Coronavírus

Países europeus têm mais registros de covid agora que no começo da pandemia

Aumento expressivo de casos de infecção pelo Sars-CoV-2 acende o sinal de alerta em vários pontos da Europa. Há países, como França e Portugal, com mais registros diários do que no começo da pandemia. Governos planejam a retomada de medidas mais restritivas nos próximos dias

Correio Braziliense
postado em 12/10/2020 06:00
 (crédito: Justin Tallis/AFP)
(crédito: Justin Tallis/AFP)

Diante do aumento de casos de covid-19, diversas cidades da Europa começam a impor medida mais severas para conter uma possível segunda onda da pandemia. Os sinais preocupam. Países como França e Portugal têm contabilizado números diários de infectados maiores do que o que registraram no início da pandemia. A diferença, desta vez, é que a quantidade de internações e óbitos é menor, o que sinaliza que as altas taxas de infectados podem ser resultado de um aumento na testagem da população, segundo especialistas. Ainda assim, autoridades seguem em alerta. Alemanha e França aumentaram as restrições de eventos sociais, e Itália e Reino Unido pretendem anunciar medidas mais severas nos próximos dias.

Dados divulgados ontem pelo Ministério da Saúde da França mostram que número de novas infecções pelo novo coronavírus foi de 16,1 mil no domingo e de 27 mil no sábado, um recorde nos registros. Os novos casos elevaram o total acumulado para 734.974. A quantidade de pacientes em unidades de terapia intensiva (UTIs) é de 1.456 Apesar de estar longe dos registros do início da crise sanitária — em abril, eram 7 mil pessoas nessa situação —, o índice revela que os quadros graves seguem aumentando. De junho até o fim de agosto, a quantidade manteve-se estável entre 350 e 400 pacientes.

No início da semana passada, Paris ganhou a definição de região em “alerta máximo”. Assim como Marselha, Lyon e Lille, a cidade decretou limitações mais severas para o funcionamento de bares e cafés, como respeitar a quantidade de seis pessoas por mesa e a distância de um metro entre grupos. “A situação da saúde continua a piorar na França. O mesmo está acontecendo em muitos países vizinhos”, alertou o ministro da Saúde, Olivier Veran, em um comunicado.

Na Espanha os casos também seguem subindo. A capital espanhola é uma das cidades europeias com maior incidência da covid-19. A taxa de infecção em Madri é de 564 casos para cada 100 mil habitantes, um número muito superior à média nacional (257) e a mais alta da União Europeia. A cidade registrou 2.256 casos em 24 horas, na última sexta-feira. Para conter o avanço do Sars-CoV-2, o governo impôs um estado de alarme de 15 dias na cidade e em oito municípios da região.

Os madrilenhos precisaram ficar em casa no último fim de semana e também hoje, feriado na Espanha (dia da hispanidade), uma das datas com maior trânsito de viajantes. No norte do país, Catalunha e Navarra, os governantes anunciaram ontem novas medidas para conter o aumento dos casos. Enquanto a Catalunha insiste que empresas e universidades continuem com o trabalho em casa e as aulas on-line para evitar ao máximo as interações sociais, o governo de Navarra vai além: impôs restrições de horário a bares e restaurantes.

Viagens

A Alemanha conseguiu manter o número de novas infecções e mortes menor do que muitos de seus vizinhos, mas o registro diário de novos casos saltou para mais de 4 mil desde a última quinta-feira, o maior desde abril. Enquanto a curva se aproxima do pico de infecções que a Alemanha registrou entre o fim de março e o início de abril, 6 mil por dia, especialistas e políticos concordam que os centros urbanos são o principal problema.

A capital e seus bairros mais centrais estão entre as áreas mais afetadas e foram as primeiras a aplicarem medidas de restrição. No sábado, foi decretado o fechamento da vida noturna em toda a capital. Com essa medida, bares e restaurantes devem fechar entre 23h e 6h. Berlim ultrapassou, na última sexta-feira, a medida do Instituto Robert Koch (RKI), que coordena o avanço da pandemia no país. Para o RKI, se houver mais de 50 infecções por 100 mil habitantes em sete dias, medidas restritivas devem ser tomadas. A capital tem 52 casos.

“Devemos ser um pouco mais rígidos em lugares em que a infecção mais se espalha, que são festas e, infelizmente, também as viagens”, disse o chefe de gabinete da chanceler Angela Merkel, Helge Braun, à emissora pública ARD. “Estamos no início de uma segunda onda, e só a determinação dos políticos e da população vai decidir se podemos evitá-la ou retardá-la”, acrescentou. Angela Merkel alertou que, se a disseminação da covid-19 não se estabilizar em 10 dias, o país tomará novas medidas.

Leitos

Na Itália, o país que mais sofreu com a primeira onda da doença, o cenário também volta a assustar. No sábado, pela primeira vez, o número de casos passou de 5 mil (5.400), desde os meses de março e abril. O governo avalia criar medidas de restrições mais severas, que devem ser anunciadas ainda nesta semana. No Reino Unido, o alerta foi feito na última sexta-feira pelo Escritório Nacional de Estatísticas. Segundo o órgão, o Sars-CoV-2 provoca, em média, mais de 17 mil infectados por dia. Os níveis mais altos ocorrem em cidades como Manchester, Middlesborough e Liverpool, que anunciaram um início de lotação dos leitos de hospitais.

Hoje, o primeiro-ministro Boris Johnson deve anunciar restrições mais severas para essas cidades. As medidas deverão permitir que escolas e universidades permaneçam abertas, enquanto bares, academias, cassinos e casas de apostas, provavelmente, fecharão as portas.

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