EUA

Trump prioriza eleição à ajuda

Presidente anuncia a suspensão do diálogo com os democratas sobre o estímulo à economia, volta a minimizar a pandemia da covid-19 e afirma que irá a debate. Biden diz que republicano "deu as costas ao povo"

Rodrigo Craveiro
postado em 06/10/2020 21:03 / atualizado em 06/10/2020 22:28
 (crédito: Win Mcnamee/AFP)
(crédito: Win Mcnamee/AFP)


Confinado na Casa Branca, onde se recupera da covid-19, e em desvantagem nas pesquisas de opinião pública, o presidente Donald Trump tomou uma decisão, ontem, que pode impactar milhões de norte-americanos e ter viés eleitoreiro. O anúncio de suspensão do diálogo sobre o plano de estímulo à economia, no enfrentamento da pandemia, para depois das eleições de 3 de novembro, foi alvo de pesadas críticas de líderes do Partido Democrata. Joe Biden, candidato à Casa Branca, acusou o magnata republicano de virar as costas para a população. “Donald Trump encerrou os esforços para aprovar o alívio bipartidário de que nossa nação desesperadamente precisa. Ele pôs fim a conversas que ajudariam nossas empresas e escolas (…), que preservariam centenas de milhares de empregos”, afirmou Biden, em comunicado à imprensa. “Não se enganem: se vocês estão fora do trabalho, se seu negócio foi fechado, se a escola de seu filho foi fechada, se vocês veem demissões em sua comunidade, Donald Trump decidiu que nada disso importa para ele. Não haverá ajuda de Washington em um futuro prevísivel”, acrescentou.

Também ontem, em discurso realizado no local da famosa batalha de Gettysburg, da Guerra Civil americana, Biden advertiu que “forças obscuras” dividem os americanos. Também prometeu acabar com “o medo e o ódio” que consomem os EUA.

Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes, disse que Trump mostra sua verdadeira face. “Ele se coloca em primeiro lugar, às custas do país, com a total cumplicidade dos deputados republicanos. (…) Ele se recusa a colocar dinheiro no bolso dos trabalhadores, a menos que seu nome esteja impresso no cheque. (…) Claramente, a Casa Branca está em completa desordem”, declarou.

Instrução

A democrata foi citada por Trump em sua justificativa para suspender o diálogo sobre o plano de ajuda. “Nancy Pelosi está pedindo US$ 2,4 trilhões (cerca de R$ 13,4 trilhões) para resgatar Estados democratas mal administrados, com alta criminalidade; dinheiro que nada tem a ver com a covid-19. Nós fizemos uma oferta muito generosa de US$ 1,6 trilhão (ou R$ 8,9 trilhões), e, como de praxe, ela não negocia de boa-fé. Estou rejeitando seu pedido e olhando para o futuro de nossa nação”, escreveu o presidente em seu perfil no Twitter. “Eu instruí meus deputados a pararem de negociar até depois da eleição, quando, imediatamente depois de minha vitória, aprovaremos uma importante lei de estímulo que se concentre nos trabalhadores americanos e nas pequenas empresas.”

Professor de medicina da Universidade Johns Hopkins e da Universidade Georgetown e especialista em direito de saúde pública, Lawrence Gostin disse ao Correio que o fracasso em aprovar um plano de alívio para a covid-19 é “inconcebível”. “Há muitas pequenas empresas em insolvência, várias pessoas desempregadas e sem renda. Elas sofrem muito, assim como a nossa economia. Colocar a eleição acima das necessidades do povo é algo vergonhoso, especialmente no decorrer de uma pandemia”, avaliou.

O anúncio de Trump coincidiu com a divulgação de nova pesquisa, que coloca Biden com 16 pontos percentuais à frente do presidente: 57% contra 41%. A sondagem da consultoria SSRS e da rede de TV CNN ouviu 1.001 eleitores prováveis entre 1º e 4 de outubro, depois do primeiro debate presidencial. A margem de erro é de 3,6 pontos percentuais para cima ou para baixo. Gostin vê um pânico considerável na Casa Branca e entre os congressistas republicanos ante o risco crescente de derrota em 3 de novembro. “Parece que Trump não será reeleito, e seu fraco desempenho poderia indicar que os republicanos também perderão o Senado. Isso seria um desastre político para o partido governista.”

Em sua convalescença na Casa Branca, Trump minimizou a pandemia e garantiu que participará do debate de 15 de outubro. “Me sinto bem!”, tuitou. “Desejo que chegue o debate da noite de quinta, 15 de outubro, em Miami. Será genial!”, acrescentou. Sean P. Conley, médico da Casa Branca, revelou que Trump “não apresenta nenhum sintoma”. “Continua extremamente bem, no geral.” O contágio de Trump colocou vários agentes do Serviço Secreto em quarentena depois de um comício em Tulsa (Oklahoma) e em Tampa (Flórida), segundo o jornal The Washington Post.

 

 

 

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 (crédito: Olivier Douliery/AFP)
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Notas

 (crédito: Mandel Ngan/AFP - 1/4/20)
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