RACISMO

Zoo se desculpa por ter exibido em jaula jovem negro que acabou se matando

Jovem africano Ota Benga foi exposto em jaula com macacos pelo Zoológico do Bronx, em Nova York, em 1906

Correio Braziliense
postado em 27/08/2020 22:20 / atualizado em 27/08/2020 22:20
 (foto: Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos/Reprodução)
(foto: Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos/Reprodução)

Em setembro de 1906, o Zoológico do Bronx, em Nova York, anunciou uma nova atração: Ota Benga. O jovem africano havia sido trazido da África Central, onde seu povo, os Mbutis, vivia em uma região onde hoje fica a República Democrática do Congo. Ota foi colocado na Casa dos Macacos e exibido como mais um dos animais do zoo durante dias.

A absurda e desumana exposição só foi encerrada porque a população negra, conduzida por líderes religiosos fizeram protestos, exigindo que aquele tratamento fosse encerrado. Um reverendo chamado James Gordon levou Ota para um orfanato no bairro do Brooklyn, mas o jovem africano nunca se recuperou da perda de identidade que sofrera. Ele tirou a própria vida cerca de 10 anos depois.

Passados 114 anos, o Zoológico do Bronx finalmente reconheceu seu erro e pediu desculpas à Ota e à população negra. Em carta publicada no site da WCS, entidade que administra o zoo, o CEO Cristián Samper classifica o episódio como uma "intolerância racial inescrupulosa". "Em nome da igualdade, transparência e prestação de contas, devemos confrontar o papel histórico de nossa organização na promoção de injustiça racial à medida em que avançamos na nossa missão de salvar a fauna e a flora", escreve Samper. "Nos desculpamos e condenamos o tratamento dado a Ota", acrescenta.

Ideias racistas

No mesmo comunicado, Samper se desculpa pelo fato de a instituição, por meio de dois de seus fundadores, Madison Grant e Henry Fairfield Osborn, ter difundido ideias racistas com base em pensamentos "pseudocientíficos". Grant escreveu o livro The passing of the great race (A passagem da grande raça, em tradução livre). A obra, que tinha prefácio de Osborn, foi usado na defesa de um dos nazistas julgados no Tribunal de Nuremberg.

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