Brexit

Negociações pós-Brexit são retomadas após explosão de tensões

Correndo contra o tempo, ambas as partes devem fazer concessões para que o acordo de livre comércio entre em vigor no dia 1° de janeiro

Agência France-Presse
postado em 22/10/2020 10:30 / atualizado em 22/10/2020 10:31
O vice-presidente da Comissão da UE, Maros Sefcovic, o negociador chefe da União Europeia do Brexit, Michel Barnier, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, relatam sobre a cúpula europeia da semana passada durante a sessão plenária no Parlamento Europeu em Bruxelas em 21 de outubro de 2020. -  (crédito: Olivier HOSLET / POOL / AFP)
O vice-presidente da Comissão da UE, Maros Sefcovic, o negociador chefe da União Europeia do Brexit, Michel Barnier, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, relatam sobre a cúpula europeia da semana passada durante a sessão plenária no Parlamento Europeu em Bruxelas em 21 de outubro de 2020. - (crédito: Olivier HOSLET / POOL / AFP)

Os negociadores europeus chegaram em Londres nesta quinta-feira (22/10) para retomar as estagnadas negociações pós-Brexit, após a redução da tensão que ameaçava prejudicar o acordo de livre comércio com o qual ambas as partes esperam evitar uma ruptura brutal em dois meses.

Liderada pelo francês Michel Barnier, a equipe da UE pretende iniciar reuniões diárias com os britânicos, que durarão até domingo ou além, em caso de necessidade.

Os dois lados discutirão todos os assuntos em paralelo e trabalharão diretamente sobre textos legais, como desejava Londres, em uma tentativa de concluir um tratado numa corrida contra o tempo.

Os dois lados destacaram, porém, em um memorando que "nada está acordado nessas negociações até que se chegue a um acordo global definitivo", especialmente após uma discórdia na semana passada, que um membro do governo britânico considerou nesta quinta-feira inevitável neste momento crítico.

Após anos de bloqueio e caos político, o Reino Unido abandonou oficialmente a União Europeia em 31 de janeiro e está atualmente em um período de transição, até o final do ano, destinado a negociar com Bruxelas sua futura relação devido ao término de quase cinco décadas de um matrimônio complicado.

Mas, para que um eventual tratado comercial possa ser aprovado a tempo e entre em vigor em 1º de janeiro é necessário um compromisso até, no mais tardar, o início de novembro.

"Negociações abertas"

O tempo se esgota e, neste jogo de pôquer, nenhum dos lados quer ser o primeiro a piscar, o que levou a uma explosão de tensões.

Em uma reunião de cúpula, os líderes europeus expressaram na semana passada sua firmeza em termos duros.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse então considerar que os 27 haviam descartado a possibilidade de um tratado de livre comércio e que as negociações estavam "encerradas", a menos que mudassem sua postura "fundamentalmente".

As consequências de uma ruptura brutal em 31 de dezembro seriam dramáticas para todos, especialmente em plena pandemia de conoravírus, que já prejudicou bastante as economias europeias.

Depois que Barnier e seu colega britânico David Frost conversaram por telefone todos os dias desta semana, finalmente o francês abriu uma saída de emergência ao bloqueio na quarta-feira: diante do Parlamento Europeu, reconheceu que ambas as partes devem fazer concessões e que devem negociar respeitando a recém-conquistada soberania britânica.

Os britânicos "foram muito claros sobre precisarem ouvir este tipo de linguagem da UE", explicou uma fonte europeia, reconhecendo que agora realizarão "negociações abertas" sem mais "datas limites".

"Esperamos poder voltar com boas notícias" de Londres, acrescentou.

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