Fiocruz cria dispositivo portátil para testes

Correio Braziliense
postado em 04/09/2020 06:00
 (foto: Thiago Fernandes)
(foto: Thiago Fernandes)

Considerado o padrão ouro para diagnosticar a covid-19, o exame de PCR tem algumas desvantagens. Além de caro, exige laboratório altamente qualificado e a disponibilidade é baixa fora dos principais centros urbanos. Agora, pesquisadores da Fiocruz Minas e da Visuri desenvolveram um dispositivo portátil que poderá levar um exame similar para qualquer localidade, a um custo bem menor, além da vantagem de não exigir equipamentos sofisticados na interpretação dos resultados.
Assim como no caso do PCR, o chamado OmniLAMP detecta o material genético do Sars-CoV-2. Ele faz isso por meio de uma tecnologia que transforma o RNA viral em DNA que, então, é amplificado. É bastante semelhante à técnica de reação em cadeia da polimerase, e, nos testes, apresentou sensibilidade de 97% (percentual de amostras positivas identificadas com o tal) e especificidade de 100% (todas as amostras negativas para a covid-19 foram identificadas corretamente).
Para diagnosticar o paciente, é preciso retirar uma amostra nasal e orofaríngea com um swab. O material é processado pelo dispositivo e, caso dê positivo para a covid-19, é lançado um sinal colorido, lido pelo software do equipamento. O exame fica armazenado nos servidores do laboratório. Em 30 minutos, é possível acessar, por celular, o resultado. Para comparação, o PCR exige até seis horas para ficar pronto. Os pesquisadores destacam também que o OmniLAMP não exige uma estrutura laboratorial de alta complexidade e usa reagentes diferentes dos do PCR.

Adaptações

O dispositivo foi desenvolvido em uma parceria público-privada a partir de uma pesquisa iniciada em 2018 e tinha objetivo de diagnosticar arboviroses (vírus transmitidos por mosquitos). Premiado em um programa de soluções inovadoras da Biominas Brasil e da Fiocruz, o projeto foi adaptado este ano para a detecção da covid-19.
De acordo com Rubens do Monte, pesquisador da Fiocruz Minas, o OmniLAMP poderá ser usado para o exame da covid e de enfermidades endêmicas no Brasil. “O dispositivo pode ser adaptado ao diagnóstico de outras doenças. É importante lembrar que o projeto teve início como uma solução para a detecção de dengue, zika e chicungunha. Ele se caracteriza, portanto, como uma plataforma de testes moleculares para a detecção de patógenos. A única necessidade é adaptar a reação para esse novo fim. Nesse sentido, ele pode ser aplicado em diferentes setores, como agropecuária, veterinária e meio ambiente”, conta.
O equipamento e os kits de testes estão na última fase de certificação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Enquanto os kits deverão ser produzidos pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fiocruz (Bio-Manguinhos, no Rio de Janeiro), o dispositivo será fabricado pela Visuri, em Minas Gerais. (PO)

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