, que Ibrahim Boubacar Keita seja reconduzido à Presidência. Alheio aos apelos da comunidade internacional, o Comitê Nacional para a Salvação do Povo (CNSP), que assumiu o comando, indicou que um “militar ou um civil” será nomeado para liderar um governo provisório.
“Estamos em contato com a sociedade civil, os partidos da oposição, a maioria, o mundo todo, para tentar estabelecer a transição”, afirmou o porta-voz, coronel Ismael Wagué. Até a noite de ontem, Keita continuava detido.
Em um curto comunicado, a junta militar anunciou a reabertura, a partir de hoje, das fronteiras aéreas e terrestres do Mali. “O comitê assegura à população que foram tomadas todas as medidas para garantir a boa circulação de pessoas e de seus bens”, destacou o comunicado, lido na TV ORTM.
Os dirigentes da Comunidade Econômica da África Ocidental (Cedeao) — formada por 15 países — reuniram-se, ontem, em uma cúpula extraordinária, por videoconferência, para discutir a crise. “O Mali encontra-se em uma situação crítica, com graves riscos de que um colapso do Estado e das instituições venha a causar retrocessos na luta contra o terrorismo e o crime organizado”, assinalou presidente da Nigéria, Mahamadou Issoufou, ao fim da cúpula, que decidiu por enviar ao Mali “uma delegação de alto nível para garantir o retorno imediato da ordem constitucional”.

Sanções

No início da reunião, Issoufou, presidente interino do Cedeao, destacou que um golpe militar anterior, em 2012, havia permitido que grupos islamitas ocupassem dois terços do território por várias semanas. Issoufou defendeu a aplicação de sanções aos militares e seus parceiros.
Ao longo de todo o dia de ontem, soldados patrulharam Bamako, a capital malinesa, que, aos poucos, retoma a rotina. Os habitantes, que saudaram a mudança de regime, voltaram ao trabalho. Eleito em 2013 e reconduzido ao cargo cinco anos depois, o presidente Keita vinha enfrentando protestos há meses.
Depois de ser preso na terça-feira, Keita foi forçado a anunciar sua renúncia e a dissolução do Parlamento e do governo. Além do ex-presidente e de seu primeiro-ministro, Boubou Cissé, os militares também detiveram vários altos funcionários civis e militares.
Novo homem-forte do país, o coronel Assimi Goita prometeu organizar eleições em um “tempo razoável”, sem, contudo, especificar um prazo.

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