Após indicação oficial, Trump acusa democratas de fraude

Apesar de seu rival democrata, Joe Biden, ser o favorito nas pesquisas, Trump se mostrou confiante na reeleição em 3 de novembro.

Agência France-Presse
postado em 24/08/2020 21:58
 (foto: MANDEL NGAN / AFP)
(foto: MANDEL NGAN / AFP)

Charlotte, Estados Unidos -  Indicado oficialmente como candidato dos republicanos nesta segunda-feira (24), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou os democratas de quererem "roubar" as eleições. Apesar de seu rival democrata, Joe Biden, ser o favorito nas pesquisas, Trump se mostrou confiante na reeleição em 3 de novembro.

Para atiçar sua base eleitoral, ele apareceu de surpresa na convenção republicana em Charlotte, Carolina do Norte, logo depois que os delegados o confirmaram como candidato, e levantou a acusação, que ele já sustenta há semanas, de que o voto pelo correio pode abrir espaço para fraude.

"Vão usar a COVID para roubar a eleição", disse. "A única maneira de eles nos privarem da vitória é por meio de uma eleição fraudulenta", declarou ele aos delegados do partido.

Como previsto, cerca de 300 delegados do Grand Old Party reunidos em Charlotte indicaram o presidente como seu candidato no primeiro dia da convenção republicana. Um a um, os representantes republicanos de cada um dos 50 estados americanos anunciaram seu apoio ao presidente.

"Esta é a eleição mais importante da história de nosso país", disse Trump no início de seu discurso em que relembrou seus anos na Casa Branca.

O presidente viajou até Charlotte para a convenção ansioso por se diferenciar de seu rival democrata Joe Biden, recluso em sua residência em Delaware devido à pandemia do novo coronavírus.

"Fizemos isso em respeito à Carolina do Norte e acho que eles se lembrarão disso em 3 de novembro", afirmou Trump.

Viciado em provocar, enquanto os presentes gritavam "mais quatro anos", o presidente respondeu: "se quiserem deixá-los loucos, digam mais 12 anos".

Trump está atrás nas pesquisas, que colocam Biden como favorito, em um momento em que seu governo enfrenta forte pressão pela gestão da pandemia, que deixa mais de 177.000 mortos no país e uma economia em crise, com milhões de desempregados.

Diferentemente do evento do Partido Democrata, que foi majoritariamente virtual, a convenção republicana será marcada por um peso maior das atividades presenciais.

- Um assunto de família -


O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, que será novamente o colega de chapa de Trump, tomou a palavra durante a votação para defender a reeleição.

"Na semana passada ouvi dizer que a democracia estava em jogo", mas "sabemos que o que está em jogo é a economia; a lei e a ordem é que estão em jogo", disse o vice-presidente, referindo-se ao mantra repetido pelos democratas em sua convenção.

A programação da convenção do Partido Republicano conta com especial preponderância dos familiares de Trump. Além de sua esposa Melania, seus quatro filhos adultos estão entre os principais oradores do evento: Donald Jr, Eric, Tiffany e Ivanka.

O principal objetivo dos republicanos é defender a administração do 45° presidente da história dos Estados Unidos, muito questionado pela gestão da pandemia de COVID-19 e que não pode contar mais com o que sua campanha apresentava como seu principal ativo e eventual carta de triunfo: a boa saúde da economia.

Antes da pandemia, o desemprego era de 3,5%, mas agora está acima dos 10%. Trump, que promete uma convenção "otimista e positiva", destacou em seu discurso a nomeação de dois juízes conservadores para a Suprema Corte durante seu governo.

Sua principal mensagem é que a economia logo se recuperará e que a crise terá forma de V, com uma recuperação espetacular. Porém, ele também não abriu mão do tom sombrio, alertando em seu discurso que, se Biden vencer, "o sonho americano vai morrer".

- Os limites entre governo e campanha -


A convenção também reservou espaço para vários oradores afro-americanos, incluindo Tim Scott, o único senador republicano negro, em uma tentativa de chegar a uma comunidade majoritariamente hostil ao partido de Trump.

Do Oriente Médio, onde está para uma visita de cinco dias, o secretário de Estado Mike Pompeo deve ressaltar os avanços diplomáticos registrados durante a administração Trump, um discurso incomum neste tipo de evento.

Na quinta-feira, com um discurso no jardim da Casa Branca, o presidente aceitará oficialmente - pela segunda vez - a indicação do partido.

Mas antes ele já terá discursado em cada dia do evento, quando habitualmente os candidatos falam ao público apenas no ato de encerramento.

A utilização da Casa Branca gerou polêmica devido ao fato de romper com a tradição de separar as ações do governo das ações de campanha.

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