A pandemia atinge os setores de comércio e distribuição na África do Sul

Desde o final de março, o confinamento imposto pelo governo sul-africano para conter o avanço da covid-19 paralisou o comércio no país

Agência France-Presse
postado em 23/08/2020 12:18
 (foto: MICHELE SPATARI / AFP)
(foto: MICHELE SPATARI / AFP)

Joanesburgo, África do Sul - A pandemia do coronavírus está atingindo fortemente os setores de distribuição e comércio na África do Sul, vítimas do bloqueio, colapso econômico e medo do consumidor.

Prova disso é o grupo Massmart, do gigante norte-americano Walmart, que confirmou esta semana o "impacto significativo" da crise da saúde em seu faturamento semestral, que deverá cair cerca de 42%.

De acordo com as projeções, os próximos meses se anunciam difíceis para o setor como um todo, cuja atividade representa 15% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Desde o final de março, o confinamento imposto pelo governo sul-africano para conter o avanço da covid-19 paralisou o comércio no país. Apenas alimentos, medicamentos e, em menor escala, o setor de vestuário, foram considerados serviços essenciais.

A maioria das lojas já reabriu suas portas. Na última terça-feira, as últimas restrições foram levantadas, incluindo as que afetam a venda de álcool e tabaco. A crise da saúde atingiu gravemente a economia mais industrializada do continente, justamente quando entrava em recessão.

"Os clientes têm medo"

Em um contexto de crescimento estagnado, desemprego sistêmico e desvio de recursos públicos, o novo coronavírus levará a África do Sul a uma recessão sem precedentes em 2020, de pelo menos 7%, de acordo com as últimas previsões do Banco Central.

A violência da pandemia - o país registrou mais de 600 mil infecções e 12.500 mortes - obrigou as autoridades a manterem medidas sanitárias rígidas, que afetam as finanças das empresas.

É o caso da rede sul-africana de supermercados Pick n Pay, a segunda do país, que deve financiar um programa de demissões voluntárias para 1.400 de seus 9.000 funcionários, além de fornecer material de proteção ao seu quadro de funcionários e oferecer bônus aos que estão na primeira linha de risco.

Com isso, o grupo prevê uma redução de 50% no lucro no primeiro semestre. Além disso, os custos associados à proteção de funcionários e clientes são absolutamente inevitáveis.

Segundo Lulama Qongqo, analista da Mergence Investment, "os clientes têm medo" e não irão às lojas onde não se sintam seguros.

A distribuição também é afetada pela queda do consumo causada pelo aumento do desemprego. Desde janeiro, o Banco Central já reduziu as taxas de juros em 300 pontos-base na esperança de reativar o maquinário econômico.

Vendas online

No entanto, poucos analistas acreditam que esse esforço será suficiente. “O consumo continuará caindo, e apenas quem ofertar os melhores preços poderá se salvar”, prevê Casperus Treurnicht, gerente da Gryphon Asset Management.

A queda nas compras em lojas é, no entanto, acompanhada por um aumento nas compras pela Internet. “A longo prazo, o comércio online terá retorno”, diz Lulama Qongqo.

Mas, por enquanto, seu volume é insignificante, devido à infraestrutura limitada e ao preço muito alto das assinaturas de internet: elas representam menos de 2% das vendas do país, segundo um estudo recente. Um número insuficiente para tirar a distribuição da crise.

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