Estados Unidos

Trump intensifica campanha

A menos de dois meses das eleições, presidente inicia turnê por cinco estados, na tentativa de tirar votos de Joe Biden, à frente nas pesquisas. Diante de relatos de crise financeira em seu comitê, magnata afirma que vai tirar do bolso, se for preciso

Correio Braziliense
Correio Braziliense
postado em 08/09/2020 21:48

Em meio a rumores de uma crise financeira em seu comitê, o presidente Donald Trump intensificou, ontem, o ritmo de sua campanha à reeleição. A menos de dois meses para a votação, o chefe da Casa Branca iniciou um périplo pela Flórida, Carolina do Norte, Michigan, Pensilvânia e Nevada de olho nos votos de seu adversário, o democrata Joe Biden, que lidera as pesquisas.

O início da pesada agenda coincidiu com a divulgação, pelo The New York Times, de contratempos na campanha do magnata do mercado imobiliário. Segundo reportagem publicada pelo jornal, cerca de 80% dos US$ 1,1 bilhão arrecadados até julho teriam sido gastos.

Diante dos relatos de uma campanha com problemas financeiros, o líder republicado assinalou que está disposto a gastar sua própria fortuna para tentar ser reeleito. “Se for preciso, eu farei”, disse a jornalistas antes de viajar para a Flórida. “Custe o que custar, temos de vencer”, acrescentou.

Horas antes, em seu perfil no Twitter, Trump multiplicou suas postagens, em uma série agressiva, com várias mensagens direcionadas à imprensa. “Por causa do vírus da China, minha campanha, que arrecadou muito dinheiro, foi forçada a gastar para se opor às reportagens de fake news sobre a forma como lidamos com isso”, tuitou, negando, em seguida, que haja uma crise: “Fizemos e estamos fazendo um ótimo trabalho. E temos muito dinheiro sobrando, muito mais do que em 2016”.

O fato é que, segundo observaram analistas políticos, Trump, em sua busca por mais quatro anos na Casa Branca, abandonou o estilo de campanha caro implantado sob a gestão de seu diretor Brad Parscale, que foi despedido.

Promessa dupla

A oito semanas das eleições, o republicano fez, ontem, sua primeira escala de viagem em Júpiter, na Flórida, para destacar, em suas palavras, o progresso ambiental alcançado no estado durante seu governo. Mas, no geral, a meta do republicano é ressaltar o enfrentamento à covid-19 e difundir uma dupla promessa: a chegada iminente de uma vacina e uma recuperação exponencial da economia. Ontem, pesquisa de intenção de votos NBC/Marist apontou empate técnico na Flórida: Trump aparece com 48% contra 47% para Biden.

Os EUA são o país mais afetado pela pandemia, tanto em número de casos quanto de mortes, que ultrapassam 189 mil. O coronavírus também teve um efeito perverso na maior economia do mundo, com níveis históricos de desemprego.

Trump responsabiliza os democratas por obscurecer a crise sanitária e impor restrições excessivas às cidades e estados motivados por um cálculo eleitoral e não pela saúde pública. “Os democratas vão abrir seus estados em 4 de novembro, um dia após a eleição. Esses fechamentos são ridículos e só servem para prejudicar a economia antes da eleição que é talvez a mais importante de nossa história”, disse ele no Twitter antes de começar a turnê.

Na semana passada, o presidente reafirmou que a vacina poderá chegar aos americanos às vésperas da votação de 3 de novembro. A declaração foi recebida com desconfiança pelos democratas. A senadora Kamala Harris, companheira de chapa de Joe Biden, afirmou não acreditar em “uma palavra” do presidente republicano a respeito do tema.

Os republicanos, então, passaram a acusar Joe Biden e sua vice de politizarem a busca por uma vacina. Para Kayleigh McEnany, porta-voz da Casa Branca, os democratas disputam um jogo perigoso ao lançar dúvidas sobre uma questão tão delicada.

Em entrevista à Fox News, a porta-voz disse que Trump segue as recomendações dos cientistas, algo que, segundo ela, fez desde o início, ignorando as várias polêmicas entre o presidente e a comunidade científica.

Trump corre para obter um remédio financeiro para a pandemia. À Fox Business, Mark Meadows, chefe de gabinete da Casa Branca, expressou otimismo quanto à adoção, antes das eleições, de um novo plano de ajuda, afirmando que apesar das diferenças os dois partidos podem alcançar um acordo. Em março, o Congresso aprovou um projeto de lei de emergência para desbloquear US$ 2,2 trilhões, com US$ 500 mil adicionais até o fim de abril.

Sem viagens

À frente da maioria das pesquisas, embora com vantagem inferior a que tinha no início de agosto, a agenda de Biden contrastava com a atividade frenética do rival — não havia viagens planejadas. A esposa do democrata, Jill Biden, “viajará virtualmente ao Wisconsin”, informou o comitê de campanha.

Não significa que as atividades dos democratas estejam estacionadas. Nesse cenário midiático, Barack Obama, de quem Biden foi vice, exerce um protagonismo. Ontem, o ex-presidente apoiou Kamala Harris em um vídeo no qual oferece dicas de campanha e de como se conectar com as pessoas. “Vou fazer tudo o que puder e Michelle também para garantir que tudo flua nas eleições”, prometeu.

 

“Custe o que custar, temos de vencer”
Donald Trump, presidente dos EUA e candidato à reeleição

 

 

 

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