Vaticano

Papa critica hipocrisia dentro da igreja: ‘se esta pessoa é católica, é melhor ser ateu'

Durante missa privada, Papa Francisco afirma que é preferível ser ateu do que católico hipócrita. Líder da igreja pede para que se deixe de utilizar a religião para "aterrorizar as pessoas"

Correio Braziliense
postado em 23/08/2020 06:00
 (foto: Pizzoli/AFP)
(foto: Pizzoli/AFP)

O Papa Francisco voltou a criticar membros da própria Igreja, ontem, afirmando que é preferível ser ateu do que um católico de vida dupla e hipócrita. Neste sábado (22/8), durante sermão improvisado em missa privada matinal em casa, o líder religioso discursou: “É um escândalo dizer uma coisa e fazer outra. Isto é uma vida dupla”.

“Existem aqueles que dizem ‘sou muito católico, sempre vou à missa, pertenço a isto e a esta associação’”, disse o chefe da Igreja Católica Romana, que tem cerca de 1,2 bilhão de membros, de acordo com transcrição da Rádio Vaticano.


O papa Francisco afirmou que essas pessoas também deveriam dizer “minha vida não é cristã, eu não pago aos meus funcionários salários apropriados, eu exploro pessoas, eu faço negócios sujos, eu lavo dinheiro, tenho uma vida dupla.”


O religioso de origem argentina continuou: “Há muitos católicos que são assim e eles causam escândalos. Quantas vezes todos ouvimos pessoas dizerem ‘se esta pessoa é católica, é melhor ser ateu’”, provocou.
Desde que assumiu o comando da Igreja, em 2013, o papa Francisco tem enfatizado a católicos, tanto padres quanto membros não ordenados, para exercerem na vida prática o que a religião preconiza.
Nos costumeiros sermões improvisados, ele condenou a violência sexual de religiosos contra crianças como sendo equivalente a uma “missa satânica”, afirmou que católicos na máfia se excomungam, e recomendou aos próprios cardeais para não viverem como se fossem “príncipes”.
Menos de 60 dias após tomar assento no trono de São Pedro, disse que os cristãos deveriam considerar ateus como pessoas boas, caso sejam boas pessoas.

Extremismo

Ainda ontem, nas redes sociais, o papa Francisco publicou um pedido para que se deixe de utilizar a religião para “aterrorizar as pessoas.” “Peço a todos que parem de instrumentalizar as religiões para incitar o ódio, a violência, o extremismo e o fanatismo cego”, publicou.


“Deus não precisa ser defendido por ninguém e não quer que o seu nome seja usado para aterrorizar as pessoas”, também aponta a postagem do líder da Igreja Católica. Mais tarde, ele fez outra publicação, na qual diz: “Deus não te ama porque te comportas bem; ele simplesmente te ama e basta. Seu amor é incondicional, não depende de ti.”


Celebrado ontem, 22 de agosto é considerado o Dia Internacional em Memória das Vítimas de Atos de Violência baseados em Religião ou Crença, conforme foi estabelecido em Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2019. A escolha da data foi apoiada pelo Brasil e outros sete países (Canadá, Egito, Jordânia, Nigéria, Paquistão, Polônia e Estados Unidos).


A postagem do papa traz a hashtag #FraternidadeHumana, que faz referência ao Documento sobre a Fraternidade Humana, firmado durante encontro com o grande imã de Al-Azhar, Ahmad al-Tayyeb, do Conselho Muçulmano de Élderes. No texto, assinado por ambos, há um apelo “a toda a consciência viva, que repudia a violência aberrante e o extremismo cego.”

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