Furacão Laura ameaça costa dos EUA com 'inundações catastróficas'

O ciclone avança com ventos de 230 km/h e deve atingir os dois estados do sul dos Estados Unidos na noite desta quarta ou na quinta-feira pela manhã

Agência France-Presse
postado em 26/08/2020 20:36
 (foto: Folheto / RAMMB / NOAA / NESDIS / AFP)
(foto: Folheto / RAMMB / NOAA / NESDIS / AFP)

Laura se aproxima da costa dos estados de Louisiana e Texas nesta quarta-feira (26) como um furacão "extremamente perigoso" de categoria 4, o que forçou a evacuação de centenas de milhares de pessoas devido à ameaça de "inundações catastróficas".

O ciclone avança com ventos de 230 km/h e deve atingir os dois estados do sul dos Estados Unidos na noite desta quarta ou na quinta-feira pela manhã, anunciou o Centro Nacional de Furacões (NHC, sigla em inglês).

Uma tempestade com "enormes ondas destrutivas vai causar danos catastróficos" ao litoral de ambos os estados, disseram os meteorologistas.

Somadas à maré alta, essas ondas - que podem avançar cerca de 50 km terra adentro - podem fazer com que as águas subam entre 4,5 e 6 metros acima do nível normal.

O olho do furacão estava às 21H00 GMT (18H00 em Brasília) a 250 km ao sul da cidade costeira de Lake Charles, no estado da Louisiana, conhecida por seus grandes centros de refino de petróleo.

Os moradores da região deixaram o local em ônibus após receberem ordem de retirada obrigatória devido ao risco de enchentes.

Mais de 100 plataformas de petróleo no Golfo do México foram evacuadas por precaução.

No entanto, está previsto um "enfraquecimento rápido quando Laura tocar o solo", segundo o NHC, que também alertou sobre chuvas entre 130 e 250 milímetros, com alguns picos de quase 400 milímetros no oeste da Louisiana e no leste do Texas.

- Fugir da rota do furacão -


O governador do Texas, Greg Abbott, pediu aos residentes que evacuem suas casas. "Eles têm apenas mais algumas horas para escapar dos danos", disse ao Weather Channel.

"Esta é uma tempestade muito perigosa, mais forte do que a maioria que já cruzou" as costas do estado, acrescentou, insistindo para que a população faça "tudo possível para sair do caminho" de Laura.

O presidente Donald Trump pediu aos moradores das áreas afetadas que "ouçam as autoridades locais". "Laura é um furacão muito perigoso e está se intensificando rapidamente", publicou Trump no Twitter. "Meu governo continua colaborando totalmente com os gestores de emergência estaduais e locais".

Jimmy Ray estava entre os que receberam ordem de evacuação em Lake Charles, no estado de Louisiana. A princípio "íamos tentar aguentar dentro de casa, mas vimos que o furacão ia ser muito forte", disse à AFP.

Outra evacuada da cidade, Patricia Como, contou que seus irmãos, primos e outros membros da família decidiram ficar, mas ela não queria correr o risco. "Não vou brincar com Deus", disse.

Craig Brown, o prefeito da Ilha de Galveston, no Texas, que sofreu o furacão mais mortal da história dos Estados Unidos em 1900 com milhares de vítimas fatais, disse que as autoridades estão "monitorando de perto" a situação.

"Tivemos uma boa cooperação de nossos residentes na evacuação", disse ele. "Se eles quiserem ficar, nós permitiremos", mas "se eles ficarem, é possível que não tenham nenhum serviço de emergência disponível", esclareceu.

- Evitar contágios -


Angela Jouett, que lidera a operação de evacuação em Lake Charles, informou que novos protocolos foram implementados devido à pandemia do coronavírus. "As pessoas que entram (nos centros de evacuação) usam desinfetante nas mãos", passam por "controles de temperatura" e mantêm entre elas uma distância física de dois metros.

O governador Abbott - cujo estado sofre uma onda significativa de infecções por COVID-19 - pediu àqueles que podiam pagar por isso que se refugiassem em hotéis e motéis "para se isolarem".

Em Nova Orleans, devastada em 2005 pelo furacão Katrina, de categoria 5, o histórico Bairro Francês estava sem turistas, e sacos de areia foram empilhados diante de portas e janelas. Os edifícios de arquitetura colonial foram protegidos com chapas de madeira.

"Não estou preocupado com a água que entra com a tempestade, mas sim com a chuva e as bombas sem funcionar. É isso que vai causar as enchentes", disse à AFP Robert Dunalp, empresário que não se esquece do Katrina, que deixou 1.000 mortos e danos enormes.

Laura passou na segunda-feira como tempestade tropical por Cuba, onde provocou fortes chuvas e alguns danos. No fim de semana, a tempestade provocou 25 mortes no Haiti e República Dominicana.

A temporada de tempestades no Atlântico, que vai até novembro, deve ser uma das mais severas. O NHC prevê até 25 fenômenos, e Laura é o 12º até o momento.

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